Presidente do TRE no Acre classifica voto impresso como retrocesso e diz que STF pode barrar projeto

"Não são questões ideológicas que vão pautar um país tão gigante como esse para retornar", disse a presidente da Corte Eleitoral

A nova presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC), desembargadora Waldirene Cordeiro, foi a entrevistada do podcast Em Cena, do ContilNet, nesta segunda-feira (25).

O bate-papo ao vivo foi conduzido pelo jornalista Everton Damasceno/Foto: ContilNet

Ela tomou posse no último dia 15 de agosto e comandará a Corte Eleitoral durante o biênio 2025-2027. Waldirene é a sexta mulher a assumir o cargo, entre 24 presidentes em cinco décadas.

Durante a entrevista, a desembargadora falou sobre as expectativas e desafios para as eleições de 2026 e comentou, inclusive, a proposta do voto impresso, aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado por 14 votos a favor e 12 contra. A emenda, de autoria do senador Esperidião Amin (PP-SC), prevê a obrigatoriedade de a urna imprimir o registro de cada voto.

Além do voto impresso, a proposta de mudança no Código Eleitoral também inclui a manutenção da obrigatoriedade de 30% de candidaturas femininas, a reserva de 20% das cadeiras legislativas para mulheres e a criação de quarentena para “agentes da lei”.

Sobre o voto impresso, Waldirene classificou a medida como um retrocesso e disse esperar que os parlamentares favoráveis repensem suas posições.

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Presidente do TRE no Acre classifica voto impresso como retrocesso e diz que STF pode barrar projeto/Foto: Reprodução

“Em uma única palavra: retrocesso. Retrocesso, inclusive, do espírito democrático que é tão forjado pelo brasileiro. Sem esquecer da questão ambiental, porque vai usar papel. É todo um trabalho. Ou seja, eu sou veementemente contra esse retrocesso, o retorno da cédula eleitoral para se fazer uma eleição nesse país”, disse a desembargadora durante o podcast.

“Penso que quem está com essa ideia vai cair em si para retroceder. Não são questões ideológicas que vão pautar um país tão gigante como esse para retornar, quando mais uma vez digo, somos modelo tipo exportação para o mundo”, pontuou.

Após a aprovação na CCJ, o texto segue para análise no plenário do Senado. Cabe ao presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), definir a tramitação e pautar a proposta.

Waldirene ressaltou que o sistema eleitoral brasileiro é referência mundial, inclusive para os Estados Unidos — país frequentemente citado por defensores do voto impresso.

Waldirene Cordeiro é presidente do TRE/Foto: ContilNet

“A Índia também tem urna eletrônica, mas ela não consegue fazer como a gente. Ela passa três meses para terminar. Ela é o país mais populoso, passando até da China. Ela não consegue fazer com a rapidez que nós fazemos. Os EUA eles nos procuram para saber como é que nós fazemos eleição, porque eles também demoram. Eles têm um modelo diferenciado, mas eles já nos procuraram para levar o nosso know-how”, continuou.

A presidente do TRE-AC reafirmou que considera o voto impresso um retrocesso e demonstrou confiança de que o projeto não prosperará:

“Eu tenho certeza que nossos parlamentares vão refletir e vão retirar essa ideia que pra mim não é bacana. A gente sempre insiste que estamos numa via que não retrocede mais. O caminhar é para melhorar cada vez mais”.

No entanto, caso a proposta avance até a aprovação e sanção, Waldirene acredita que o Supremo Tribunal Federal (STF) pode intervir:

“A Justiça tem que buscar os caminhos para atender o interesse da sociedade. E a sociedade, em sua grande maioria, não quer esse retorno. A questão orçamentária, inclusive, pode ser colocada em voga porque o gasto que nós tivemos para ter urna eletrônica e retroceder agora para ir atrás de matéria-prima que está escassa como a árvore, que faz nosso papel… […] A gente torce para que isso não volte, para que os nossos parlamentares entendam que seria um retrocesso”.

VEJA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA:

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