Projeto propÔe corte de R$ 19,6 bi em benefícios fiscais em 2026

Por AgĂȘncia Brasil 30/08/2025


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Praticamente junto com a proposta de Orçamento de 2026, o governo enviou nesta sexta-feira (29) ao Congresso um projeto de lei complementar que prevĂȘ corte linear de 10% em benefĂ­cios fiscais concedidos a empresas e setores da economia. Com o objetivo de aumentar a arrecadação em R$ 19,76 bilhĂ”es em 2026, o texto foi protocolado pelo lĂ­der do governo na CĂąmara, deputado JosĂ© GuimarĂŁes (PT-CE).Projeto propĂ”e corte de R$ 19,6 bi em benefĂ­cios fiscais em 2026Projeto propĂ”e corte de R$ 19,6 bi em benefĂ­cios fiscais em 2026

A iniciativa é considerada fundamental para fechar o Orçamento do próximo ano. Mesmo antes da aprovação, o governo pode contabilizar os R$ 19,76 bilhÔes ainda em 2025. A proposta, no entanto, precisar entrar em vigor até março de 2026 para evitar ajustes no caixa e possíveis cortes de despesas.

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O secretårio executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que estå confiante na aprovação. Segundo ele, o tema tem sido tratado diretamente entre o presidente Luiz Inåcio Lula da Silva e os presidentes da Cùmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

“A proposta está sendo discutida há muitos meses e há amplo entendimento político de que o corte precisa ser efetivo, não apenas simbólico. A proposta foi desenhada para gerar resultados concretos”, disse Durigan.

O corte nos benefícios incidirå sobre incentivos fiscais relacionados a tributos como Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), contribuição previdenciåria patronal e Imposto de Importação.

Na pråtica, empresas que atualmente contam com regimes especiais ou alíquotas reduzidas terão 10% desse benefício limitado. Segundo o secretårio executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, a limitação ocorrerå seja por aumento da base de cålculo, seja pela redução direta no incentivo fiscal.

Durigan também explicou que as mudanças não atingirão benefícios constitucionais, que só podem ser alterados por meio de proposta de emenda à Constituição, como a Zona Franca de Manaus, o Simples Nacional e alguns instituídos por lei, como a isenção do PIS/Cofins da cesta båsica, isenção para entidades sem fins lucrativos e para pessoas físicas no Imposto de Renda.

A decisão marca uma mudança na estratégia da equipe econÎmica. Inicialmente, o Palåcio do Planalto havia desistido de enviar um texto próprio, apostando que a revisão de incentivos seria incluída em um projeto em discussão na Cùmara, relatado pelo deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). No entanto, sem a apresentação formal do projeto pelo líder do governo na Cùmara, o governo não poderia contabilizar a receita no Orçamento de 2026.

ResistĂȘncia

A tramitação no Congresso tende a ser desafiadora, com setores beneficiados articulando-se para tentar barrar ou flexibilizar as mudanças.

Em 2024, o volume de subsídios somou R$ 678,4 bilhÔes, a primeira queda em quatro anos. Desse total, R$ 564 bilhÔes corresponderam aos gastos tributårios (quantia que o governo deixa de arrecadar com benefícios fiscais).

Para 2026, a Receita Federal estima que os gastos tributĂĄrios aumentem para R$ 612 bilhĂ”es, mesmo com o corte de R$ 19,6 bilhĂ”es. Para o governo, a revisĂŁo Ă© necessĂĄria nĂŁo apenas para equilibrar as contas pĂșblicas, mas tambĂ©m para dar mais transparĂȘncia ao sistema tributĂĄrio.

Outras medidas de arrecadação

Além do corte nos benefícios fiscais, o governo depende da aprovação de uma medida provisória que eleva tributos sobre aplicaçÔes financeiras, Juros sobre Capital Próprio (JCP) e apostas esportivas. A expectativa é arrecadar mais R$ 20,87 bilhÔes com essas medidas em 2026, a mesma estimativa apresentada em junho, na edição da MP.

Também estå prevista a arrecadação de cerca de R$ 27 bilhÔes com o Programa de Transação Integral (PTI), da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, que facilita a resolução de litígios tributårios.

O projeto de lei complementar tem quatro pontos centrais:

1. Redução de incentivos e benefícios

O corte de 10% de subsídios tributårios alcança seis tributos federais: PIS/Pasep, Cofins, IRPJ, CSLL, contribuição previdenciåria patronal (incluindo CPRB), Imposto de Importação e IPI.

A regra vale para isençÔes, alíquotas reduzidas, créditos presumidos e regimes especiais. No lucro presumido, a limitação só incide sobre a receita que ultrapassar R$ 1,2 milhão por ano.

2. Sistema padrão de comparação

Para calcular o impacto, o governo estabeleceu como referĂȘncia as alĂ­quotas cheias: regime de lucro real para IRPJ/CSLL, TIPI sem reduçÔes para IPI e alĂ­quotas gerais de PIS/Cofins (0,65%/3% no regime cumulativo e 1,65%/7,6% no nĂŁo cumulativo).

3. Responsabilidade solidĂĄria nas apostas

O projeto também endurece regras contra apostas ilegais. Bancos, instituiçÔes de pagamento e empresas que intermediarem transaçÔes de sites sem licença federal poderão responder solidariamente pelos tributos devidos. A mesma regra se aplica a quem fizer publicidade de operadores irregulares. A Receita Federal ficarå encarregada de regulamentar o mecanismo de cobrança.

4. ExceçÔes expressas

Ficam fora do corte de benefícios imunidades constitucionais, itens da cesta båsica, incentivos concedidos até 31 de dezembro de 2025, entidades sem fins lucrativos, o programa Minha Casa Minha Vida, benefícios com teto global de concessão e alíquotas ad rem (alíquotas fixas cobradas por litro de produtos como combustíveis e alguns tipos de bebidas).

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