PT no Acre corre o risco de não ter candidato ao governo pela 1ª vez após mais de 40 anos

A sigla que comandou o Acre por duas décadas consecutivas — de Jorge Viana a Tião Viana — e que se consolidou como referência da esquerda amazônica, agora deve abrir mão da cabeça de chapa para apoiar um aliado

Por Matheus Mello, ContilNet 23/08/2025 às 06:30

O Acre pode estar prestes a viver uma mudança histórica no cenário político. Pela primeira vez em mais de 40 anos, o PT pode não lançar candidatura própria ao governo do estado. A sigla que comandou o Acre por duas décadas consecutivas — de Jorge Viana a Tião Viana — e que se consolidou como referência da esquerda amazônica, agora deve abrir mão da cabeça de chapa para apoiar um aliado.

PT no Acre corre o risco de não ter candidato ao governo pela 1ª vez após mais de 40 anos

Último governador petista no Acre foi Tião Viana, reeleito em 2014/Foto: Ascom

O nome que desponta como favorito desse arranjo é o do médico Thor Dantas, do PSB. Jovem, com boa aceitação em setores da sociedade e com trânsito na área da saúde, Thor representa um novo fôlego para a esquerda local, que tem enfrentado dificuldade para se reorganizar desde a derrota em 2018.

Relembre as candidaturas do PT no Acre ao longo das quatro décadas:

Jorge Viana – 2022 – DERROTA
Marcus Alexandre – 2018 – DERROTA
Tião Viana – 2014 – REELEITO
Tião Viana – 2010 – ELEITO
Binho Marques – 2006 – ELEITO
Jorge Viana – 2002 – REELEITO
Jorge Viana – 1998 – ELEITO
Tião Viana – 1994 – DERROTA
Jorge Viana – 1990 – DERROTA
Hélio Pimenta – 1986 – DERROTA
Nilson Mourão – 1982 – DERROTA

Não é surpreendente

Essa movimentação não chega a ser surpreendente. O PSB hoje é um partido estratégico para o governo Lula: é a sigla do vice-presidente Geraldo Alckmin e ocupa espaços importantes na Esplanada. Uma aliança que fortaleça o PSB no Acre seria vista em Brasília como gesto de pragmatismo e unidade, algo valorizado num momento em que a esquerda busca ampliar seu espaço nos estados da região Norte.

Decisão difícil

Para o PT acreano, a decisão é difícil, mas natural. A legenda já não tem o mesmo protagonismo eleitoral de anos atrás e sabe que insistir em uma candidatura sem viabilidade pode significar mais um desgaste. Ao apoiar Thor Dantas, o partido se reposiciona, garante espaço em uma possível gestão e ainda preserva sua influência no debate estadual.

O fato é que, se confirmada, a decisão marca o fim de uma era: a primeira eleição em mais de quatro décadas em que o PT não disputará o governo do Acre com nome próprio. Para os petistas, pode soar como renúncia. Mas, estrategicamente, pode ser a chance de sobreviver e reconstruir a unidade da esquerda.

Que fique bem claro!

O que o PT no Acre faz ao entregar a outro partido da esquerda o direito de escolher um nome para disputar o Governo em 2026 não é nenhum ato de cordialidade ou coletividade, mas a tentativa de dar uma amenizada na onda do antipetismo que tomou o estado nos últimos anos. Jorge na disputa ao Senado é umas das últimas balas do revólver!

Prestígio

A filiação do senador Márcio Bittar ao PL, nesta sexta-feira (22), em Rio Branco, será mais do que um ato partidário: promete ser uma demonstração de prestígio político nacional. Para marcar presença no evento, uma lista de senadores e deputados federais de outros estados já confirmou presença, reforçando que o parlamentar acreano consolidou trânsito livre nos principais corredores do poder em Brasília.

Bittar, que ganhou projeção nacional ao ser relator do Orçamento Geral da União durante o governo Jair Bolsonaro — função de peso, que o colocou entre os parlamentares mais influentes do Congresso —, agora capitaliza esse espaço político em favor de sua trajetória no Acre.

Silêncio que fala alto

Na Câmara de Rio Branco, o episódio do pedido de afastamento do superintendente da RBTrans, Clendes Vilas Boas, acusado de assédio moral, revelou mais que um racha político: expôs também uma escolha que pegou mal.

A vereadora Lucilene Vale preferiu não assinar o requerimento. O detalhe é que ela, ao lado de Elzinha Mendonça, forma a dupla feminina do Legislativo municipal. E justamente por isso o gesto (ou a ausência dele) ganhou peso político e simbólico.

Nos corredores, o comentário é de que a decisão deixou Lucilene isolada. E a colega Elzinha não perdeu a oportunidade de dar uma alfinetada pública: “cada um sabe as consequências das suas decisões”.

O caso é que, em situações como essa, silêncio também fala — e fala alto.

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