O sotaque nortista, conhecido pelos estudiosos da língua portuguesa como Amazofonia, é reconhecido como um dialeto regional do português brasileiro e está presente em cinco estados da Amazônia Legal: Acre, Amapá, Amazonas, Pará (parcialmente) e Roraima. Trata-se de uma das maiores extensões territoriais do mundo dominadas por um mesmo dialeto.
O Acreanês é um dos ‘dialetos’ da Amazônia/Foto: Reprodução
No Acre, a variante local é chamada de Acreanês, falada principalmente em cidades de fronteira, como Brasiléia e Plácido de Castro. Essa forma de expressão recebeu forte influência do espanhol camba boliviano, do franco-crioulo haitiano e de línguas indígenas da região, o que resultou em um sotaque marcado por singularidades.
Entre as características da Amazofonia, destacam-se o uso frequente da segunda pessoa do singular com conjugação formal correta (“tu fizeste”, “tu chegaste”), a palatalização das consoantes “d” e “t” em sons semelhantes a “dj” e “tch”, e o “l” também palatalizado, transformado em “li” em palavras como “familhia” e “palhito”. Além disso, há predominância do uso de “tu” em vez de “você” e um ritmo de fala considerado mais cadenciado.
Segundo o pesquisador Heber Gueiros, a formação da Amazofonia está diretamente ligada à história de ocupação da região amazônica, que envolveu povos indígenas, colonizadores europeus, africanos escravizados e migrantes nordestinos. Essa diversidade de influências consolidou uma identidade linguística própria, conectando milhões de brasileiros.
A fala acreana, portanto, não é apenas um sotaque, mas parte de um patrimônio linguístico e cultural que insere o estado em um dos contextos com maior riquesa e diversidade do português no Brasil.
