STF torna réu dono de loja de arma no DF pelo 8/1

Por MetrĂłpoles 19/08/2025

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou, por unanimidade, a denĂșncia da Procuradoria-Geral da RepĂșblica (PGR) contra Mohammad Sadegh Kharazmi, dono de uma loja de armas do Distrito Federal (DF) que teria participado dos atos do 8 de Janeiro.

O julgamento aconteceu em plenårio virtual, quando não hå debate entre os ministros. Todos os integrantes do colegiado seguiram o voto do relator, Alexandre de Moraes, para tornar Mohammad réu.

Com isso, serĂĄ aberta ação penal contra Mohammad no Supremo, que passarĂĄ por uma fase de instrução atĂ© chegar ao julgamento – que pode ou nĂŁo resultar em sua condenação.

Natural do TeerĂŁ e naturalizado brasileiro, Mohammad Ă© dono de uma loja de armas em BrasĂ­lia, a Red Dot Custom. Ele foi acusado por associação criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado DemocrĂĄtico de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violĂȘncia e grave ameaça contra o patrimĂŽnio da UniĂŁo e deterioração de patrimĂŽnio tombado.

Segundo a PGR, ĂłrgĂŁo que ofereceu a denĂșncia, Mohammad foi identificado a partir de vĂ­deos produzidos por ele e compartilhados no Instagram. A denĂșncia afirma que, na imagem, utilizada na investigação, o empresĂĄrio aparece no gramado da Esplanada dos MinistĂ©rios acompanhado por diversos outros manifestantes.

O documento segue dizendo que, na imagem, tambĂ©m Ă© possĂ­vel ver, ao fundo, a “fumaça dispersada pelas forças de segurança, indicando que a depredação dos espaços pĂșblicos jĂĄ havia iniciado”.

imagem colorida dos atos antidemocrĂĄticos - MetrĂłpolesSedes dos TrĂȘs Poderes foram depredadas no 8 de Janeiro

A apuração do caso mostrou que dois celulares vinculados aos dados cadastrais de Mohammad estavam na Praça dos TrĂȘs Poderes no dia 8 de janeiro daquele ano entre 17h27 e 18h50 -confirmando sua presença nos atos.

“Mohammad, ainda, utilizava os meios digitais para propagar conteĂșdo similar ao compartilhado pelos envolvidos nos atos antidemocrĂĄticos, conforme Informação de PolĂ­cia JudiciĂĄria”, afirmou a PGR.

No curso das investigaçÔes ele chegou a ser ouvido pela Polícia Federal, momento em que confirmou sua participação nos atos. Ele também relatou que gravou a citada filmagem como transmissão em tempo real no Instagram e disse estar em posse de dois aparelhos celulares que tiveram seus dados de georreferenciamento checados pelos agentes.

“É incontroversa, portanto, a presença do denunciado nos atos antidemocrĂĄticos de 8.1.2023, no momento em que ocorriam a invasĂŁo e a depredação dos espaços pĂșblicos”, conclui a Procuradoria.

Em seu voto, o ministro Alexandre de Moraes afirma que, embora Mohammad tenha sido notificado da denĂșncia contra ele via edital em 28 de maio deste ano, para que pudesse apresentar uma defesa prĂ©via, ele nĂŁo o fez. “Transcorrido o referido prazo, nĂŁo houve manifestação do acusado, que permaneceu inerte, deixando de apresentar a peça defensiva inicial”, relatou Moraes.

Durante o julgamento da denĂșncia, contudo, a defesa de Mohammad pediu que o julgamento fosse suspenso, devido a um suposto erro na notificação. Os advogados alegam que o aviso foi enviado para o endereço errado. O pedido, embora feito antes do julgamento ser finalizado, ainda nĂŁo foi apreciado.

Para Moraes, o empresĂĄrio, conforme narrado na denĂșncia da PGR, integrava o nĂșcleo responsĂĄvel pela execução dos “atentados materiais contra as sedes dos TrĂȘs Poderes”, e entendeu que estava presente a justa causa para o recebimento da denĂșncia.

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