Tipos de capelas de exaustão e suas aplicações na química

No ambiente laboratorial, a segurança dos profissionais e a preservação das amostras são prioridades absolutas. Por isso, um dos equipamentos mais importantes dentro de um laboratório químico é a capela de exaustão. Este dispositivo atua como uma barreira protetora contra vapores tóxicos, gases corrosivos, partículas em suspensão e outras substâncias potencialmente perigosas. Neste artigo, você vai entender os principais tipos de capelas de exaustão e suas aplicações práticas na química.

O que é uma capela de exaustão?

A capela de exaustão é um equipamento projetado para proteger o usuário, o ambiente e os produtos de reações químicas perigosas. Funciona como um sistema de ventilação localizado sobre a bancada de trabalho, capturando e direcionando os vapores e gases gerados durante experimentos ou manipulações de substâncias químicas para o exterior do ambiente.

Seu uso é essencial em procedimentos que envolvem compostos voláteis, reações exotérmicas, liberação de fumaças ou manipulação de ácidos e bases fortes.

Principais tipos de capelas de exaustão

A escolha da capela ideal depende da natureza das substâncias manipuladas, da frequência de uso e das normas de segurança do laboratório. Veja abaixo os principais tipos e suas aplicações:

1. Capela de exaustão convencional

Esse é o modelo mais tradicional encontrado em laboratórios de ensino e pesquisa. Possui uma estrutura com vidro frontal móvel (tipo guilhotina) e um sistema de ventilação que capta o ar do ambiente, filtrando ou expulsando os contaminantes para o exterior.

Aplicações:

  • Manipulação de ácidos e bases fortes

  • Reações com liberação de vapores tóxicos

  • Preparações que envolvam solventes voláteis

2. Capela com exaustão filtrante (capela de recirculação)

Diferente da convencional, este modelo não requer dutos de exaustão externa. O ar contaminado é filtrado internamente por filtros de carvão ativado e HEPA, retornando ao ambiente já purificado.

Vantagens:

  • Mobilidade

  • Instalação mais simples

  • Ideal para locais com limitações estruturais

Aplicações:

  • Laboratórios temporários

  • Ambientes de ensino técnico

  • Procedimentos com baixo risco toxicológico

3. Capela de exaustão perimetral

Utiliza um sistema de exaustão que cria uma corrente de ar ao longo das bordas da abertura frontal, melhorando a contenção dos vapores e reduzindo o consumo de energia.

Aplicações:

  • Manipulação de compostos orgânicos voláteis

  • Reações sensíveis ao ambiente

  • Ambientes com grande movimentação de pessoas

4. Capela de exaustão à prova de explosão

Projetada para resistir a atmosferas potencialmente explosivas. Suas partes elétricas são isoladas e o sistema de ventilação é blindado, o que previne faíscas ou superaquecimento.

Aplicações:

  • Manipulação de solventes inflamáveis

  • Indústrias químicas e petroquímicas

  • Trabalhos com gases combustíveis

5. Capela de exaustão para radioisótopos

Modelo especializado para o manuseio de materiais radioativos. Inclui blindagens com chumbo e filtros HEPA de alta eficiência, garantindo a contenção da radiação e das partículas.

Aplicações:

  • Laboratórios de radioquímica

  • Hospitais e centros de medicina nuclear

  • Centros de pesquisa com isótopos radioativos

Critérios para escolher a capela adequada

Antes de adquirir uma capela, é fundamental avaliar alguns fatores:

  • Tipo de substância manipulada: ácidos, solventes, radioativos, voláteis, etc.

  • Frequência de uso: laboratórios com uso intensivo requerem sistemas mais robustos.

  • Ventilação existente no ambiente: alguns modelos exigem exaustão externa.

  • Normas e regulamentações vigentes: é preciso obedecer às exigências da NR-15 e ABNT.

  • Espaço físico disponível: o tamanho da capela deve ser compatível com o laboratório.

Cuidados essenciais no uso da capela

Mesmo sendo um equipamento de segurança, a eficácia da capela depende do uso correto. Algumas boas práticas incluem:

  • Manter o vidro frontal sempre na altura adequada.

  • Evitar movimentos bruscos ou correntes de ar próximas à abertura.

  • Não utilizar a capela como espaço de armazenamento.

  • Realizar manutenções periódicas e inspeções nos filtros.

  • Certificar-se de que o sistema de ventilação está funcionando corretamente.

Considerações finais

O uso de capelas de exaustão é indispensável para garantir a segurança em laboratórios de química. Cada tipo de capela possui características específicas que se adaptam a diferentes situações de trabalho, exigindo análise criteriosa na escolha. Além disso, a manutenção e o uso adequado garantem maior durabilidade do equipamento e proteção para os profissionais.

Vale lembrar que a instalação de uma capela de exaustão para laboratório deve sempre seguir as normas técnicas e recomendações dos fabricantes, garantindo um ambiente seguro, eficiente e em conformidade com as exigências legais.

 

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