Trama golpista: entenda o julgamento de Bolsonaro e aliados no STF

Por: Metrópoles Publicado: 15/08/2025

Com o julgamento de Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus marcado pelo presidente da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, espera-se um debate acalorado e a adoção do rito previsto para ações penais em julgamentos presenciais. Todos serão julgados por suspeita de envolvimento em uma trama golpista.

Zanin reservou os dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro de 2025, das 9h às 12h, em sessões extraordinÔrias, para o julgamento. Também estÔ prevista uma sessão extraordinÔria no dia 12, das 14h às 19h, além de sessões ordinÔrias nos dias 2 e 9, no mesmo horÔrio vespertino.

Trama golpista: entenda o julgamento de Bolsonaro e aliados no STF8 imagensJair Bolsonaro estÔ em prisão domiciliar por ordem de MoraesEx-presidente Jair BolsonaroEx-presidente Jair BolsonaroFechar modal.Trama golpista: entenda o julgamento de Bolsonaro e aliados no STFTrama golpista: entenda o julgamento de Bolsonaro e aliados no STF1 de 8

O ex-presidente Jair Bolsonaro

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Jair Bolsonaro estÔ em prisão domiciliar por ordem de Moraes

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VINƍCIUS SCHMIDT/METRƓPOLES @vinicius.fotoTrama golpista: entenda o julgamento de Bolsonaro e aliados no STF4 de 8

Ex-presidente Jair Bolsonaro

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Ex-presidente Jair Bolsonaro

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BRENO ESAKI/METRƓPOLES @BrenoEsakiFoto

O julgamento terÔ início com a leitura do relatório pelo relator, ministro Alexandre de Moraes, apresentando o histórico da ação penal. Em seguida, falarÔ o procurador-geral da República, Paulo Gonet, autor da denúncia contra os réus.

Depois, as defesas apresentarão as sustentações orais pelo prazo de uma hora. Concluída essa etapa, Moraes retomarÔ a palavra para proferir o voto, pela condenação ou absolvição. Na sequência, os demais ministros votarão, seguindo a ordem de antiguidade na Corte, e o julgamento serÔ encerrado pelo presidente da Turma, Cristiano Zanin.

As sessões ocorrerão no plenÔrio da Primeira Turma do STF. A decisão da Corte é tomada por maioria. Caso haja condenação de Bolsonaro e dos demais réus, ela serÔ anunciada na proclamação do resultado.

Sem presenƧa

Bolsonaro e os demais réus não são obrigados a comparecer pessoalmente ao Supremo durante o julgamento. Segundo o Regimento Interno da Corte, é permitido que a defesa seja conduzida integralmente por advogados constituídos ou defensores públicos, assegurando a representação técnica mesmo na ausência física dos acusados.

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A presenƧa fĆ­sica dos acusados Ć© exigida apenas em atos processuais especĆ­ficos da fase de instrução, como interrogatórios ou acareaƧƵes — etapas que jĆ” foram realizadas antes da sessĆ£o de julgamento em plenĆ”rio, em situaƧƵes que ocorreram com o ex-ajudante de ordens Mauro Cid,Ā porĀ exemplo.

O julgamento serÔ presencial. Além do núcleo central, que envolve o ex-presidente, outros três grupos também respondem criminalmente por participação na tentativa de golpe, mas ainda sem data definida para anÔlise pelos ministros da Primeira Turma. Os três núcleos permanecem na fase anterior ao julgamento, sem que tenha sido aberto o prazo para apresentação das alegações finais.

Confira os réus do núcleo crucial

  • Alexandre Ramagem: ex-diretor da Abin, ele Ć© acusado pela PGR de atuar na disseminação de notĆ­cias falsas sobre fraude nas eleiƧƵes.
  • Almir Garnier Santos: ex-comandante da Marinha, ele teria apoiado a tentativa de golpe em reuniĆ£o com comandantes das ForƧas Armadas, na qual o entĆ£o ministro da Defesa apresentou minuta de decreto golpista. Segundo a PGR, o almirante teria colocado tropas da Marinha Ć  disposição.
  • Anderson Torres: ex-ministro da JustiƧa, ele Ć© acusado de assessorar juridicamente Bolsonaro na execução do plano golpista. Um dos principais indĆ­cios Ć© a minuta do golpe encontrada na casa de Torres, em janeiro de 2023.
  • Augusto Heleno: ex-ministro do GSI, o general participou de uma live que, segundo a denĆŗncia, propagava notĆ­cias falsas sobre o sistema eleitoral. A PF tambĆ©m localizou uma agenda com anotaƧƵes sobre o planejamento para descredibilizar as urnas eletrĆ“nicas.
  • Jair Bolsonaro: ex-presidente da RepĆŗblica, ele Ć© apontado como lĆ­der da trama golpista. A PGR sustenta que Bolsonaro comandou o plano para se manter no poder após ser derrotado nas eleiƧƵes e, por isso, responde Ć  qualificadora de liderar o grupo.
  • Mauro Cid: ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e delator do caso. Segundo a PGR, ele participou de reuniƵes sobre o golpe e trocou mensagens com conteĆŗdo relacionado ao planejamento da ação.
  • Paulo SĆ©rgio Nogueira: ex-ministro da Defesa, ele teria apresentado aos comandantes militares decreto de estado de defesa, redigido por Bolsonaro. O texto previa a criação de ā€œComissĆ£o de Regularidade Eleitoralā€ e buscava anular o resultado das eleiƧƵes.
  • Walter Souza Braga Netto: Ć© o Ćŗnico rĆ©u preso entre os oito acusados do nĆŗcleo central. Ex-ministro e general da reserva, foi detido em dezembro do ano passado por suspeita de obstruir as investigaƧƵes. Segundo a delação de Cid, Braga Netto teria entregado dinheiro em uma sacola de vinho para financiar acampamentos e aƧƵes que incluĆ­am um plano para matar o ministro Alexandre de Moraes.

As defesas dos réus do chamado núcleo crucial da trama golpista denunciada pela PGR ao STF apresentaram, nessa quarta-feira (13/8), as alegações finais. A linha comum seguida pelos advogados dos oito réus foi frisar a falta de provas da acusação para ligar os respectivos clientes à participação no planejamento de um possível golpe de Estado.

Trata-se da Ćŗltima fase antes do julgamento. Agora, quando Zanin pautar, o processo vai para a anĆ”lise da Primeira Turma, composta por Moraes, CĆ”rmen LĆŗcia, Cristiano Zanin, Luiz Fux e FlĆ”vio Dino. Eles podem decidir se os oito acusados pela PGR serĆ£o condenados ou absolvidos. Ɖ possĆ­vel, ainda, que algum ministro peƧa vista, o que representaria mais tempo para anĆ”lise, com prazo de retorno para julgamento em 90 dias.

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