VĂ­deo. Corredora fica com olho roxo apĂłs agressĂŁo no Ibirapuera

Por MetrĂłpoles 03/08/2025 Ă s 16:00

Relatos de agressĂ”es sofridas por mulheres durante treinos de corrida no Parque do Ibirapuera, na zona sul da capital paulista, se disseminam pela internet. A violĂȘncia ocorre, segundo as vĂ­timas, quando homens agem de forma intolerante e agressiva pelo simples fato de algumas das mulheres correrem mais lentamente ou, ainda, “estarem no caminho” dos “machĂ”es”.

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A atleta amadora Gleice Koyama ficou com o olho roxo (veja vĂ­deo abaixo) apĂłs um corredor acertĂĄ-la com a mĂŁo fechada, durante um treino no Ibirapuera. Ela decidiu registrar o relato do caso, ocorrido em 19 de abril, em um vĂ­deo compartilhado em seu perfil no Instagram. Veja:

 

Enquanto destaca o hematoma no olho direito, a vĂ­tima conta como foi ferida e por quem.

“Eu levei um soco. E foi correndo no Ibirapuera. Explicando resumidamente, eu estava correndo, assim, normal. Aí, do nada, do outro lado, o cara saiu sentido contrário, numa velocidade muito rápida mesmo, esbarrou em mim e, nisso, ele pegou aqui em cheio [com um soco] no meu olho direito”, detalhou.

Assim como ocorreu com outras vĂ­timas, o agressor de Gleice nĂŁo parou o treino para perguntar se ela estava bem e continuou correndo, sem prestar socorro.

“Lixo humano”

Na semana passada, uma mulher, de 67 anos, foi empurrada no Ibirapuera “propositalmente” por um corredor, segundo uma familiar, caiu e rompeu o ligamento da virilha.

Raquel Flopes, filha de vítima, afirmou que a lesão foi decorrente da queda e que a mãe precisa usar cadeira de rodas, desde então, para se locomover, “devido a [atitude] desse lixo humano [corredor]”.

“NinguĂ©m foi atrĂĄs dele, eu juro que sĂł nĂŁo fui atrĂĄs porque a prioridade era ajudar minha mĂŁe deitada no chĂŁo”, completou.

Ela acrescentou que casos de violĂȘncia durante treinos de corrida estĂŁo se tornando recorrentes no Ibirapuera, mencionando o caso de um amigo. O rapaz, de acordo com Raquel, foi empurrado por um corredor, durante um treino, caiu e fraturou o braço e o antebraço. “As pessoas estĂŁo malucas”.

Mari Silva tambĂ©m sofreu violĂȘncia fĂ­sica no Ibirapuera, mas quando estava parada. “Um cara me chutou em um local que eu estava sentada. Esses covardes se sentem os donos do parque. As mulheres nĂŁo tĂȘm segurança nem mesmo nesses locais, infelizmente.”

Ombrada no maxilar

O Metrópoles mostrou que dezenas de relatos de agressÔes durante treinos no Ibirapuera foram encaminhados para a corredora amadora, influencer e gerente internacional de vendas Noelle Pessoa, após ela compartilhar o caso na internet.

Ela afirmou Ă  reportagem, nesse sĂĄbado (2/8), que vai registrar um boletim de ocorrĂȘncia para que imagens de cĂąmeras de monitoramento sejam disponibilizadas pela administração do parque Ă  PolĂ­cia Civil.

No dia em que foi agredida por um homem — ainda nĂŁo identificado por causa da ausĂȘncia das imagens —, a atleta fazia um treino de corrida de 20 km no parque.

VĂ­deo. Corredora fica com olho roxo apĂłs agressĂŁo no Ibirapuera5 imagensCoredora foi agredida durante treino no Ibirapuera Maxiliar de vĂ­tima foi atingido por ombrada de homem que corriaVĂ­tima pretende formalizar denĂșncia junto Ă  polĂ­ciaImagens de cĂąmeras serĂŁo procuradas por parque apĂłs registro de BOFechar modal.VĂ­deo. Corredora fica com olho roxo apĂłs agressĂŁo no IbirapueraVĂ­deo. Corredora fica com olho roxo apĂłs agressĂŁo no Ibirapuera1 de 5

Seguidora de Noelle Pessoa enviou foto com olho roxo, após também ser ferida no Ibirapuera

Reprodução/InstragramVídeo. Corredora fica com olho roxo após agressão no Ibirapuera2 de 5

Coredora foi agredida durante treino no Ibirapuera

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Maxiliar de vĂ­tima foi atingido por ombrada de homem que corria

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VĂ­tima pretende formalizar denĂșncia junto Ă  polĂ­cia

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Imagens de cĂąmeras serĂŁo procuradas por parque apĂłs registro de BO

Reprodução/Instragram

Em decorrĂȘncia de uma inflamação, diagnosticada em 2017, ela passou a treinar no Ibirapuera, intercalando o sentido da corrida, para evitar sobrecarga no quadril — como indicado por um fisioterapeuta. ApĂłs percorrer 10km, seguindo a orientação do especialista, ela mudou o sentido do treino e percebeu que um homem — que vinha no sentido contrĂĄrio — se aproximava.

De acordo com Noelle, ela se arriscaria caso tomasse a iniciativa de desviar, porque invadiria uma pista exclusiva para ciclistas. JĂĄ o corredor poderia mudar a trajetĂłria, mas esperou atĂ© Ășltimo instante, deixando o ombro bater no maxilar da vĂ­tima, aparentemente de propĂłsito. Ela chegou a pensar que havia quebrado alguns dentes, tamanha foi a força da trombada.

Mais agressĂŁo

Noelle, após respirar um pouco, correu atrås do agressor até alcançå-lo, quando o empurrou pelas costas. O corredor a respondeu com agressividade e tentou dar um tapa no rosto da vítima. Ela conseguiu se esquivar a tempo, até que algumas pessoas apartassem a situação.

Após o ocorrido, a corredora compartilhou o caso em seu perfil no Instagram, que, até a publicação desta reportagem, contava com 45,6 mil seguidores.

“Infelizmente, eu nĂŁo fui a primeira e, pelo jeito, nem a Ășltima. Inclusive hoje [2/8] recebi um novo relato de uma seguidora, que tambĂ©m levou uma ‘ombrada’ maldosa no parque”, relatou Noelle ao MetrĂłpoles.

O compartilhamento da agressĂŁo, ainda de acordo com gerente de vendas, a fez receber dezenas de denĂșncias. No mesmo dia, segundo relatado por ela Ă  reportagem, uma seguidora lhe procurou, enviando uma foto de seu olho roxo (veja galeria acima), por causa de uma agressĂŁo sofrida no Parque do Ibirapuera, tambĂ©m durante um treino.

“Fiquei com meu olho roxo, uma semana antes do meu aniversário. Foi bem traumático. Demorei pra voltar a correr lá [Ibirapuera], e não fui mais sozinha”, afirmou a seguidora para Noelle.

ApĂłs a formalização da violĂȘncia sofrida, que serĂĄ, em breve, feita junto Ă  polĂ­cia, o agressor deverĂĄ ser procurado para responder criminalmente pelo caso.

Dados fechados sobre violĂȘncia contra mulheres, no ano passado em SĂŁo Paulo, indicam a incidĂȘncia de 357 casos diĂĄrios, considerando os 101 mil boletins de ocorrĂȘncia registrados pela PolĂ­cia Civil e contabilizados pela Secretaria da Segurança PĂșblica (SSP).

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