Acesso a Porto Walter segue limitado e população enfrenta longas viagens pelo Rio Juruá

Viagem fluvial pode durar de 6 horas a até 2 dias, dependendo do nível das águas e do tipo de embarcação

Chegar a Porto Walter, no Vale do Juruá, continua sendo um desafio para moradores, comerciantes e visitantes. A seca do rio Juruá e o bloqueio do ramal que liga o município a Cruzeiro do Sul deixaram como única opção de transporte a viagem fluvial, que pode durar de 6 horas a até 2 dias, dependendo do nível das águas e do tipo de embarcação.

Acesso a Porto Walter segue limitado e população enfrenta longas viagens pelo rio Juruá. Foto: ContilNet

O trajeto terrestre está interditado há cerca de um ano, após decisão judicial que determinou o fechamento do ramal. Para cumprir a ordem, o governo do Estado abriu valas em pontos estratégicos, impossibilitando a passagem de veículos.

Impactos no dia a dia

Durante o Festival do Milho, o comerciante Jean Maia, de Cruzeiro do Sul, relatou as dificuldades de deslocamento. “No ano passado vim de carro e levei apenas cinco horas. De barco, além do tempo maior, os custos também aumentam”, disse. Para tentar reduzir o trajeto, alguns moradores recorrem a uma rota mista: viajam de carro até a comunidade Foz do Paraná, em Rodrigues Alves, e seguem de barco até Porto Walter. Ainda assim, a viagem continua mais demorada do que seria por estrada.

O comerciante Demétrio da Silva, gerente de um pontão no município, destacou os prejuízos no abastecimento. “No inverno, a viagem com mercadorias pode durar até um dia e meio. No verão, chega a cinco dias. Muitos alimentos perecíveis, como tomates e frango, estragam no caminho”, lamentou.

Situação judicial

Na semana passada, o deputado federal Zezinho Barbary informou que um acordo homologado pela Justiça reduziu a multa aplicada ao Estado de R$ 1 milhão para R$ 500 mil. A decisão manteve a obrigação de manter o ramal fechado até a conclusão de novos estudos de impacto ambiental e de componente indígena.

Barbary disse já ter destinado R$ 200 mil para o início do processo, mas destacou que o Estado precisará levantar cerca de R$ 1,5 milhão para concluir o levantamento. Segundo ele, articulações estão sendo feitas junto ao senador Sérgio Petecão para garantir os recursos necessários ao avanço do licenciamento.

Expectativa da população

Enquanto não há alternativa terrestre, os moradores e comerciantes de Porto Walter continuam enfrentando longas e cansativas viagens pelo rio. A expectativa é que, com os novos estudos ambientais e posterior liberação da estrada, o percurso entre Cruzeiro do Sul e Porto Walter seja reduzido para cerca de 4 horas, uma mudança que poderia transformar a realidade econômica e social do município.

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