No Dia da Amazônia, celebrado nesta quinta-feira (5), os números do desmatamento no Acre revelam uma redução importante em 2024, mas também reforçam os desafios de preservação da floresta. Dados do sistema TerraBrasilis, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apontam que o estado registrou 449 km² de áreas devastadas neste ano, o menor índice dos últimos cinco anos.
O levantamento mostra uma tendência de queda em relação aos anos anteriores. Em 2023, por exemplo, foram derrubados 601 km² de floresta. Já em 2021, o estado viveu o maior pico recente, com 889 km² de desmatamento.
Série histórica do Acre (km² desmatados):
•2018 – 444 km²
•2019 – 682 km²
•2020 – 706 km²
•2021 – 889 km²
•2022 – 840 km²
•2023 – 601 km²
•2024 – 449 km²
Mesmo com a redução, o número atual se aproxima do patamar de 2018, mostrando que o Acre ainda convive com taxas elevadas de supressão florestal. Segundo ambientalistas, os impactos acumulados da derrubada de árvores continuam refletindo na perda de biodiversidade, no aumento da vulnerabilidade climática e na vida das comunidades que dependem diretamente da floresta para sobreviver.
O Acre tem mais de 87% de seu território coberto por vegetação amazônica. A floresta é considerada um dos maiores patrimônios do estado, tanto do ponto de vista ambiental quanto cultural e econômico. Além de ser um dos principais reguladores do clima global, a Amazônia é fundamental para os ciclos de chuva que garantem a agricultura, a produção de energia e a qualidade de vida da população.
No estado, vivem centenas de comunidades tradicionais, ribeirinhos, seringueiros e povos indígenas que têm na floresta sua fonte de sustento e identidade. O avanço do desmatamento ameaça não apenas o equilíbrio ambiental, mas também a preservação dos modos de vida desses povos.
A data e o alerta
O Dia da Amazônia foi instituído para marcar a importância da preservação da maior floresta tropical do planeta, responsável por abrigar cerca de 20% da biodiversidade conhecida do mundo. A data também serve como alerta diante da crescente pressão de atividades ilegais, como o desmatamento, a grilagem de terras e a exploração madeireira sem autorização.
Apesar da queda registrada em 2024, especialistas defendem que o desafio agora é consolidar a tendência de redução e garantir investimentos em políticas públicas que conciliem desenvolvimento econômico com conservação ambiental.
No Acre, órgãos ambientais e instituições de pesquisa destacam a necessidade de fortalecer ações de monitoramento, ampliar a fiscalização e valorizar iniciativas sustentáveis, como a bioeconomia e o manejo florestal comunitário, capazes de gerar renda sem destruir a floresta.
Em meio às comemorações do Dia da Amazônia, os dados reforçam uma mensagem clara: o Acre conseguiu reduzir o ritmo da devastação, mas ainda há um longo caminho para que a preservação da floresta seja, de fato, uma conquista permanente.

