ApĂłs silĂȘncio, TarcĂ­sio critica PEC da Blindagem: “Caminho de impunidade”

Por MetrĂłpoles 24/09/2025

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), classificou a PEC da Blindagem, aprovada na semana passada pela Cñmara dos Deputados e rejeitada nesta quarta-feira (24/9) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, como uma “desconexão com a vontade das pessoas”.

TarcĂ­sio, que nĂŁo havia se manifestado sobre a PEC publicamente, afirmou ainda que as manifestaçÔes do Ășltimo final de semana contra a proposta ocorreram porque a população percebeu que a iniciativa dos deputados estava “indo por um caminho de privilegiar” polĂ­ticos e de “impunidade”.

“Elas [as manifestaçÔes] representam o sintoma de desconexĂŁo do que estĂĄ sendo feito com a vontade das pessoas. E quando vocĂȘ se desconecta, tem protesto. E foi o que aconteceu”, disse TarcĂ­sio durante evento de entrega de moradias em Embu das Artes, na RegiĂŁo Metropolitana de SĂŁo Paulo.

Para o governador, a PEC da Blindagem representa uma distorção do sentido original da imunidade parlamentar, prevista na Constituição. O texto prevĂȘ que parlamentares sĂł podem ser investigados apĂłs aprovação do Congresso Nacional.

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“Algo que nasceu para ser um remĂ©dio para proteger o Parlamento e aquilo que a Constituição trouxe, que Ă© a imunidade formal, material do parlamentar ou a garantia que o parlamentar tem de exercer seu mandato livremente, com independĂȘncia, se transformou em outra coisa. Quando se tem a distorção e a população percebe que estĂĄ indo por um caminho de privilegiar, de impunidade, a população se revolta. VocĂȘ nĂŁo pode se desconectar daquilo que as pessoas pensam. Quando houve essa desconexĂŁo, houve protesto”, completou o governador.

Rejeição no Senado

  • As declaraçÔes crĂ­ticas de TarcĂ­sio Ă  PEC da Blindagem, aprovada pelos deputados apĂłs um acordo entre CentrĂŁo e os bolsonaristas em meio Ă s negociaçÔes do PL da Anistia, ocorrem uma semana depois de o texto passar no plenĂĄrio da CĂąmara dos Deputados.
  • Nesta quarta (24/9), a PEC foi rejeitada na ComissĂŁo de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.
  • A aliados, o governador de SĂŁo Paulo jĂĄ havia manifestado preocupação com a PEC, dizendo que ela representava um desgaste para o campo da direita, em meio ao acirramento do clima em BrasĂ­lia com a condenação de Bolsonaro no STF, a crise diplomĂĄtica com os EUA e as negociaçÔes sobre a anistia.

Defesa da anistia

Sobre as discussÔes em torno da anistia, Tarcísio voltou a defender que haja uma redução de penas para os condenados pelo 8 de janeiro, mas afirmou que o abrandamento também deveria atingir o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“O que eu peço Ă© que haja sabedoria, que se pensem nas pessoas que tiveram apenamentos desproporcionais, aquelas pessoas do 8 de janeiro. Acho que temos remĂ©dios jurĂ­dicos para resolver isso e eu sempre acreditei que o PL pode representar aquilo que a gente espera, uma paz dialogada”, disse o governador.

“Obviamente, as opiniĂ”es sĂŁo controversas. Tem gente que leva para o lado do estĂ­mulo Ă  impunidade. Eu jĂĄ penso de uma forma diferente. Acredito que o PL da anistia Ă© um caminho para a paz dialogada (
) Espero que seja feito o melhor para olhar aquelas pessoas que estĂŁo no 8 de janeiro e olhar todo mundo que teve apenamento injusto, inclusive o presidente Bolsonaro”, afirmou TarcĂ­sio.

Lula e Trump

O governador de SĂŁo Paulo tambĂ©m voltou a defender que o presidente Luiz InĂĄcio Lula da Silva (PT) e o presidente dos EUA, Donald Trump, se reĂșnam para negociar as tarifas impostas ao Brasil.

“Isso nĂŁo Ă© bom para os Estados Unidos, isso nĂŁo Ă© bom para o Brasil. EntĂŁo, o que a gente espera e que jĂĄ deveria ter acontecido? Que os lĂ­deres dessas duas naçÔes, que sĂŁo as maiores economias das AmĂ©ricas e que sĂŁo as maiores democracias do Ocidente, sentem, conversem, negociem e resolvam esse problema”, disse TarcĂ­sio.

Para o chefe do Executivo estadual, Trump “precisa negociar” com o Brasil por tambĂ©m estar sendo pressionado.

“Acho que ele precisa negociar e o Lula tambĂ©m precisa negociar. Da mesma forma que o presidente brasileiro Ă© pressionado aqui, o presidente americano Ă© pressionado lĂĄ. EntĂŁo, por isso que eu acho que em algum momento esse negĂłcio tem que se convergir. Qual Ă© o apelo? Que eles sentem, conversem e resolvam. Porque tem todo um setor produtivo que estĂĄ sendo prejudicado e que precisa de uma solução”, afirmou o governador de SĂŁo Paulo.

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