Brasil registra um caso de envenenamento a cada duas horas

Por AgĂȘncia Brasil 08/09/2025 Ă s 10:38


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Ao longo dos Ășltimos 10 anos, o Brasil contabilizou 45.511 atendimentos em emergĂȘncias da rede pĂșblica relacionados a envenenamento que precisaram de internação. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (8) pela Associação Brasileira de Medicina de EmergĂȘncia (Abramede).Brasil registra um caso de envenenamento a cada duas horasBrasil registra um caso de envenenamento a cada duas horas

O levantamento mostra que, alĂ©m de envenenamentos classificados como acidentais ou indeterminados, 3.461 pacientes internados via Sistema Único de SaĂșde (SUS) sofreram intoxicação proposital causada por terceiros.

NotĂ­cias relacionadas:

Com base na série histórica, o país registrou média de 4.551 casos de envenenamento ao ano no período entre 2009 e 2024.

“Esse Ă­ndice fica em torno de 379 registros ao mĂȘs e 12,6 ao dia. Isso significa que, a cada duas horas, uma pessoa deu entrada numa emergĂȘncia da rede pĂșblica em consequĂȘncia de ingestĂŁo de substĂąncias tĂłxicas ou que causaram reaçÔes graves dentro do perĂ­odo analisado”, alertou a Abramede, em nota.

No comunicado, a entidade reforça a relevĂąncia de mĂ©dicos emergencistas em situaçÔes crĂ­ticas, incluindo casos de envenenamento, e alerta para a facilidade de acesso a venenos, para a falta de fiscalização e de regulamentação, para a impunidade e para o uso em contextos Ă­ntimos – muitas vezes, com motivaçÔes emocionais.

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SubstĂąncias

De acordo com o levantamento, envenenamentos relacionados a drogas, medicamentos e substĂąncias biolĂłgicas nĂŁo especificadas (6.407 casos), a produtos quĂ­micos nĂŁo especificados (6.556) e a substĂąncias quĂ­micas nocivas nĂŁo especificadas (5.104) aparecem no topo da lista.

O estudo mapeou ainda as principais causas identificadas em episódios acidentais de envenenamento. Nesse recorte, envenenamentos por exposição a analgésicos e a medicamentos para aliviar dor, febre e inflamação lideram a lista, com 2.225 casos.

Na sequĂȘncia, aparecem episĂłdios envolvendo pesticidas (1.830), ĂĄlcool por causas nĂŁo determinadas (1.954) e anticonvulsivantes, sedativos e hipnĂłticos (1.941).

RegiÔes

A distribuição geogrĂĄfica mostra que o Sudeste concentra quase metade dos casos, com mais de 19 mil ocorrĂȘncias em 10 anos. O estado de SĂŁo Paulo responde, sozinho, por 10.161 registros, seguido por Minas Gerais (6.154).

O Sul aparece em segundo lugar, com 9.630 atendimentos — sendo o Paraná (3.764)) e o Rio Grande do Sul (3.278 mil) os estados mais afetados.

JĂĄ o Nordeste totalizou 7.080 casos, com destaque para a Bahia (2.274) e Pernambuco (949).

No Centro-Oeste, foram 5.161 internaçÔes por envenenamento, lideradas pelo Distrito Federal (2.206 casos) e por Goiås (1.876l).

A RegiĂŁo Norte, embora com menor peso absoluto, somou 3.980 registros no perĂ­odo, liderados pelo ParĂĄ (2.047) e por RondĂŽnia (936).

Mortes

Ao analisar as 3.461 internaçÔes por intoxicação proposital ou causada por terceiros, novamente, a maioria dos casos se concentra na Região Sudeste, com 1.513 casos ao longo do período analisado.

No entanto, as outras cinco aparecem com totais muito prĂłximos: o Sul registrou 551 ocorrĂȘncias, o Nordeste, 492 ocorrĂȘncias, o Centro-Oeste, 470 ocorrĂȘncias, e o Norte, 435 ocorrĂȘncias.

Em nĂșmeros absolutos, ocupam o topo do ranking os seguintes estados: SĂŁo Paulo (754 casos), Minas Gerais (500 casos), ParĂĄ (295 casos), ParanĂĄ (289 casos), GoiĂĄs (248 casos), Bahia (199 casos), Rio de Janeiro (162 casos) e Santa Catarina (153 casos).

No outro extremo aparecem AmapĂĄ (16 casos), Sergipe (8 casos), Alagoas (4 casos), Acre (3 casos) e Roraima (1 caso).

Perfil das vĂ­timas

Os dados trazem também informaçÔes gerais sobre o perfil das vítimas de envenenamento, seja proposital ou acidental, sendo que a maioria dos casos envolve homens (23.796 registros).

Com relação à idade das vítimas, o destaque são adultos jovens com idade entre 20 anos e 29 anos, que respondem por 7.313 registros, e crianças de 1 a 4 anos, que concentram 7.204 registros.

As faixas com menos casos sĂŁo bebĂȘs com menos de 1 ano e idosos, com idade entre 70 e 79 anos (com 1.612 registros) e com 80 anos ou mais (968).

Casos recentes

Em dezembro de 2024, trĂȘs pessoas de uma mesma famĂ­lia morreram no municĂ­pio de Torres (RS) apĂłs consumirem um bolo contaminado com arsĂȘnio. A nora da mulher que preparou o bolo foi presa acusada de ter envenenado a farinha usada no alimento.

Em janeiro de 2025, uma refeição adulterada com inseticida e oferecida durante uma ceia de RĂ©veillon na cidade de ParnaĂ­ba (PI) deixou nove pessoas intoxicadas, das quais cinco morreram em decorrĂȘncia do envenenamento – incluindo um bebĂȘ de menos de 2 anos.

Em abril, no município de Imperatriz (MA), duas crianças perderam a vida após comerem um ovo de Påscoa envenenado. A mãe das crianças também comeu o alimento e precisou ser hospitalizada.

TambĂ©m em abril, na capital do Rio Grande do Norte, um açaĂ­ entregue em domicĂ­lio resultou na morte de uma bebĂȘ de 8 meses e deixou uma mulher em estado grave. O alimento, como em diversos casos anteriores, teria sido enviado como presente para uma das vĂ­timas.

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