CĂąmara derruba voto secreto em PEC da Blindagem por falta de quĂłrum

Por AgĂȘncia Brasil 17/09/2025


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No inĂ­cio da madrugada desta quarta-feira (17), a CĂąmara dos Deputados aprovou, por insuficiĂȘncia de quĂłrum, o destaque que derrubou o voto secreto nas sessĂ”es para autorizar processos criminais contra senadores e deputados.CĂąmara derruba voto secreto em PEC da Blindagem por falta de quĂłrumCĂąmara derruba voto secreto em PEC da Blindagem por falta de quĂłrum

Foram 296 votos a favor do voto secreto, mas o mĂ­nimo necessĂĄrio para manter a regra era de 308 votos.

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Inicialmente previsto na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem, também chamada de PEC das Prerrogativas, o voto secreto acabou derrubado por falta de 12 votos para alcançar o total necessårio para mudar a Constituição.

Outros 174 parlamentares votaram a favor do destaque do Novo que exclui o termo “secreto” do texto.  

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Votos

Encaminhou a favor do voto secreto o bloco formado pelos partidos PL, União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB, Cidadania e Podemos. A oposição também se posicionou a favor do voto secreto.  

Do outro lado, encaminharam contra o voto secreto para autorizar processos penais contra senadores e deputados os partidos PT, PSOL, Rede e Novo. Os demais partidos nĂŁo se posicionaram e o governo liberou a bancada.

O líder da oposição Cabo Gilberto Silva (PL-PB) defendeu o voto secreto para os parlamentares não serem “chantageados” ao votar pela abertura ou não de processo criminal contra um colega.

“Se alguĂ©m aqui quiser apresentar o voto, Ă© sĂł chegar ali e falar: ‘Eu votei assim’. É simples. Ou, entĂŁo, ele filma na hora em que estiver votando. É simples”, disse o parlamentar.

O deputado Helder Salomão (PT-ES), por sua vez, defendeu que o parlamentar tem obrigação de mostrar o voto e que não pode “votar às escondidas”:

“O eleitor precisa do sigilo do voto, para votar com liberdade. Agora, o eleito não pode ter o direito ao sigilo do voto. Quem se elege tem que mostrar o seu posicionamento.”

A PEC

A PEC da Blindagem estabelece que deputados e senadores sĂł podem ser processados criminalmente se a CĂąmara ou o Senado autorizarem a abertura de ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF) em atĂ© 90 dias apĂłs a apresentação da denĂșncia por qualquer tipo de crime.

Casos de prisão em flagrante por crimes inafiançåveis, como homicídio e estupro, também precisam de autorização da Casa do parlamentar em até 24 horas.

Voto secreto

O texto-base da PEC da Blindagem foi aprovado em 1Âș e 2Âș turno na noite dessa terça-feira por ampla maioria, com uma votação de quebra de interstĂ­cio entre as votaçÔes para suspender o prazo regimental de cinco sessĂ”es entre votaçÔes dos turnos de uma PEC.

A proposta também concede foro especial no Supremo Tribunal Federal (STF) para presidentes de partidos com acento no Congresso Nacional.

Pelas regras atuais, apenas tem acesso ao foro por prerrogativa de função no STF o presidente da RepĂșblica, o vice-presidente, deputados, senadores, ministros de Estado, integrantes de Tribunais superiores, do Tribunal de Contas da UniĂŁo (TCU) e embaixadores.

A PEC da Blindagem ganhou força nas Ășltimas semanas no contexto do julgamento e condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e de medidas cautelares e processos contra parlamentares envolvidos no movimento golpista que pregou um golpe militar apĂłs as eleiçÔes presidenciais de 2022. 

CrĂ­ticos apontam que a medida ainda dificulta o processo contra deputados investigados por desvio de dinheiro pĂșblico via emendas parlamentares.

Do outro lado, os defensores dizem que a PEC Ă© uma proteção ao exercĂ­cio do mandato parlamentar diante supostas “perseguiçÔes polĂ­ticas” do JudiciĂĄrio. 

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