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Defesa diz que Ramagem não era ensaísta de Bolsonaro, mas “compilador”

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Defesa diz que Ramagem não era ensaísta de Bolsonaro, mas “compilador”

A defesa do ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, afirmou que o deputado federal não era “ensaísta” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas apenas um “compilador” dos pensamentos do ex-chefe do Palácio do Planalto.

Paulo Renato Garcia Cintra Pinto, advogado de Ramagem, contestou a versão da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a participação do parlamentar na elaboração do que Bolsonaro falaria em lives. Segundo o defensor, Ramagem apenas agia como “compilador”, reunindo ideias já manifestadas pelo ex-presidente.

“É muito grave dizer que Alexandre Ramagem seria ensaísta de Jair Bolsonaro. Não, não é. Quando muito ele era grande compilador oficial da República, porque o que tinha naqueles documentos era declarações públicas e reiteradas [de Bolsonaro], como naquele ‘cercadinho’ que colocavam jornalistas na frente do Palácio do Alvorada”, alegou o advogado.

A defesa também questionou a decisão da Primeira Turma de não suspender o crime de organização criminosa na ação penal contra o parlamentar — assim como os crimes de deterioração do patrimônio público e de dano qualificado.

Paulo Renato citou o caso Marielle, argumentando que o assassinato da vereadora ocorreu antes da diplomação de Chiquinho Brazão, ex-deputado federal, e que, por isso, a situação de Ramagem se enquadraria para a suspensão do delito imputado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet.

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Gustavo Moreno/STF2 de 5

O ex-diretor-geral da Abin, Alexandre Ramagem

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Alexandre Ramagem perdeu eleição no Rio de Janeiro

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Alexandre Ramagem

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

Alegações finais

De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), Ramagem auxiliou Bolsonaro na construção e no direcionamento das mensagens que passaram a ser difundidas em larga escala pelo ex-presidente a partir de 29 de julho de 2021.

Gonet insere Ramagem no mesmo contexto de Augusto Heleno, afirmando que ambos prepararam a narrativa para que Bolsonaro fizesse pronunciamentos públicos, além de comandar espionagem ilegal baseada em interesses do então presidente — Ramagem foi indiciado no inquérito da “Abin paralela”.

A PGR sustenta que as orientações de Ramagem a Bolsonaro incluíam ataques às urnas eletrônicas, controle de inquéritos policiais e descumprimento de decisões do STF. Gonet destacou que a Polícia Federal (PF) localizou fartos registros de que o deputado, à época diretor da Abin, transmitia informações sem base confiável, com o objetivo de desestabilizar instituições democráticas.

“As variadas tentativas de demonstrar fragilidades nas urnas eletrônicas e na contagem de votos foi um tema central na gestão de Alexandre Ramagem à frente da Abin, conforme admitido pelo próprio réu em juízo, com naturalidade, como se essa fosse uma atividade ordinária de inteligência”, escreveu Gonet nas alegações.

O procurador pontuou ainda que a estrutura da Abin montada por Ramagem servia para produzir desinformação contra opositores de Bolsonaro, descoberta após revelação de que a ferramenta First Mile era utilizada de forma indevida para localizar pessoas.

“Observa-se, ainda, que a gestão de Alexandre Ramagem coincidiu com o maior período de utilização da ferramenta. Somente em outubro de 2020, por exemplo, foram realizadas 30.344 (trinta mil trezentos e quarenta e quatro) pesquisas, o que corresponde a 49,9% (quarenta e nove por cento) de todas as consultas realizadas durante o uso da aplicação First Mile na Abin”, citou Gonet.

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 Confira os réus do núcleo crucial

Os réus respondem por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

Exceto Alexandre Ramagem, que só responde por três crimes, pois devido a uma decisão do STF, após pedido da Câmara dos Deputados, dois crimes foram sustados da análise. Ramagem responde por organização criminosa; tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

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