Dois terços das mulheres do Rio sofreram violĂȘncia obstĂ©trica

Por AgĂȘncia Brasil 04/09/2025 Ă s 06:36


Logo AgĂȘncia Brasil

Aproximadamente dois terços das mulheres do Rio de Janeiro ouvidas pela Pesquisa Nascer no Brasil 2 relataram ter sofrido pelo menos um tipo de violĂȘncia obstĂ©trica durante o parto. Os toques vaginais inadequados foram a forma de violĂȘncia mais frequente, sofridos por 46% das participantes. Em seguida vem os relatos de negligĂȘncia, feitos por 31%, e de abuso psicolĂłgico, por 22%.Dois terços das mulheres do Rio sofreram violĂȘncia obstĂ©tricaDois terços das mulheres do Rio sofreram violĂȘncia obstĂ©trica

Os dados fazem parte da segunda edição do maior inquĂ©rito sobre parto e nascimento do Brasil, feito pela Fundação Oswaldo Cruz. O suplemento sobre a situação do Rio de Janeiro foi divulgado nesta quarta-feira (03), com informaçÔes de 1923 mulheres, admitidas em 29 maternidades, pĂșblicas, privadas e mistas, de todas as regiĂ”es do estado entre 2021 e 2023. Os dados completos do paĂ­s serĂŁo revelados no ano que vem. 

NotĂ­cias relacionadas:

A maior parte das mulheres que foram vĂ­timas de toques inadequados contou que eles foram feitos sem explicação ou consentimento. TambĂ©m sĂŁo numerosos os relatos de exames vaginais feitos sem privacidade. JĂĄ os relatos de negligĂȘncia mais frequentes foram a longa espera por atendimento e sentimento de que estavam sendo ignoradas pela equipe do hospital. Na categoria de abuso psicolĂłgico, chama a atenção a quantidade de mulheres que foram repreendidas ou ouviram alguma bronca dos profissionais. 

“Quem Ă© que sofreu o maior nĂșmero de violĂȘncias? Mulheres que eram jovens, adolescentes e as mais velhas; mulheres que tinham baixa escolaridade e as que recebiam benefĂ­cios sociais do governo, ou seja, as mais pobres. Quanto ao financiamento do parto, Ă© maior a violĂȘncia no setor pĂșblico. TambĂ©m Ă© maior a violĂȘncia no parto vaginal, porque a mulher fica em contato com os profissionais de saĂșde por mais tempo. Inclusive, quanto mais tempo ela ficar no hospital, maior a chance de ter uma violĂȘncia obstĂ©trica” complementa a coordenadora-geral da pesquisa, Maria do Carmo Leal. 

A pesquisa tambĂ©m mostra que 53 parturientes passaram pela chamada manobra de Kristeller, quando o profissional empurra ou sobe em cima da pessoa durante o parto vaginal, para acelerar a saĂ­da do bebĂȘ. O procedimento Ă© proibido por lei estadual desde 2016 e desaconselhado pela Organização Mundial da SaĂșde e pelo MinistĂ©rio da SaĂșde, por causa dos danos que pode causar Ă  parturiente e o bebĂȘ. 

O estudo destaca que, se a prevalĂȘncia da pesquisa for projetada para todos os nascimentos ocorridos no estado em 2022, “cerca de 5,6 mil mulheres sofreram uma das formas mais graves de violĂȘncia fĂ­sica durante o parto no estado.”

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensĂŁo de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteĂșdo de qualidade gratuitamente.