O Telescópio Espacial James Webb (JWST), da Nasa, detectou em 2022 pequenos objetos muito distantes do universo avermelhados e brilhantes. Batizados como pequenos pontos vermelhos, eles intrigaram cientistas por não se encaixar nas características conhecidas de galáxias ou buracos negros.
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No entanto, um estudo realizado por astrônomos internacionais propõe que eles são um novo objeto cósmico: a estrela buraco negro, que seria um buraco negro que se alimenta tão rapidamente que brilha como uma estrela. A pesquisa foi liderada pela astrônoma Anna de Graaff, do Instituto Max Planck de Astronomia, na Alemanha, e os resultados foram publicados em 10 de setembro na revista científica Astronomy & Astrophysics.
Estudo individual revela estrela buraco negro
Com muitas teorias e poucas respostas, a estratégia da equipe de Anna foi estudar individualmente um desses pequenos pontos vermelhos, que existiram 1,8 bilhão de anos após o Big Bang. Identificada através dos recursos do JWST, a luz do objeto demora 12 bilhões de anos para chegar à Terra.
Assim que descobertos, várias teorias surgiram sobre o que realmente eram os objetos. Alguns astrônomos defendiam que se tratavam de galáxias minúsculas e densas, outros afirmavam ser buracos negros massivos em crescimento.
Foi justamente na luminosidade dele que os cientistas observaram um ponto intrigante: havia um aumento muito grande no brilho, fenômeno conhecido como quebra de Balmer. Mesmo sendo comum em outros objetos, esse tipo de nitidez não era semelhante a galáxias comuns e nem buracos negros conhecidos.

Segundo Anna, para ter um brilho tão forte, o objeto precisaria de uma fonte energética muito grande e a quebra de Balmer se origina justamente do gás do hidrogênio denso a uma temperatura específica. Juntando as duas pistas, os pesquisadores teorizaram que se tratava de um novo objeto cósmico: a estrela buraco negro.
“Ainda não temos certeza de como eles evoluem para a população de buracos negros que vemos hoje”, observou de Graaff em entrevista ao portal Live Science. “Como o número de pequenos pontos vermelhos diminui em tempos cósmicos posteriores, deve ser uma fase de curta duração.”
A astrônoma explica que quando buracos negros devoram matéria muito rapidamente, o gás ao redor aquece e brilha tanto que emite luz — de longe, parece uma estrela.
Caso a teoria esteja correta, os pontos vermelhos podem explicar como buracos negros supermassivos surgiram tão rapidamente no universo primitivo, um mistério ainda a ser desvendado pela comunidade científica.
Agora, os astrônomos envolvidos no estudo recente pretendem analisar mais pontos vermelhos para confirmar a teoria.
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