O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou a liberação de emendas parlamentares durante o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF), com destaque para a semana das condenações. Desde o início da análise do caso, o Executivo já liberou R$ 3,2 bilhões, em um movimento interpretado como forma de fortalecer o Planalto e garantir apoio do Centrão contra a proposta de anistia a condenados por tentativa de golpe de Estado.

a concentração em emendas individuais reflete uma estratégia do Executivo para fortalecer alianças com deputados e senadores/ Foto: Reprodução
O volume mais expressivo ocorreu na última terça-feira (9/9), quando o STF retomou o julgamento para o voto dos ministros. Na ocasião, foram pagos R$ 2,3 bilhões, a maior liberação diária de emendas parlamentares em 2025 até o momento, segundo dados da Transparência apurados pelo Metrópoles. O valor representa o 9º maior desembolso em um único dia na série histórica, desconsiderando a inflação.
Para efeito de comparação, o recorde histórico foi registrado em 13 de dezembro do ano passado, quando o governo liberou R$ 5,8 bilhões em um único dia. Analistas políticos destacam que a estratégia de irrigar as bases parlamentares visa criar um ambiente favorável para barrar a tramitação do projeto de anistia no Congresso.
Do total de R$ 3,2 bilhões pagos nas duas semanas de julgamento, R$ 2,9 bilhões (91,3%) correspondem a emendas individuais, que oferecem retorno político direto aos parlamentares. O restante se divide entre emendas de bancadas estaduais (R$ 142 milhões), comissões temáticas (R$ 80,8 milhões) e do relator do Orçamento (R$ 60,2 milhões).
Especialistas apontam que a concentração em emendas individuais reflete uma estratégia do Executivo para fortalecer alianças com deputados e senadores, oferecendo recursos que podem ser visíveis e diretamente ligados à atuação parlamentar. Esse tipo de despesa tende a gerar engajamento eleitoral e apoio político imediato.
