Hollow Knight: Silksong é lindo, mas tropeça na acessibilidade

Análise crítica aponta poucos recursos para PCD e decisões que dificultam a experiência


Depois de 7 anos de espera, Hollow Knight: Silksong chegou entregando direção de arte primorosa, combate mais rápido com a Hornet e novos sistemas (Partes da Agulha e crafting). Mas quando o assunto é acessibilidade, o brilho apaga: faltam opções básicas que tornem o jogo mais inclusivo para pessoas com deficiência (PCD), sobretudo quem tem baixa visão, limitações motoras ou sensibilidade a movimento.

Reprodução


Pontos positivos (poucos, mas importantes)

  • HUD com ajuste de tamanho: ajuda a enxergar vida/recursos.

  • Vibração e tremor de câmera desativáveis: útil para quem tem enjoo de movimento ou sensibilidade tátil.

  • Tipografia dos menus legível: textos dos menus são grandes e claros.


Onde Silksong decepciona na acessibilidade

1) Interface e leitura de cenário

  • Sem alto contraste e sem filtros daltônicos.

  • Paletas próximas entre inimigos e armadilhas confundem a leitura (especialmente para baixa visão).

  • Ausência de opções de cor/contorno para elementos críticos.

2) Controles e ergonomia

  • Remapeamento básico apenas; faltam:

    • Alternar “segurar x pressionar repetido” (anti–button mashing).

    • Presets para uma mão ou perfis ergonômicos.

    • Ajuste de deadzone dos analógicos.

Esses recursos não “facilitam” o jogo; permitem jogar.

3) Dificuldade e barreiras sistêmicas

  • Sem níveis de dificuldade ou modificadores acessíveis.

  • Fast travel, bússola e marcadores de mapa existem, mas ficam presos a desbloqueios pagos com moeda do jogo — ou seja, funções que poderiam ser opções de acessibilidade viram “upgrades”.

  • Em metroidvanias recentes (Dead Cells, Prince of Persia: The Lost Crown), há ajustes finos (dano recebido, velocidade de jogo, assistência de plataforma) sem trair a proposta. Aqui, não.


Checklist rápido — o que faz falta

  • Alto contraste / filtros daltônicos

  • Contornos/realce em inimigos, traps e objetos-chave

  • Legendas configuráveis (tamanho, fundo, indicação de áudio)

  • Presets de controle (uma mão) + anti–mashing + deadzone

  • Modos/ajustes de dificuldade e assistência (p. ex., reduzir dano, manter progresso de mapa ao morrer, janela de parry maior)

  • Opções de navegação acessível no mapa (marcadores livres, orientação extra desde o início)


Veredito

Silksong é um metroidvania belíssimo e desafiador, mas ignora premissas básicas de acessibilidade. Para quem é PCD, a combinação de poucas opções, leitura visual confusa e ausência de assistências faz o jogo não recomendado. Em 2025, com orçamento, tempo e referências de mercado, inclusão não deveria ser um “upgrade” — é requisito.

Nota de Acessibilidade (PCD): ★★☆☆☆ (2/5) — visual polido, mas opções insuficientes.


Serviço

  • Plataforma analisada: PC (Microsoft Store)

  • Observação: chave cedida pela Nuuvem (conforme o texto-base).

Fonte:  TecMundo
Redigido por ContilNet

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