Kacey Musgraves, finalmente, estreou no Brasil. A estrela do country se apresentou neste domingo (28/9) na Audio, em São Paulo, com a casa lotada, cumprindo todas as expectativas. Cantando para valer e com sua simpatia natural, a artista conquistou os corações dos fãs com uma performance ao mesmo tempo arrebatadora e singela de seus hits.
A cantora havia se apresentado na véspera no Jaguariúna Rodeo Festival e dividiu opiniões, inclusive as da própria. Apesar da estrutura grandiosa, Kacey se sentiu mais livre no show solo em São Paulo, que contou com a presença de mais de 3 mil espectadores que conheciam todas as letras de suas músicas.
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Com uma estrutura bonita e simples, que emula uma floresta, a cantora reuniu bons músicos e apostou no som como seu maior trunfo. Kacey não é boa dançarina, mas ainda assim entrega números carismáticos e verdadeiros. Ao longo de todo o show, não usou um mísero playback. Musgraves segurou um show de mais de 2 horas apenas no gogó, o que é digno de nota nos dias atuais.
O show começou com a energética “Cardinal”, que abre seu disco “Deeper Well”, um dos melhores de 2024. A partir daí, Kacey empilhou hits de seus álbuns anteriores, todos com um tom divertido e bem executado, como as ótimas “Justified”, “Butterflies” e “Golden Hour”, sempre um dos pontos altos de seus shows.
No começo da apresentação, Musgraves conversou muito com sua banda no palco e com a equipe técnica, que cometeu alguns deslizes. Ficou claro como a cantora country é exigente com seu staff e parecia muito insatisfeita com os erros. Depois que tudo se ajeitou, ela dominou a casa de shows.
Conversando frequentemente com a plateia, Kacey se mostrou uma rabugenta divertida. Tudo com uma naturalidade palpável. A cantora abriu o coração sobre a vontade de visitar o Brasil, que quase ocorreu no Lollapalooza de 2020, não fosse a pandemia de Covid-19, e sobre alguns momentos-chave de sua carreira, como o Grammy de Álbum do Ano de 2019 e o boicote que sofreu no começo da trajetória.
Musgraves sempre foi uma artista de vanguarda. Ainda no primeiro álbum, ela bateu de frente com toda a indústria country ao propor uma canção com referência à comunidade LGBTQ+, na icônica “Follow Your Arrow”. As críticas ao conservadorismo e ao povo estadunidense também marcaram presença no show. “Queria que os brasileiros votassem nos EUA, só uma ideia”, brincou.
Kacey ficou tão à vontade com o público brasileiro que, em determinado momento, o show virou um grande show de buteco. Os fãs começaram a pedir músicas que a artista não performava há anos, como “Cherry Blossom” e “Fine”, que não era tocada ao vivo desde 2018.
O bloco final do show ficou mais energético, com músicas dançantes e com mais pegada pop, como “Jade Green”, “High Horse” e “Neon Moon”, cover de Brooks & Dunn. O encerramento foi com a linda “Deeper Well” e o bis terminou com “Love is a Wild Thing”.
Após quase duas horas e meia de show, Kacey provou sua fama de artista singular na indústria. Surgiu no country e sempre mostrou suas credenciais pop, folk e até indie. Uma cantora difícil de definir, que foi além dos rótulos e certeira no que quis desde o começo da carreira. Quem vos escreve aguarda ansiosamente a volta de Musgraves ao nosso país.
Nota: 10

