Completa-se nesta terça-feira (9) um ano desde o crime que vitimou a acreana Juliana Valdevino da Silva, de apenas 18 anos na época, em Paranatinga, no Mato Grosso. O feminicídio cometido pelo ex-namorado, Djavanderson de Oliveira de Araújo, ainda não foi julgado, o que aumenta a dor da família e a sensação de impunidade.
Mesmo vivendo entre lembranças e saudade, a mãe afirma que continuará cobrando respostas/ Foto: Reprodução
Em entrevista ao ContilNet, a mãe da jovem, Rosicléia Magalhães, falou sobre o vazio deixado pela filha e a angústia em meio à espera por justiça. “Nos reunimos em família, tentamos sorrir, mas falta alguém naquele meio. A Juliana era quem animava, quem trazia alegria. Eu sorrio, mas por dentro meu coração está sangrando”, disse.
O julgamento do principal suspeito estava marcado para julho deste ano em Paranatinga, mas foi suspenso após a defesa pedir transferência do júri popular para Cuiabá. A solicitação foi aceita sob a justificativa de que a comoção social na cidade poderia comprometer a imparcialidade dos jurados. Até agora, não há nova data definida. Para Rosicléia, a demora é revoltante.
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“Como ser um acusado de um crime grave pode ter direito de escolher? Ele comete um crime grave, deixa a família toda desestruturada, ainda tem o direito de escolher. Ele deve ser julgado pela comarca de Paranatinga, onde ele cometeu o crime e ponto final. Ele não tem o direito de escolher nada. E a justiça está permitindo que o preso tenha esse direito. Isso revolta. Revolta porque a pessoa cometeu um crime, a pessoa destruiu a família, a pessoa destruiu o meu mundo e ainda quer ter direito. E a justiça está permitindo isso. A justiça já está sendo falha com essa situação, desabafou.
Segundo a investigação, no dia do crime, Juliana foi atraída pelo ex-namorado até a casa dele/ Foto: Reprodução
A mãe da vítima também afirmou que não recebe informações concretas sobre o andamento do processo.
“Eu falei com a advogada essa semana, ela disse os autos não mandaram dizer nada, não comunicaram nada, tá na mesma, isso causa aflição na gente, porque você sabe que a justiça é falha e a justiça pode colocá-los na rua sem o julgamento. Então é buscar por justiça, movimentar pra ver se a justiça de Paranatinga tome a decisão de julgar ou entregar a outra comarca”, contou.
Dor da perda
Segundo a investigação, Juliana foi atraída pelo ex-namorado até a casa dele, no bairro Jardim Ipê, no dia 9 de setembro de 2024. Antes, Djavanderson teria comprado álcool em um posto de combustível. Ele ateou fogo na jovem, que resistiu por 15 dias internada em Cuiabá, mas não sobreviveu às graves queimaduras.
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Mesmo vivendo entre lembranças e saudade, a mãe afirma que continuará cobrando respostas. Para Rosicléia, o luto se mistura à luta diária de busca por justiça por sua filha.
“Eu quero apenas justiça. Ele deve ser julgado em Paranatinga, onde cometeu o crime, e condenado pelo que fez. Não dá para aceitar que um feminicídio tão cruel fique sem punição. A gente tenta seguir, mas a dor é constante. Tento passar força para meus filhos e netos, mas a verdade é que minha vida nunca mais será a mesma. A Justiça é a única forma de aliviar um pouco desse sofrimento”, concluiu.
