Maioria das emendas pagas por Lula em 2025 foi de anos anteriores

Por MetrĂłpoles 01/09/2025 Ă s 00:36

A maioria das emendas pagas pelo governo do presidente Luiz InĂĄcio Lula da Silva (PT) em 2025 corresponde a transferĂȘncias relacionadas com anos anteriores. O dado, obtido atravĂ©s de levantamento do MetrĂłpoles com dados do Siga Brasil, ilustra a pressĂŁo que o Executivo tem sofrido para dar vazĂŁo Ă  verba de deputados e senadores que ficou esquecida nos cofres da mĂĄquina pĂșblica.

Ao todo, o governo pagou R$ 16,3 bilhĂ”es em emendas parlamentares em 2025. Desse total, apenas R$ 6,8 bilhĂ”es (42,3%) corresponde a transferĂȘncias previstas no Orçamento deste ano. O restante, R$ 9,4 bilhĂ”es (57,7%), Ă© referente a rubricas definidas por congressistas de 2024 para trĂĄs.

LĂ­deres partidĂĄrios da esquerda Ă  direita tĂȘm reclamado pelos corredores do Congresso que constantemente precisam bater Ă  porta de ministĂ©rios com pires em mĂŁos, cobrando o pagamento de emendas de anos anteriores que nĂŁo foram desembolsadas pelo governo. E afirmam que vĂȘm perdendo as esperanças sobre a execução das rubricas previstas para este ano.

Leia também

O temor Ă© que suas bases eleitorais fiquem desabastecidas num ano prĂ©-eleitoral, o que atrasaria a execução de obras nos estados. O financiamento de equipamentos e açÔes pĂșblicas em prefeituras aliadas Ă© uma ferramenta valiosa, sobretudo para os parlamentares do CentrĂŁo, na busca pela reeleição.

Nesse sentido, lideranças partidĂĄrias tĂȘm destacado que o Congresso nĂŁo tem conseguido executar sua verba. Nesse sentido, chama a atenção que R$ 7,8 bilhĂ”es (47,89%) das emendas pagas este ano representam rubricas de 2023 e 2024, os dois primeiros anos do governo Lula 3.

Seca de emendas colaborou para derrota de Lula

A insatisfação com o ritmo de pagamento de emendas pelo governo federal foi citado pelo CentrĂŁo como um dos motivos que levou parlamentares do grupo a se aliarem Ă  oposição na reviravolta da ComissĂŁo Parlamentar Mista de InquĂ©rito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O Planalto foi pego de surpresa quando bolsonaristas conseguiram emplacar o senador Carlos Viana (Podemos-MG) na presidĂȘncia do colegiado.

A avaliação de integrantes da oposição, que articularam pela eleição dos dois nomes da oposição, Ă© que a eleição de Viana Ă  presidĂȘncia e do deputado Alfredo Gaspar (UniĂŁo-AL) serviu como demonstração de força da direita, que estava fragilizada depois da ocupação dos plenĂĄrios em protesto pela prisĂŁo domiciliar de Bolsonaro, mas tambĂ©m dos prĂłprios parlamentares diante do governo.

Apesar disso, o Planalto arrochou a torneira de liberação de emendas apĂłs sofrer o nocaute. O governo federal segurou o ritmo de pagamento dos recursos parlamentares na quarta-feira (20/8), dia da abertura do colegiado, e na Ășltima quinta-feira (22/8), dia seguinte Ă  surpresa na votação da presidĂȘncia e relatoria do ĂłrgĂŁo.

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensĂŁo de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteĂșdo de qualidade gratuitamente.