Uma força-tarefa entre a Polícia Civil do Acre (PCAC) e o Instituto de Administração Penitenciária (Iapen) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (24), a Operação Sentinela, com o objetivo de combater o tráfico de drogas e impedir a entrada de materiais ilícitos no sistema prisional.
A ação ocorreu de forma simultânea em Rio Branco, Bujari e no Complexo Penitenciário Francisco de Oliveira Conde (FOC), a maior unidade prisional do estado.
De acordo com o diretor-presidente do Iapen, Marcos Frank, a investigação teve início em junho, quando três funcionários terceirizados da cozinha do presídio foram flagrados tentando entrar com drogas.
“Desde o primeiro momento, desde a primeira prisão em flagrante, esclarece que foram flagrados funcionários da cozinha em que se identificou naquele momento que eles tentariam fazer essa entrada no interior do complexo portando uma certa quantidade de maconha. Comunicamos o fato à Polícia Civil, que liderou essa investigação e identificou o grupo criminoso responsável por esse transporte”, disse.
A partir do caso, as rondas e o monitoramento ao redor das unidades foram intensificados, o que permitiu apreensões sucessivas.
“Se identificou que o mesmo grupo criminoso deixava esse material próximo do presídio para que fosse arremessado para o interior da unidade. Com a intensificação das rondas ao redor das unidades penitenciárias, culminamos com a apreensão de aproximadamente, posso dizer, de 100 quilos de maconha e uma quantidade muito maior de tabaco”, afirmou Frank.
Durante a operação desta quinta-feira, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva, um dentro do próprio presídio e outro em endereço externo, além de sete mandados de busca e apreensão. As equipes, formadas por cerca de 50 agentes entre policiais civis e penais, realizaram revistas nos blocos D e E e na cozinha da unidade. Foram encontrados entorpecentes, celulares, cartões de memória e anotações que indicam movimentações ligadas ao tráfico.
“Até o presente momento, foi feita a apreensão de uma certa quantidade de maconha, telefones celulares e algumas anotações que foi feita a imediata apreensão por policiais civis e que vai trazer maiores evidências a respeito da prática criminosa”, detalhou o diretor do Iapen.
Segundo as autoridades, não há indícios de participação de servidores do Iapen no esquema.
“Desde os primeiros dias, desde a primeira prisão em flagrante, não ficou de nenhuma forma evidenciada a participação de qualquer servidor policial penal ou servidor administrativo do Iapen no que diz respeito ao cometimento de tais crimes. Desde o primeiro momento foi rechaçada a participação de servidores e de policiais na investida criminosa”, reforçou Frank.
O delegado Saulo Macedo, da Delegacia de Repressão ao Narcotráfico (Denarc), destacou que a droga era destinada ao consumo e à comercialização interna entre os detentos, com pagamentos feitos por pessoas externas via Pix.
“Essa operação é um passo importante na nossa estratégia de enfrentamento ao crime organizado que atua dentro dos presídios. Vamos continuar firmes nesse trabalho”, afirmou.
A ação contou também com apoio da Delegacia de Combate ao Crime Organizado (Deic), do Grupo Especial de Fronteira (Gefron) e do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer). Durante a revista no bloco E, houve resistência de detentos, mas a situação foi controlada com intervenção do Grupo de Operações Penitenciárias Especiais (Gope) e da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core).
Com as apreensões de celulares, a expectativa é de que novos elementos reforcem o inquérito.
“Com a apreensão dos telefones celulares, cremos que vai ficar cada vez mais evidente que ali era praticado tráfico de drogas”, concluiu Frank.
A Operação Sentinela segue em andamento, e novas ações não estão descartadas, conforme o avanço das investigações.
