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Marina não descarta deixar a Rede e diz que conversa com lideranças de outros partidos

Por Everton Damasceno, ContilNet

A ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Marina Silva, concedeu uma entrevista exclusiva à revista Veja nesta semana. Na ocasião, a acreana falou sobre diversos assuntos, como a possibilidade de deixar a Rede Sustentabilidade – partido criado por ela –, sua atuação à frente do ministério e as perspectivas eleitorais.

Marina disse que a possível saída da Rede está sendo considerada e avaliou que as discordâncias internas se agravaram dentro do partido.

Marina Silva/Foto: Reprodução

“Essa é uma decisão que, se vier, será tomada no tempo certo. Neste momento, estou focada na reeleição do presidente Lula e em ajudar São Paulo a ter a melhor alternativa possível. Fundei a Rede para ser uma sigla diferente, com estatuto inovador, sem presidente. Infelizmente, as discordâncias internas se agravaram e chegaram à Justiça”, afirmou a ministra.

A acreana também falou sobre os desentendimentos com sua colega de partido e atual presidente da sigla, Heloísa Helena:

“Eles começaram lá atrás, em 2018, quando fui contra a fusão com o Cidadania, que acabou não saindo. As diferenças de visão entre nós ficaram bem evidentes ali. Agora, é preciso deixar claro: não encaro questões dessa natureza como algo pessoal”.

Marina foi questionada pela Veja se houve algum convite para fazer parte do PSB:

“O prefeito de Recife, João Campos, me fez uma visita quando foi eleito presidente do partido, há três meses. Era um gesto de amizade, pelo fato de eu ter sido vice do pai dele, em 2014. Nesse encontro, alguém perguntou como andavam as coisas na Rede e respondi que estávamos trabalhando para superar as divergências. “Confesso que não estou torcendo para isso”, falou um dos presentes. E parou aí. Não houve convite formal”.

Mesmo assim, a ministra disse que tem conversado com várias lideranças.

“Posso dizer que tenho conversado com várias lideranças. Estive com Edinho Silva, presidente do PT, e com o vice-presidente Geraldo Alckmin, especialmente para pensarmos a situação em São Paulo. Todos os quadros com relevância no âmbito da frente ampla que formamos têm de se pôr à disposição para contribuir com o processo eleitoral de 2026. Iremos discutir qual é a melhor ajuda que cada um pode dar”, afirmou.

Uma das preferidas nas pesquisas para o Senado por São Paulo em 2026, Marina falou sobre a possibilidade de disputar uma das vagas.

“Por enquanto, minha prioridade é ajudar o ministro Fernando Haddad. Ele tem dito que não quer ser candidato, mas torço para que concorra ao Senado ou ao governo. Sei das responsabilidades que temos em São Paulo: o atual ocupante do Palácio dos Bandeirantes, Tarcísio de Freitas, defende ideias como a anistia para os condenados pelo Supremo na trama golpista e indulto para Jair Bolsonaro. É inaceitável”, acrescentou.

Marina diz que não pensa em sair do Ministério do Meio Ambiente, como já fez na gestão anterior de Lula:

“Não encaro a política como um jogo de xadrez, mas como um serviço à população. Naquele momento, a decisão foi sair. Agora, é ficar”.

Por fim, a acreana reafirmou que não tem interesse em disputar novamente a cadeira de presidente da República.

“Não mais. Na primeira vez que concorri, tive 19,6 milhões de votos. Na segunda, 21 milhões. Na terceira, 1 milhão. Entendo que coloquei a pauta ambiental na mesa. Já dei a minha contribuição”, finalizou.

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