Apesar da alta frequência com que vêm ocorrendo, as chuvas registradas em Rio Branco nos primeiros dias de setembro não significam a antecipação do período de inverno amazônico, que pode ser observado, comumente, nos dois últimos meses do ano.
A avaliação é do coordenador da Defesa Civil do Acre, tenente-coronel Cláudio Falcão. Segundo ele, a ausência dos fenômenos El Niño e La Niña — chamada de neutralidade — é o fator responsável pelas precipitações na capital e em outras regiões da bacia do Rio Acre.
Apesar da melhora na umidade relativa do ar e de temperaturas mais amenas, a estiagem ainda persiste/ Foto: ContilNet
“Não é o inverno que está chegando mais cedo. Nós iniciamos setembro com algumas chuvas boas, mas isso acontece pela neutralidade de fenômenos. Hoje não temos influência nem de La Niña e nem de El Niño. É como se tivéssemos voltado aos tempos antigos, quando as chuvas apareciam de forma isolada nesta época do ano”, explicou o coronel em entrevista ao ContilNet.
Apesar da melhora na umidade relativa do ar e de temperaturas mais amenas, a estiagem ainda persiste. Falcão destaca que vários igarapés seguem secos e comunidades continuam pedindo apoio para acesso à água potável. “Hoje mesmo vamos visitar alguns igarapés que estão totalmente sem água. Eles secaram, ficaram apenas folhas no fundo. Então, mesmo com as chuvas, nada mudou em relação à seca”, relatou.
Os registros do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mostram que os meses de julho e agosto foram muito abaixo da média histórica. Em agosto, por exemplo, choveu apenas 12 milímetros, quando o esperado seria 46,5 mm.
“E desses 12, quase 10 milímetros foram no último dia do mês. Caso contrário, agosto teria fechado com apenas 3 milímetros. Isso agrava ainda mais a seca que enfrentamos agora”, completou o coordenador.
No caso do Rio Acre, que em setembro de 2024 atingiu a menor cota histórica, com 1,23 metro, os impactos ainda são visíveis. De acordo com Falcão, mesmo com as precipitações, o nível segue em queda. “As chuvas ajudam momentaneamente, mas não mudam o quadro de estiagem”, alertou.
O tenente-coronel reforçou que a expectativa para o restante do mês é de chuvas pontuais, mas insuficientes para atingir a média de 92 mm prevista para setembro.
“Pode até chover um pouco mais que nos meses anteriores, mas dificilmente chegaremos ao esperado. Isso significa que, mesmo não alcançando a menor marca histórica, a situação continua preocupante”, finalizou.
