Os “trunfos” do vice de Tarcísio para se cacifar como sucessor

Por MetrĂłpoles 13/09/2025 Ă s 00:36

O vice-governador de SĂŁo Paulo, FelĂ­cio Ramuth (PSD), tem sido citado por aliados como um dos nomes que pode concorrer ao governo paulista, caso o governador TarcĂ­sio de Freitas (Republicanos) decida disputar a PresidĂȘncia.

Caso Tarcísio entre na disputa nacional, terå de deixar o cargo em abril e Ramuth herdarå a cadeira de chefe do Executivo estadual até dezembro de 2026 e poderå disputar a reeleição no exercício do cargo, a exemplo do que ocorreu com Mårcio França (PSB) em 2018 e Rodrigo Garcia (sem partido) em 2022.

Este cenĂĄrio com a “mĂĄquina na mĂŁo” Ă© um dos principais trunfos de FelĂ­cio citado por aliados. Prefeito por dois mandatos de SĂŁo JosĂ© dos Campos, no interior paulista, o vice-governador Ă© visto como alguĂ©m que sabe “jogar o jogo dos prefeitos”, o que poderia pavimentar uma base de apoio para sua campanha.

A expectativa Ă© de que o vice-governador libere recursos que TarcĂ­sio nĂŁo tem liberado, o que tem frustrado alguns prefeitos, que reclamam nos bastidores da falta de repasses. FelĂ­cio, inclusive, costuma receber prefeitos para intermediar a liberação de verbas aos municĂ­pios. A orientação de TarcĂ­sio Ă© de que cada prefeito apresente trĂȘs projetos prioritĂĄrios para o governo auxiliar no custeio.

Além disso, o PSD, partido de Ramuth, elegeu 206 prefeituras em São Paulo no ano passado, garantindo palanques importantes para as eleiçÔes de 2026.

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Outro fator que pesa a favor do vice, de acordo com aliados, é que, na cadeira de governador, Ramuth não mexeria estruturalmente no Palåcio dos Bandeirantes e tenderia a manter quadros considerados de confiança de Tarcísio em secretarias e postos estratégicos, fazendo um governo de continuidade.

Apoiando Ramuth para sua sucessão, Tarcísio, que jå pagou uma fatura com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao articular pela anistia, prometer o indulto e atacar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), também resolveria a questão com Gilberto Kassab (PSD), a outra força política que sustenta o atual governo.

Por outro lado, aliados apontam que o próprio Kassab teria interesse em ser o candidato ao governo paulista. Para se viabilizar, portanto, Felício teria que convencer o “chefe” do partido a ceder o espaço.

A interlocutores, FelĂ­cio tem falado que vai evitar movimentos muito claros para se viabilizar, adotando uma estratĂ©gia de “jogar parado”.

Outro argumento Ă© que, caso TarcĂ­sio tenha que deixar a gestĂŁo em abril, naturalmente terĂĄ que elogiar o vice publicamente, dando o sinal de que o governo seguirĂĄ em “boas mĂŁos”, o que pode ser valoroso para uma prĂ©-campanha eleitoral.

ResistĂȘncia a outros nomes

Outro fator citado no meio polĂ­tico Ă© de que FelĂ­cio tambĂ©m surfaria na resistĂȘncia que outros possĂ­veis sucessores de TarcĂ­sio tĂȘm. O prĂłprio Kassab Ă© rejeitado por 44,1% dos eleitores, segundo a pesquisa Atlas Intel divulgada nesta semana. Na lista dos mais rejeitados, o presidente nacional do PSD estĂĄ atrĂĄs apenas de Eduardo Bolsonaro (PL), que aparece com 50,2%, e Erika Hilton (PSol), que tem 47,8%.

O prefeito de SĂŁo Paulo, Ricardo Nunes (MDB), tambĂ©m Ă© citado como um nome forte para suceder TarcĂ­sio. Ainda com “recall” das eleiçÔes municipais, Nunes perde pontos pelo temor gerado pelo vice-prefeito, coronel Mello AraĂșjo (PL), como prefeito. Sem experiĂȘncia em cargos polĂ­ticos, Mello AraĂșjo assumir a Prefeitura de SĂŁo Paulo gera “arrepios” em muita gente no mundo polĂ­tico.

Nunes, porém, é representante do MDB, o que pode ser considerado seu grande trunfo em uma composição partidåria importante para viabilizar candidaturas em 2026. Além disso, na leitura de aliados, Tarcísio teria que obter uma ampla vantagem sobre Lula em São Paulo para ter chances de vencer a eleição, dado sua pouca entrada no eleitorado do Norte e Nordeste. Neste sentido, com Nunes candidato ao governo paulista, Tarcísio teria também, de forma indireta, a måquina da prefeitura da capital a seu favor.

Outro nome que Ă© favorecido pelas alianças de partidos Ă© o presidente da Assembleia Legislativa de SĂŁo Paulo (Alesp), AndrĂ© do Prado (PL), afilhado de Valdemar Costa Neto e filiado ao partido com mais cadeiras no Congresso. Prado, no entanto, Ă© visto como pouco conhecido do pĂșblico e uma eventual candidatura teria que ser “construĂ­da do inĂ­cio”, nas palavras de um aliado.

Além disso, especula-se que Tarcísio possa migrar para o PL para disputar o Planalto, o que poderia fazer com que o PL abrisse mão da cabeça de chapa em São Paulo, dando o espaço para outra sigla da aliança.

O secretĂĄrio de Segurança PĂșblica de SĂŁo Paulo, Guilherme Derrite (PP), tambĂ©m Ă© um dos nomes citados como possĂ­vel “apadrinhado” de TarcĂ­sio para a corrida ao governo paulista. Pesam a seu favor o fato de ser integrante do UniĂŁo Progressista, grupo que cresceu de importĂąncia apĂłs virar uma “superfederação”, e ter a simpatia do bolsonarismo.

Derrite, no entanto, tem se colocado como candidato ao Senado e seu nome tem pontuado bem nas pesquisas para a vaga.

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