Brasília registrou nesta semana um marco histórico na medicina pública, o primeiro implante de Estimulação Cerebral Profunda (DBS) em uma criança feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Distrito Federal. O paciente é Heitor Sales, um adolescente de 13 anos natural de Rio Branco, no Acre, que luta contra a Distonia, um distúrbio neurológico que provoca contrações musculares involuntárias e repetitivas, afetando a coordenação motora e a postura.
Paciente acreano de 13 anos passa por primeira cirurgia de Estimulação Cerebral Profunda feita pelo SUS em Brasília. Foto: Cedida
“Estamos aqui desde o dia 19 de julho. É uma luta que já dura quatro anos e, graças a Deus, deu certo. Ele segue bem, está em observação na UTI e logo voltaremos para o Hospital da Criança para acompanhamento pós-cirúrgico, para ligar o aparelho e fazer a regulagem que vai melhorar a coordenação motora dele”, contou o pai do acreano, Helton Sales.
Segundo ele, os primeiros sintomas da doença surgiram quando Heitor tinha cerca de 7 ou 8 anos. Após um longo período de investigação, o diagnóstico da enfermidade foi confirmado no ano passado. “Agora, depois da cirurgia, o próximo passo é a regulagem do aparelho, que ajuda a organizar a coordenação motora no cérebro, permitindo que ele tenha uma vida mais próxima do normal”, explicou.
A Distonia é um distúrbio neurológico do movimento que pode ser focal, afetando apenas uma área do corpo, ou generalizada, atingindo vários grupos musculares. Apesar de não haver cura, tratamentos como medicação oral, fisioterapia, injeções de toxina botulínica e, em casos graves, a cirurgia de DBS, buscam controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
O procedimento realizado em Heitor só foi possível graças a uma equipe multidisciplinar formada por profissionais do Hospital da Criança de Brasília e do Hospital de Base de Brasília. Entre os líderes do projeto estão a neuropediatra Dra. Patricia Dumke da Silva Möller, o neurocirurgião funcional Dr. Antônio Jorge Oliveira e a neuropediatra Dra. Bruna Beyruth.
Procedimento foi o primeiro realizado pelo SUS em Brasília. Foto: Reprodução
Helton Sales, também expressou gratidão pelo apoio recebido do Governo do Acre, que possibilitou o deslocamento da família para Brasília por meio do programa Tratamento Fora do Domicílio (TFD) e ofereceu ajuda de custo para que pudessem se manter em Brasília durante o período de internação e acompanhamento médico.
