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Pacientes com dor crônica desenvolvem dependência de opioides em Rio Branco, alerta médico

Por Geovany Calegário, ContilNet

Um problema silencioso vem ganhando atenção entre as unidade de saúde de Rio Branco: pacientes com dor crônica, como os portadores de fibromialgia, estão se tornando dependentes de medicamentos à base de opioides.

Em entrevista exclusiva, o psiquiatra e vice-corregedor do Conselho Regional de Medicina do Acre (CRM-AC), Dr. Marcos Araripe, alertou para os riscos do uso contínuo desses remédios. “É uma situação de saúde pública, porque o uso indiscriminado pode levar a transtornos psiquiátricos, problemas cardíacos e renais, e até à morte”, explicou. Os quadros podem evoluir para um quadro de dependência química, configurando uma preocupação crescente de saúde pública, evidenciando a gravidade do problema e a necessidade de uma abordagem multidisciplinar.

Pacientes com dor crônica,, estão se tornando dependentes de medicamentos à base de opioides/Foto: Ilustrativa

Esses pacientes que buscam constantemente a sensação de bem-estar proporcionada pelos opioides, chegam a exigir que a medicação seja aplicada intravenosamente, alegando que outras formas como comprimidos ou injeções intramusculares não surtem efeito. Na verdade, essa preferência pela via venosa está ligada à busca pelo efeito dopaminérgico. “É um quadro de dependência, não apenas de tratamento da dor”, destacou.

A situação gera conflitos, já que esses pacientes podem acusar as equipes de saúde de negligência quando a medicação injetável é negada. No entanto, o Dr. Araripe enfatiza a autonomia médica: “O médico tem autonomia sobre diagnóstico, prognóstico e prescrição”. A decisão sobre qual tratamento aplicar cabe ao médico, que possui o conhecimento técnico e científico para avaliar a condição do paciente de forma segura.

A situação gera conflitos, pois esses pacientes podem acusar as equipes de saúde de negligência quando a medicação injetável é negada./Foto: Ilustrativa

O médico ressalta que o uso indiscriminado e a alta dosagem de opioides podem levar a graves problemas de saúde, como transtornos psiquiátricos, insuficiência cardiológica e renal, além de potencial risco de morte. A recusa em administrar o medicamento da forma solicitada pelo paciente é, na verdade, uma forma de protegê-lo de um evento grave. Por vezes, os pacientes não têm conhecimento das comorbidades ou dos riscos que a medicação pode causar, como o aumento da pressão arterial em hipertensos ou problemas renais em quem já apresenta predisposição.

Além disso, existem relatos, sem comprovação, sobre a venda ilegal desses medicamentos, o que amplia ainda mais os riscos, pois possibilita que os dependentes pratiquem automedicação.

Para enfrentar o problema, ele defende um tratamento amplo e contínuo. “Essas pessoas precisam de acompanhamento multidisciplinar: psiquiatras, especialistas em dor, reumatologistas, acupunturistas, psicólogos. E o apoio da família é fundamental para entender o que está acontecendo e ajudar no processo”, ressaltou.

Psiquiatra e vice-corregedor do Conselho Regional de Medicina do Acre (CRM-AC), Dr. Marcos Araripe/Foto: Cedida

O médico revelou que esse problema já foi discutido em reuniões do Ministério Público. Pacientes, classificados como crônicos, chegam a fazer uma “peregrinação” por diferentes unidades de saúde—como prontos-socorros, UPAs e hospitais—para conseguir a medicação. Se um serviço de saúde nega o pedido, eles se dirigem a outro, na esperança de encontrar um profissional que administre o medicamento. Esse comportamento de abuso e busca incessante por opioides representa um sério problema de saúde pública, com risco real de overdose e morte.

A entrevista com o Dr. Araripe revela que a questão vai muito além da dor crônica: “Estamos diante de uma pandemia silenciosa de dependência de opioides”, concluiu, problema que exige um olhar cuidadoso e uma abordagem humanizada, mas firme, por parte das equipes de saúde, sempre priorizando a segurança e o tratamento integral do paciente.

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