Pai de dentista morta em acidente cobra providências após condenada descumprir pena: ‘Não houve justiça’

A família também relata que não recebeu a indenização fixada pela Justiça, de 36 salários-mínimos

A dor da perda ainda é a maior ferida da família da dentista Maria Josilayne Ferreira Duarte, morta em um acidente de trânsito em 2021, em Rio Branco. Ela teve sua motocicleta atingida por um veículo dirigido por Gabrielly Lima Mourão, que foi condenada por homicídio culposo e perdeu o direito de dirigir.

Na última quarta-feira (3) o Ministério Público do Acre (MPAC) anunciou que deverá notificar Gabrielly Lima Mourão. A medida foi tomada depois de denúncias de que a jovem teria sido vista conduzindo um quadriciclo, mesmo estando com o direito de dirigir por três anos suspenso, após decisão judicial.

Condenada por morte de dentista pode ter pena agravada/ Foto: Reprodução

Em entrevista ao portal G1, o pai de Maria Josilayne, Marcelo Penteado Duarte, afirmou esperar que o Ministério Público adote as providências cabíveis contra Grabrielly após descumprimento das medidas.

“As leis que temos permitem que casos assim se repitam. Ainda assim, esperamos que haja algum tipo de punição mais severa, já que ela descumpriu as restrições impostas. Já conforta um pouco, mesmo sabendo que injustiça foi feita desde o começo”, desabafou Marcelo.

A família também relata que não recebeu a indenização fixada pela Justiça, de 36 salários-mínimos, porque a condenada alegou não ter condições financeiras. “A minha dor é pela falta dela [Josilayne], não pelo que ela [Gabrielly] está fazendo agora. Devia ter havido justiça desde o começo, mas, infelizmente, não houve”, completou o pai.

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Conforme o órgão, Gabrielly deve apresentar justificativas e pagar a multa estabelecida em sentença. Se a infração for comprovada, a conduta pode ser considerada falta grave, o que resultaria na regressão do regime aberto para o semiaberto, com uso de tornozeleira eletrônica.

O caso

O caso ocorreu em setembro de 2021, na Estrada da Floresta. A motorista, que não tinha Carteira Nacional de Habilitação (CNH), perdeu o controle do veículo e invadiu a contramão, atingindo a moto pilotada por Maria Josilayne, de 24 anos, que morreu no local. O laudo pericial apontou que o carro estava a 72,7 km/h, acima do limite da via, de 50 km/h, enquanto a motocicleta da vítima estava dentro da velocidade permitida.

Em fevereiro de 2023, Gabrielly foi condenada a três anos de prisão por homicídio culposo. A pena foi convertida em prestação de serviços à comunidade, pagamento de indenização e suspensão do direito de tirar habilitação até 2026.

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