O pastor Luiz Henrique dos Santos Ferreira, conhecido como Henrique Santini ou Profeta Santini, foi alvo da Operação Blasfêmia, deflagrada nesta quarta-feira (24/9) pela Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). Ele é suspeito de comandar um esquema que mantinha um call center religioso em Niterói (RJ) para vender promessas de curas e milagres, cobrando valores entre R$ 20 e R$ 1,5 mil.
Segundo as investigações, o grupo teria movimentado mais de R$ 3 milhões em dois anos. O pastor chegou a ser detido e liberado com uso de tornozeleira eletrônica. Outros 22 integrantes foram indiciados. A reportagem tenta contato com a defesa. À polícia, Ferreira afirmou ser alvo de perseguição religiosa.

Pastor é suspeito de manter call center que cobrava por orações em troca de cura no RJ Foto: Reprodução/Rede Social
Como funcionava o esquema
De acordo com a 76ª Delegacia de Polícia, a central contava com dezenas de atendentes contratados via anúncios online. Eles eram instruídos a se passar pelo líder religioso em conversas pelo WhatsApp, usando áudios gravados com falsas promessas de bênçãos.
Os pagamentos eram feitos principalmente por Pix, e o grupo utilizava contas de terceiros para dificultar o rastreamento. Atendentes trabalhavam sob metas semanais de arrecadação, recebendo comissão proporcional.
Durante as buscas, foram apreendidos 42 atendentes em flagrante, 52 celulares, 6 notebooks e 149 chips pré-pagos. Também houve bloqueio de contas bancárias e sequestro de bens. Na casa do pastor, os policiais encontraram R$ 32,4 mil em espécie, além de 1.800 euros, 750 libras egípcias e 90 dólares.
O que diz a investigação
O delegado Luiz Henrique Marques Pereira afirmou que a prática ultrapassava a liberdade religiosa.
“O que realmente motivava o grupo não era o atendimento religioso, mas a exploração financeira da fé, sem nenhum escrúpulo”, disse.
A Polícia Civil e o MPRJ seguem apurando para identificar novas vítimas e possíveis novos integrantes da organização criminosa.
Fonte: Polícia Civil do Rio de Janeiro / MPRJ / Estadão
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