Pesquisa revela que menos de 40% dos alunos valorizam professor

Por AgĂȘncia Brasil 09/09/2025 Ă s 13:36


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Os chamados anos finais do ensino fundamental – que compreendem o 6Âș, 7°, 8Âș e 9 Âș anos – sĂŁo considerados uma etapa escolar peculiar, que enfrenta desafios prĂłprios ao reunir os estudantes que estĂŁo na transição da infĂąncia para a adolescĂȘncia. Para subsidiar a criação da primeira polĂ­tica nacional voltada para esta etapa, foi lançada nesta terça-feira (9) uma pesquisa que ouviu mais de 2,3 milhĂ”es de estudantes em 21 mil escolas do paĂ­s. Pesquisa revela que menos de 40% dos alunos valorizam professorPesquisa revela que menos de 40% dos alunos valorizam professor

Os resultados apontam que mais da metade dos estudantes diz se sentir acolhida pela escola, mas menos de 40% dizem respeitar e valorizar o professor.   

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O estudo Ă© fruto de uma parceria do MinistĂ©rio da Educação (MEC), Conselho Nacional de SecretĂĄrios de Educação (Consed), a UniĂŁo dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e o ItaĂș Social. A pesquisa foi realizada durante a Semana da Escuta das AdolescĂȘncias nas Escolas, mobilização que engajou o equivalente a 46% das instituiçÔes de ensino que oferecem os anos finais nas redes municipais, estaduais e distrital em todo o Brasil.  

Durante o lançamento do relatĂłrio, em BrasĂ­lia, a secretĂĄria da Secretaria de Educação BĂĄsica (SEB), do MEC, Katia Schweickardt, afirmou que a escuta dos adolescentes do 6Âș ao 9Âș ano ajuda o Poder PĂșblico a entender que “todos aprendem de um jeito diferente” e que todo mundo sabe algo, baseado nas experiĂȘncias individuais. 

Katia Schweickardt explica que Ă© preciso adaptar as salas de aulas para essa realidade multisseriada, ou seja, com alunos de diferentes perfis. “Todo mundo aprende de um jeito diferente. O que a gente precisa Ă© preparar os professores, o equipamento escolar, a comunidade, todo mundo para essas especificidades.”

A secretåria do MEC destaca que este preparo passa pelo currículo escolar.  

“CurrĂ­culo, que nĂŁo Ă© sĂł um conjunto, uma lista de desejos de conteĂșdo e prĂĄticas pedagĂłgicas que a gente pĂ”e em um documento e deixa na gaveta. CurrĂ­culo, de fato, Ă© uma perspectiva de vivĂȘncia, de existĂȘncia de uma escola que Ă© significativa”, disse. 

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A representante da organização da sociedade civil Roda Educativa, a pedagoga Tereza Perez, concorda que é preciso enxergar as diferentes composiçÔes das salas de ensino, sob pena de provocar a evasão escolar e o abandono dos estudos.  

“A mĂĄquina da educação escolar busca homogeneizar as aprendizagens, por meio de um ensino Ășnico, negligenciando a heterogeneidade e a diversidade existente em todas as salas de aula. Esse fato, embora reconhecido, nĂŁo provoca mudanças significativas na forma de ensino e, muitas vezes, culpabiliza alunos que nĂŁo aprendem, usando a reprovação como o Ășnico recurso para que aprendam. Na maioria das vezes, tambĂ©m, nĂŁo atingem o seu propĂłsito de aprendizagem, gerando evasĂŁo e abandono”, destacou. 

Pesquisa 

As percepçÔes dos alunos, colhidas em questionĂĄrios e dinĂąmicas coletivas, foram dividas em dois grupos: os alunos mais novos, do 6Âș e 7Âș ano, e os mais velhos, do 8Âș e 9Âș anos. Apesar da pouca distĂąncia de idade, Ă© possĂ­vel encontrar importantes contrastes entre as respostas.   

A pesquisa buscou identificar a opiniĂŁo dos alunos sobre a escola, conteĂșdos para desenvolvimento pessoal, atividades essenciais para o futuro, formas de aprendizagem, convivĂȘncia, entre outros. De forma geral, estudantes dos 8Âș e 9Âș anos tĂȘm uma visĂŁo menos positiva sobre a escola do que aqueles de 6Âș e 7Âș anos.   

A superintendente do ItaĂș Social, PatrĂ­cia Mota Guedes, lembrou que o Brasil tem histĂłrico de dĂ©cadas sem qualquer polĂ­tica voltada Ă  educação na adolescĂȘncia e que, desde 2023, o MEC, com o projeto da Escola das AdolescĂȘncias, passou a dialogar com estudantes, gestores educacionais e diferentes setores da sociedade civil e acadĂȘmicos, alĂ©m de organismo internacionais para trabalhar em conjunto em direção a um objetivo comum. 

“Nenhum outro paĂ­s que a gente acompanha teve coragem de escutar os adolescentes como parte da polĂ­tica pĂșblica. EntĂŁo, Ă© com esse exemplo de construção de convergĂȘncias, de escuta, que o MEC conseguiu criar convergĂȘncias de diferentes territĂłrios, de diferentes setores da sociedade civil brasileira. Nesse sentido, reafirmamos nosso propĂłsito de nĂŁo deixar nunca mais os anos finais [do ensino fundamental] serem uma etapa esquecida”, defendeu. 

Acolhimento  

No quesito “acolhimento e pertencimento”, 66% dos mais jovens disseram que se sentem acolhidos pela escola – 27% veem a experiĂȘncia como parcial e 7% discordam. JĂĄ entre os mais velhos, apenas 54% sentem-se amparados, 33% se consideram “mais ou menos” acolhidos e 13% discordam.   

Na mesma temĂĄtica, 75% dos estudantes dos 6Âș e 7Âș anos afirmaram que confiam em pelo menos um adulto na escola, mas apenas 58% sentem-se verdadeiramente acolhidos por esses adultos. Entre os do 8Âș e 9Âș anos, o percentual de acolhimento cai para 45%.  

A pesquisa destaca que, em escolas com maior proporção de estudantes em situação de vulnerabilidade, 69% percebem a escola como espaço de acolhimento, contra 56% em contextos de menor vulnerabilidade.  

Socialização  

Ao investigar como os alunos se sentem em relação aos relacionamentos e Ă  socialização na escola, 65% dos estudantes dos 6Âș e 7Âș anos concordam que a escola favorece amizades e interaçÔes sociais, com 29% considerando “mais ou menos” e 6% discordando. Para os do 8Âș e 9Âș anos, 55% concordam, 35% avaliam como “mais ou menos” e 10% discordam.   

O relatĂłrio destaca ainda que oito em cada dez estudantes (84% nos 6Âș e 7Âș anos e 83% nos 8Âș e 9Âș anos) tĂȘm amigos com quem gostam de estar na escola. No entanto, o estudo alerta para os desafios na relação aluno-professor: apenas 39% dos mais novos e 26% dos mais velhos afirmam respeitar e valorizar os professores. 

A aluna da rede pĂșblica de ensino de Rio Branco, Dandara Vieira Melo, de 13 anos, que estava bastante atrasada nos estudos devido a mudanças de municĂ­pio e outras questĂ”es familiares, foi atendida no Programa Travessia, iniciativa do Fundo das NaçÔes Unidas para a InfĂąncia (Unicef) para o Brasil, juntamente com governo do Acre. 

Ao diminuir a distorção idade-sĂ©rie, a adolescente vĂȘ a escola de outra forma. “É um lugar para que eu possa aprender mais, conhecer novas culturas, novas pessoas e para fazer novas amizades”, definiu Dandara, que estava presente no lançamento da pesquisa. 

Formação  

Sobre os conteĂșdos e conhecimentos que consideram mais importante para o seu desenvolvimento, os estudantes mais novos citaram as disciplinas tradicionais (48%), seguido pela categoria corpo e socioemocional (31%) que inclui temas como esportes, bem-estar e saĂșde mental. Na sequĂȘncia aparecem as chamadas habilidades para o futuro (21%), como educação financeira e tecnologia, seguida pelo tema “direitos e sustentabilidade (13%).  

Entre os alunos do 8Âș e 9Âș anos, as disciplinas tradicionais sĂŁo apontas por 38% como muito importante para o desenvolvimento, seguida pela dimensĂŁo corpo e socioemocional (29%), habilidades para o futuro (24%) e direitos e sustentabilidade (13%). 

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