PF faz buscas em gabinetes de dez deputados estaduais do Tocantins

Por AgĂȘncia Brasil 03/09/2025


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Policiais federais realizaram buscas e apreenderam documentos nos gabinetes de ao menos dez dos 24 deputados estaduais do Tocantins nesta quarta-feira (3). Autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), a ação faz parte da segunda fase da Operação Fames-19, que a PF realizou esta manhã, na capital do estado, Palmas, e também nas cidades de Araguaína (TO), João Pessoa (PB) Imperatriz (MA) e no Distrito Federal.PF faz buscas em gabinetes de dez deputados estaduais do TocantinsPF faz buscas em gabinetes de dez deputados estaduais do Tocantins

Deflagrada pouco mais de um ano apĂłs a primeira fase da operação, que foi realizada no fim de agosto de 2024, a nova etapa da Fames-19 serve para a PF “aprofundar as investigaçÔes sobre o desvio de recursos pĂșblicos voltados ao enfrentamento da pandemia de covid-19” e reunir novos elementos sobre o possĂ­vel “uso de emendas parlamentares e o recebimento de vantagens indevidas por agentes pĂșblicos e polĂ­ticos”. A ação desta quarta resultou na determinação do afastamento do cargo, por seis meses, do governador Wanderley Barbosa.

NotĂ­cias relacionadas:

Segundo a assessoria da Assembleia Legislativa do Estado do Tocantins (Aleto), os mandados de busca e apreensĂŁo foram cumpridos nos gabinetes do presidente da Casa, deputado AmĂ©lio Cayres (Republicanos) e de outros trĂȘs parlamentares que integram a Mesa Diretora: o 1Âș vice-presidente LĂ©o Barbosa (Republicanos); o 2Âș vice-presidente Cleiton Cardoso (Republicanos) e o 1Âș secretĂĄrio da Mesa, Vilmar de Oliveira (Solidariedade).

TambĂ©m foram alvos da ação de busca e apreensĂŁo os deputados estaduais Claudia Lelis (PV), Ivory de Lira (PCdoB), Jorge Frederico (Republicanos), Nilton Franco (Republicanos), Olyntho Neto (Republicanos) e Valdemar JĂșnior (Republicanos).

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Como as investigaçÔes tramitam em segredo de justiça, no STJ, a reportagem nĂŁo obteve detalhes acerca das justificativas para a ação policial nos gabinetes parlamentares. Em nota, a assessoria da Assembleia Legislativa informou que os servidores da Casa prestaram “colaboração total e irrestrita ao STJ e Ă  PolĂ­cia Federal no cumprimento integral das determinaçÔes contidas em dez mandados de busca e apreensĂŁo, com a devida disponibilização de todos os equipamentos, documentos e informaçÔes solicitadas”.

Ainda segundo a assessoria da assembleia legislativa, nem mesmo a Procuradoria-Geral da Casa teve acesso aos autos, motivo pelo qual nĂŁo se manifestarĂĄ acerca dos motivos legais que embasaram a ordem judicial e a consequente ação policial. “AlĂ©m disso, a Assembleia nĂŁo foi intimada sobre nenhuma decisĂŁo judicial relacionada ao caso, que ainda estĂĄ em curso”.

Governador afastado

Conforme a AgĂȘncia Brasil noticiou mais cedo, o STJ determinou, no Ăąmbito da nova fase da Operação Fames-19, que o governador Wanderley Barbosa seja afastado do cargo pelos prĂłximos seis meses.

Barbosa estĂĄ Ă  frente do Poder Executivo estadual desde outubro de 2021, quando sucedeu o ex-governador Mauro Carlesse ─ que, antes de renunciar ao cargo, tambĂ©m chegou a ser afastado por determinação do STJ, por suspeitas de participação em um esquema de propinas.

 


BrasĂ­lia (DF), 02/10/2023 - Governador de Tocantins Wanderlei Barbosa. Foto: Bruno Spada/CĂąmara dos Deputados

Governador de Tocantins, Wanderlei Barbosa, na Cùmara dos Deputados Bruno Spada/Cùmara dos Deputados

Durante a primeira fase da Operação Fames-19, deflagrada em 21 de agosto de 2024, agentes federais realizaram buscas e apreensÔes em endereços ligados a Barbosa e a outros investigados. O inquérito apura suspeita de participação em um esquema que, segundo os investigadores, foi montado para fraudar a compra de cestas båsicas, entre outros itens, durante a pandemia de covid-19, entre os anos de 2020 e 2021.

De acordo com a PF, os indĂ­cios jĂĄ reunidos apontam que o governo do Tocantins pagou mais de R$ 97 milhĂ”es em contratos para fornecimento de cestas bĂĄsicas e frangos congelados, com prejuĂ­zo estimado superior a R$ 73 milhĂ”es aos cofres pĂșblicos. Os valores supostamente desviados teriam sido ocultados por meio da construção de empreendimentos de luxo, compra de gado e pagamento de despesas pessoais dos envolvidos.

Consultado pela AgĂȘncia Brasil, o governo estadual ainda nĂŁo se pronunciou sobre as suspeitas e sobre o afastamento de Barbosa. JĂĄ o polĂ­tico repetiu o argumento de que, na Ă©poca dos fatos investigados, era vice-governador [de Carlesse] e nĂŁo era responsĂĄvel por despesas relacionadas ao programa de cestas bĂĄsicas.

“É importante ressaltar que o pagamento das cestas básicas, objeto da investigação, ocorreu entre 2020 e 2021, ainda na gestão anterior, quando eu exercia o cargo de vice-governador e não era ordenador de despesas”, reafirmou Barbosa, em nota.

O governador afastado acrescentou que foi sua a determinação para que a Procuradoria-Geral do Estado e a Controladoria-Geral do Estado instaurassem auditoria sobre os contratos mencionados e encaminhassem integralmente as informaçÔes às autoridades competentes.

“AlĂ©m dessas providĂȘncias jĂĄ em curso, acionarei os meios jurĂ­dicos necessĂĄrios para reassumir o cargo de governador, comprovar a legalidade dos meus atos e enfrentar essa injustiça, assegurando a estabilidade do Estado e a continuidade dos serviços Ă  população”, concluiu Barbosa.

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