Policial penal que atirou em entregador Ă© preso e afastado no Rio

Por AgĂȘncia Brasil 01/09/2025 Ă s 09:38


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O policial penal José Rodrigo da Silva Ferrarini, preso por ter atirado no pé do entregador Valério de Souza Junior, foi afastado das funçÔes por 90 dias, conforme informou a Secretaria estadual de Administração Penitenciåria (Seap). José Rodrigo estå detido desde domingo (31), quando se entregou à polícia.Policial penal que atirou em entregador é preso e afastado no RioPolicial penal que atirou em entregador é preso e afastado no Rio

Na madrugada de såbado (30), contrariado por Valério não levar o pedido de comida até o andar onde morava, em um prédio em Jacarepaguå, na zona oeste do Rio de Janeiro, José Rodrigo disparou contra o pé do entregador. Os entregadores não são obrigados a subir com os pedidos.

NotĂ­cias relacionadas:

O crime foi filmado por ValĂ©rio e circulou nas redes sociais. O entregador precisou de atendimento mĂ©dico de urgĂȘncia no Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, e prestou queixa na 32ÂȘ Delegacia de PolĂ­cia.

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Arma recolhida

Os investigadores coletaram depoimentos, recolheram a arma do agente penal e, a partir de anĂĄlise das evidĂȘncias, pediram Ă  Justiça a prisĂŁo preventiva de JosĂ© Rodrigo.

“Ao ver o cerco se fechar e apĂłs negociação com os agentes, o autor se apresentou na Cidade da PolĂ­cia [complexo que reĂșne delegacias especializadas], onde o mandado foi cumprido”, diz nota da PolĂ­cia Civil.

Na prisão preventiva, o suspeito é detido mesmo sem condenação definitiva, com o objetivo de garantir o processo criminal, sem prazo determinado para a soltura.

Nas redes sociais, Valério manifestou agradecimento por correntes de solidariedade e pediu que pessoas parassem de hostilizar moradores do endereço, informando que o agressor morava de aluguel e deixou a moradia.

“O autor do disparo nĂŁo Ă© proprietĂĄrio do apartamento que ocupava e a proprietĂĄria, mediante o ocorrido e tambĂ©m por conta da depredação de seu imĂłvel, solicitou a entrega do mesmo, que estava sob aluguel. O autor do disparo nĂŁo reside mais no local”, escreveu.

RepĂșdio

A Secretaria estadual de Administração PenitenciĂĄria informou que o agente penal teve a prisĂŁo mantida apĂłs audiĂȘncia de custĂłdia. Ele foi levado para o presĂ­dio Constantino CokotĂłs, em NiterĂłi, no Grande Rio, unidade destinada a policiais presos.

Em nota, a secretaria informa que “repudia com veemĂȘncia a conduta abominante atribuĂ­da ao servidor”. AlĂ©m do afastamento, foi aberto um processo administrativo disciplinar contra ele.

A secretĂĄria Maria Rosa Nebel manifestou solidariedade ao entregador.

iFood

O iFood, plataforma por meio da qual ValĂ©rio fazia a entrega, afirmou que nĂŁo tolera qualquer tipo de violĂȘncia contra entregadores parceiros e lamenta muito o acontecido.

Sobre o cliente, a empresa explicou que, quando as regras sĂŁo descumpridas, sĂŁo aplicadas sançÔes que podem ir desde advertĂȘncia atĂ© o banimento da plataforma.

O iFood deixa claro que a obrigação do entregador Ă© deixar o pedido no primeiro ponto de contato, seja o portĂŁo da casa ou a portaria do prĂ©dio. “Essa Ă© a recomendação passada aos entregadores e aos consumidores”, assinala.

Ainda segundo a plataforma, no ano passado, foi lançado no Rio uma campanha para incentivar os clientes a irem até a portaria de seus condomínios para receber os pedidos, como forma de respeito aos entregadores.

“Clientes nos confundem com garçons”, reclama entregador de aplicativo.          

O iFood informou que vai disponibilizar a ValĂ©rio apoio jurĂ­dico e psicolĂłgico, oferecido em parceria com a organização de advogadas negras Black Sisters in Law, garantindo acesso Ă  justiça e assistĂȘncia emocional. “Esperamos que o caso nĂŁo fique impune e que ValĂ©rio Junior se recupere rapidamente”, finaliza a nota.

Outros casos

Em março de 2024, um caso parecido aconteceu no Rio de Janeiro. O entregador Nilton Ramon de Oliveira, então com 24 anos, foi baleado por um cliente policial militar (PM), na Vila Valqueire, também zona oeste.

Em 2023, um desentendimento terminou com o entregador Max Ângelo dos Santos atacado por uma mulher com uma coleira de cachorro, em São Conrado, bairro nobre da zona sul carioca. 

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