Primeira droga sintética à base de nitazeno é apreendida no Brasil

Investigação da PF identifica importação de nitazeno e prende responsáveis

A Polícia Federal identificou em Mogi das Cruzes, na região metropolitana de São Paulo, o primeiro laboratório no Brasil especializado na produção de drogas sintéticas à base de nitazeno, um opioide centenas de vezes mais potente que a morfina. A apreensão ocorreu nos fundos de uma residência em condomínio de alto padrão e acendeu o alerta sobre o risco de overdoses e a crescente circulação dessas substâncias.

No local, foram encontrados porções de maconha, crack, solventes químicos, máscaras de proteção, balança de precisão, maços de dinheiro e anotações detalhadas sobre a produção. Um quilo e meio de nitazeno em pó foi apreendido, além de quatro pacotes interceptados pelos Correios. O casal responsável pelo laboratório, Raphael Antônio Marino Costa, 39, e uma mulher de 33 anos, foi preso em flagrante.

Investigação da PF identifica importação de nitazeno e prende responsáveis/Foto: Reprodução

A investigação revelou que o nitazeno era importado de Hong Kong e que, em seis meses, mais de três quilos chegaram ao país, metade das apreensões registradas pela PF em 2023. Outros suspeitos também foram presos por revender a droga, e, segundo advogados, alguns traficantes ficaram viciados na substância que manipulavam. O pedido da defesa para internação em clínica de recuperação foi negado, e os acusados ainda não foram julgados.

Considerado de alto risco, o nitazeno pode causar depressão do sistema nervoso central, parada respiratória, convulsões e outros efeitos graves. Embora ainda não haja circulação em larga escala no Brasil, autoridades apontam aumento gradual da droga, frequentemente misturada a canabinoides sintéticos, o que torna seu consumo imprevisível.

Diante da tendência mundial de crescimento dessas drogas, o governo federal tem ampliado a capacidade de monitoramento e alerta de novas substâncias por meio do Sistema de Alertas Rápidos (SAR). Pesquisas toxicológicas em laboratórios e festas de grande porte ajudam a identificar novos opioides e seus efeitos, garantindo que profissionais de saúde possam atender rapidamente casos de intoxicação desconhecida.

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