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Thiago Almeida: produtores de café acreanos emocionaram italianos, em Turim

Por Thiago Almeida, ContilNet

Na última terça-feira, 24, o destino deu um toque de ousadia e um aroma amazônico à cidade de Turim, Itália. Cerca de dez agricultores familiares acreanos, vindos diretamente do coração da floresta, desembarcaram na sede da Lavazza, gigante mundial da cafeicultura. Sobre o encontro, posso dizer que a mistura de luxo europeu e a simplicidade amazônica impactou a todos.

Eles foram recebidos por Mario Cerutti, presidente da Fondazione Lavazza, ou seja, cara que manda! Os produtores não precisaram de ternos italianos nem de discursos pomposos para impressionar. Bastou o café. Sim, aquele grão cultivado em terras onde 85% do território ainda é floresta preservada. O sabor, claro, refinado. O impacto? Gigantesco! Provadores experientes, acostumados a cafés de bilionários que custam mais do que um jantar em Roma, ficaram boquiabertos com a qualidade do produto acreano.

Soltavam baixinho, porque eram mega chiques:

“Spettacolare!”

“Ma che figata!”

“Che meraviglia!”

O cenário era digno de um filme (em 8k, claro rs): de um lado, empresários italianos em salas decoradas com sofás e lustres que pareciam saídos de um museu; do outro, agricultores humildes, muitos deles morando à margem de ramais sem asfalto, guardiões da floresta amazônica e mestres na arte de cultivar café. Embora paradoxal, houve sintonia, e a Lavazza sinalizou que é possível fazer negócios.

O secretário de Agricultura do estado do Acre, Luis Tchê, que lidera a comitiva, em parceria com o Sebrae, disse aos empresários que o café acreano não só leva sabor e qualidade, mas também uma história de preservação, de luta de um povo heroico que pratica renúncias diárias para promover sustentabilidade:

“Cada grão cultivado tem sacrifício do agricultor para manter a floresta em pé”, concluiu.

A Lavazza também sinalizou que tem interesse em montar um amplo laboratório na região para ajudar em pesquisas de qualidade e melhoramento genético.

A missão tinha o objetivo claro: levar o café da região ao mercado europeu, mas acabou levando mais que isso. Passou a levar valor. Preço é diferente de valor,  café tem vários, de diferentes preços, agora café com valor… com valor do suor de quem enfrenta desafios impostos pela Amazônia, esse é o do Acre.

E assim, o café acreano deixou sua marca na Itália, provando que não é preciso vestir Prada para conquistar o mundo. Às vezes, tudo o que você precisa é de um bom café e uma pitada de autenticidade.

Por Thiago Almeida

Thiago de Almeida é economista, pós-graduado em Agronegócio e ESG (Environmental, Social, and Governance).

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