Projeto EcoAm apresenta propostas para fortalecer negócios sustentáveis e prepara Acre para a COP 30

O programa EcoAm busca fomentar marcas ligadas à bioeconomia no Acre, além de assegurar que as realidades locais estejam representadas no processo de construção da agenda rumo à COP30

O evento “Vozes que EcoAm, uma iniciativa que conecta a COP30 com as diferentes Amazônias” foi realizado nesta terça-feira (30), no Museu dos Povos Acreanos, em Rio Branco, com início às 14h. A iniciativa é promovida pelo Impact Hub Manaus, no âmbito do Programa EcoAm, e busca fomentar marcas ligadas à bioeconomia no Acre, além de assegurar que as realidades locais estejam representadas no processo de construção da agenda rumo à COP30, conferência climática que ocorrerá em 2025, em Belém (PA).

O projeto visa fomentar a bioeconomia/Foto: ContilNet

A programação contou com dois painéis principais. O primeiro, “Bioeconomia na COP30, o que o Acre tem a ver com isso”, abordou o papel do estado nos debates internacionais sobre desenvolvimento sustentável. O segundo, “Empreender com a floresta, os prazeres e os desafios de quem coloca a mão na massa”, trouxe relatos de experiências e desafios enfrentados por quem atua diretamente no setor da bioeconomia.

O encontro incluiu ainda a sessão “Do território para a COP”, que buscou aprofundar o mapeamento do ecossistema da bioeconomia acreana, destacando iniciativas, empreendimentos e práticas que conciliam geração de renda com conservação da floresta.

O secretário de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia, Assurbanipal Mesquita, destacou a relevância da iniciativa. “Muito importante para a economia no geral, ainda mais quando a gente pensa nisso ligado ao meio ambiente. Estamos no meio da Amazônia, é um ponto muito importante para o estado do Acre e é um setor que tem crescido muito, várias empresas, microempreendedores que estão tocando nesse assunto, que estão precisando de asas de auxílio, de fomento”, afirmou.

Assurbanipal estava representando o governo do estado no evento/Foto: ContilNet

Ele ressaltou que a devolutiva dos debates à sociedade será fundamental. “O quão importante está tendo um evento como esse aqui no estado do Acre e eles falam que vai ter uma devolutiva. O quão importante é eles trazerem também esse material que vai ser produzido na COP aqui para o estado. Então, é isso mesmo, a bioeconomia é uma grande perspectiva, é um grande avanço que o Acre precisa”, completou.

Para Mesquita, o Acre precisa avançar na consolidação de produtos com certificação e reconhecimento internacional. “Hoje já temos muitos empreendedores, muitas pessoas que empreendem com a bioeconomia e às vezes até nem sabem que é a bioeconomia. E temos que dar um salto. Sempre tínhamos a consciência desde pequenos, desde novos, que o Acre é o estado das maiores biodiversidades, que essa biodiversidade pode virar um impacto econômico positivo na nossa economia. O desafio agora é nós sairmos do campo de produtos artesanais ainda, produtos que estão no campo inicial, e termos agora produtos certificados, reconhecidos internacionalmente. Esse é um grande desafio que pode ser o salto de qualidade que a nossa economia, voltada para a bioeconomia, pode gerar no nosso Estado”, destacou.

O secretário também parabenizou as iniciativas locais e o esforço conjunto entre instituições. “Temos que parabenizar as organizações diversas, incluo também, com certeza, o governo do Estado do Acre, que tem trabalhado para fomentar esse apoio. E aqui, estamos recebendo o Impact Hub hoje, uma iniciativa que está vindo de um parceiro do Amazonas, incentivando esse movimento aqui no Acre. O Acre está com um ecossistema de inovação muito forte, os indicadores apontaram que cresceu 3, 4 pontos, então foi o maior crescimento da região Norte, comparando nos últimos 4, 5 anos”, disse.

Mesquita concluiu reforçando a importância do papel dos empreendedores. “Tudo isso vem fruto do esforço desses empreendedores, que estão pegando a nossa economia verde, pegando nossos produtos, nossa produção, transformando em produtos, investindo, inovando e criando soluções que precisam de apoio. Então, isso é o desafio de todas as instituições e do governo do Estado também”, afirmou.

O coordenador geral do evento, Washington Silva, explicou a estratégia da iniciativa. “O Vozes que EcoAm é uma iniciativa que está dividida em três fases. Nesse primeiro momento, nós estamos colhendo não só informações, mas também pessoas com propósito de fechar uma mensagem única e também quais são as demandas que a bioeconomia do estado do Acre tem. Nós vamos levar todo esse movimento para a COP, ali dentro nós já temos alguns espaços que o próprio Impact Hub em Manaus está empreendendo. Vamos lançar o mapeamento, vamos ter apresentação de oportunidades e também juntar com outros atores aqui da região que também estão abrindo esses espaços ali dentro da COP”, destacou.

O coordenador relata que a intenção é trazer uma devolutiva para o estado do Acre/Foto: ContilNet

Segundo Silva, o compromisso vai além do encontro em Belém. “Nosso grande propósito é, passado todo esse momento do evento em Belém, nós retornarmos aqui para o Acre e apresentar o que aconteceu, quais foram as oportunidades, quais os encaminhamentos, quais oportunidades de investimento, de parceria e de crescimento que nós temos a partir de então”, afirmou.

Ele reforçou que o evento busca definir a pauta que o Acre levará à conferência. “A grande proposta é entender quais insumos e quais recados o Acre como um todo vai levar para a COP30. O que o Acre espera da COP30 e como que essas ações podem se tornar realidades e ações práticas aqui”, explicou.

Silva acrescentou que o projeto já está em andamento desde 2024. “Nós temos um projeto acontecendo aqui no território, que já tem início em 2024, já estamos com ano e meio. O grande propósito dele é incentivar e desenvolver o ecossistema de bioeconomia aqui. E essa bioeconomia é traduzida por negócios, renda, emprego e dinheiro”, disse.

Ele também destacou os investimentos planejados. “Nossa proposta é investir em 11 negócios, um milhão e meio de investimento até o final do próprio projeto. E junto com isso abrir um centro de bioeconomia aqui também no território, que seja um espaço para traduzir. Trazer investimentos, desenvolver, dar formações para empreendedores, trabalhar com política pública, ser também uma fonte de mapeamento de dados e de informação para a imprensa e para quem buscar o Acre como um ponto de investimento e de desenvolvimento da economia como um todo”, completou.

O coordenador frisou ainda que o Acre terá representação plural na COP30. “Vamos levar delegados dessa ação aqui. Não vamos levar diretamente, mas estamos selecionando dentro. Vai ter representantes do governo, da OAB, de diferentes atores. Vamos juntar esse pessoal todo e ver que tipo de espaço e oportunidades a gente pode encontrar ali na COP, com o Acre apresentando a sua pauta nas diversas zonas, desde as zonas azuis, verdes, até mesmo os eventos paralelos que existem na COP no geral”, concluiu.

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