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Quando o ídolo morre: como a perda de artistas bagunça a rotina e a vida dos fãs

Por Redação

Em 25 de junho de 2009, o mundo parou com a notícia da morte de Michael Jackson. Na TV, o paulista Rodrigo Teaser zapeava, torcendo por um desmentido. Intérprete do Rei do Pop desde a infância — e hoje com carreira internacional —, ele precisou se maquiar e subir ao palco no dia seguinte. “Como fã, a única coisa que você quer é que seja mentira. Quando constata que é verdade, vem um vazio. Até então, eu nunca tinha perdido ninguém da família”, lembra.

Acervo pessoal/Reprodução

A psicóloga Maria Helena Franco (PUC-SP) explica que o luto não é exclusivo de perdas familiares: “Luto é uma experiência vivida quando algo importante deixa de acontecer — por morte, mudança de lugar, emprego, rotina. A dor do fã é legítima: muitas vezes, o ídolo ocupa um lugar de amigo íntimo na experiência subjetiva”.

Com Marília Mendonça, a dor também virou história coletiva. A professora Amanda da Silva acompanhava a cantora desde a fase de compositora, criou um fã-clube em 2015 e participou de encontros com a artista. O acidente aéreo de 2021 a devastou: “Vivi um luto silencioso, daqueles que doem no peito e na alma. A Marília fez parte da minha vida; perdê-la foi como perder alguém da família”.

O psicanalista Luciano Bregalanti, autor de Luto e Trauma, aponta uma tarefa central desse processo: “Lidar com impossibilidades de futuro. O projeto de ver o show, de encontrar o ídolo, de acompanhar novas fases — tudo se rompe de uma vez”. Ele lembra que esse é um luto frequentemente “pouco reconhecido” socialmente, o que intensifica o sofrimento.

O papel da comunidade

Vigílias, mutirões de homenagem, postagens sincronizadas e encontros em praças e parques ajudam a dar forma à perda e oferecem amparo. Para muitos, os fandoms funcionam como redes de apoio, especialmente quando o luto é desautorizado no círculo próximo. “Ser fã é uma prática individual, mas os rituais coletivos ajudam a organizar a dor — e a lembrança”, dizem os especialistas.

Por que dói tanto?

Como atravessar esse luto

No fim, como resume Rodrigo, “a gente nunca esquece — aprende a carregar”. O ídolo vai embora, mas o que ele significou segue organizando memórias, rotinas e encontros. É assim que a arte permanece: do lado de dentro.

Redigido por: ContilNet

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