Rim de porco bate recorde: homem continua vivo 7 meses após transplante

Transplante pioneiro mantém homem de 67 anos vivo e estável; regulador dos EUA autoriza ensaio clínico com rins suínos geneticamente modificados

Um transplante histórico de rim de porco geneticamente modificado segue dando certo: Tim Andrews, 67 anos, está vivo e sem fazer diálise aproximadamente sete meses após a cirurgia realizada em janeiro no Massachusetts General Hospital, nos EUA — o período mais longo já registrado com um órgão suíno funcionando em um humano.

Imagem colorida de transplante de rim de porco - Metrópoles

Pesquisadores avaliam que os resultados de xenotransplantes têm evoluído – wildpixel/Getty Images

Segundo os pesquisadores, os primeiros seis meses são a janela de maior risco para rejeições e complicações; superado esse marco, os resultados são vistos como especialmente animadores. Andrews foi um dos três pacientes que receberam rins da empresa de biotecnologia eGenesis sob autorização especial, e permanece estável desde então.

Antes dele, o recorde pertencia à norte-americana Towana Looney, que manteve um rim de porco funcional por quatro meses e nove dias até sofrer rejeição e precisar retirar o órgão.

O que há de novo nesses rins de porco

O órgão usado passou por três tipos de edição genética: remoção de três antígenos que disparam rejeição, adição de sete genes humanos para reduzir inflamação e problemas de coagulação, e desativação de retrovírus do genoma suíno — um pacote de alterações pensado para “humanizar” o órgão e torná-lo mais seguro.

Próximo passo: estudo maior com pacientes

Impulsionada por esses resultados, a agência reguladora dos EUA (FDA) autorizou a eGenesis a iniciar um ensaio clínico que pode incluir até 30 pacientes com 50 anos ou mais e doença renal terminal, avaliando segurança e eficácia dos rins suínos modificados.

Especialistas veem nessa linha de pesquisa a chance de encurtar filas de transplante no futuro — desde que os estudos confirmem segurança a longo prazo e que os protocolos de imunossupressão continuem evoluindo.

Kate Flock/Hospital Geral de Massachusetts

Fonte: Nature; AP/CBS Boston; TIME. Nature

Redigido por: ContilNet

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