Veja principais pontos citados pela defesa dos réus da trama golpista

Por AgĂȘncia Brasil 03/09/2025


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A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu no inĂ­cio da tarde desta quarta-feira (3) o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de mais sete rĂ©us do nĂșcleo 1 da trama golpista. O julgamento serĂĄ retomado na prĂłxima terça-feira (9) pela manhĂŁ, quando serĂŁo ouvidos os votos dos ministros. Veja principais pontos citados pela defesa dos rĂ©us da trama golpistaVeja principais pontos citados pela defesa dos rĂ©us da trama golpista

Foram destinadas oito sessÔes para anålise do caso, marcadas para os dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro.

NotĂ­cias relacionadas:

A votação que vai condenar ou absolver os réus deve começar somente nas próximas sessÔes. As penas podem passar de 30 anos de prisão.  

Na manhã de hoje, os advogados de defesa de quatro réus puderam fazer suas explanaçÔes sobre o processo. 

A defesa do general Augusto Heleno, ex-ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), procurou demonstrar que seu cliente teria se distanciado de Jair Bolsonaro, por isso nunca conversou com o ex-presidente sobre qualquer tentativa de golpe.

Os advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmaram que “nĂŁo hĂĄ uma Ășnica prova” da participação dele na trama golpista. Para o advogado Celso Vilardi, Bolsonaro foi “dragado” para os fatos investigados pela PolĂ­cia Federal e nĂŁo atentou contra o Estado DemocrĂĄtico de Direito.

O advogado do ex-ministro da Defesa Paulo SĂ©rgio Nogueira disse que seu cliente tentou demover Jair Bolsonaro de tentativas de golpe de Estado. Para Andrew Fernandes, “estĂĄ mais do que provado que o general Paulo SĂ©rgio Ă© inocente”.

Por Ășltimo, falou o advogado JosĂ© Luis Mendes de Oliveira Lima, que defende o general Walter Braga Netto. Segundo ele, seu cliente pode ser condenado a morrer na cadeia com base em uma “delação premiada mentirosa” do tenente-coronel Mauro Cid, antigo ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro. Braga Netto foi ex-ministro da Casa Civil e vice de Jair Bolsonaro na chapa que concorreu Ă  presidĂȘncia da RepĂșblica de 2022.

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Primeiro dia

No primeiro dia de julgamento, nesta terça-feira (2), o relator, ministro Alexandre de Moraes, leu o relatĂłrio da ação penal, documento que contĂ©m o resumo de todas as etapas percorridas no processo. O procurador-geral da RepĂșblica, Paulo Gonet, defendeu a condenação de Bolsonaro e dos demais acusados.

Na parte da tarde, se manifestaram as defesas de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, do ex-diretor da AgĂȘncia Brasileira de InteligĂȘncia (Abin) Alexandre Ramagem, do almirante Almir Garnier e do ex-ministro da Justiça e ex-secretĂĄrio de Segurança PĂșblica do Distrito Federal Anderson Torres. 

Quem são os réus?

  • Jair Bolsonaro – ex-presidente da RepĂșblica;
  • Alexandre Ramagem – ex-diretor da AgĂȘncia Brasileira de InteligĂȘncia (Abin);
  • Almir Garnier – ex-comandante da Marinha;
  • Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretĂĄrio de segurança do Distrito Federal;
  • Augusto Heleno – ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);
  • Paulo SĂ©rgio Nogueira – ex-ministro da Defesa;
  • Walter Braga Netto – ex-ministro de Bolsonaro e candidato Ă  vice na chapa de 2022;
  • Mauro Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

Crimes

Os réus respondem no Supremo pelos crimes de:

  • Organização criminosa armada,
  • Tentativa de abolição violenta do Estado DemocrĂĄtico de Direito,
  • Golpe de Estado,
  • Dano qualificado pela violĂȘncia e grave ameaça, 
  • Deterioração de patrimĂŽnio tombado.

A exceção Ă© o caso do ex-diretor da AgĂȘncia Brasileira de InteligĂȘncia (Abin) Abin Alexandre Ramagem, que, atualmente, Ă© deputado federal. Ele foi beneficiado com a suspensĂŁo de parte das acusaçÔes e responde somente a trĂȘs dos cinco crimes. A possibilidade de suspensĂŁo estĂĄ prevista na Constituição.


BrasĂ­lia (DF) 03/09/2025 O ministro relator Alexandre de Moraes no segundo dia de sessĂŁo do STF do julgamento dos primeiros oito rĂ©us da trama golpistaFoto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ AgĂȘncia Brasil

O ministro relator Alexandre de Moraes no segundo dia de sessĂŁo do STF do julgamento dos primeiros oito rĂ©us da trama golpista Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ AgĂȘncia Brasil

PrĂłximos passos

Na próxima quarta-feira, o primeiro a votar serå Alexandre de Moraes, relator da ação penal. Em sua manifestação, o ministro vai analisar questÔes preliminares suscitadas pelas defesas de Bolsonaro e dos demais acusados, como pedidos de nulidade da delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens e um dos réus, alegaçÔes de cerceamento de defesa, pedidos para retirar o caso do STF, além das solicitaçÔes de absolvição.

Moraes poderå solicitar que a turma delibere imediatamente sobre a questÔes preliminares ou deixar a anålise desses quesitos para votação conjunta com o mérito.

Após a abordagem das questÔes preliminares, Moraes se pronunciarå sobre o mérito do processo, ou seja, se condena ou absolve os acusados e qual o tempo de cumprimento de pena.

SequĂȘncia de votação

Depois de Moraes, os demais integrantes da turma vĂŁo proferir seus votos na seguinte sequĂȘncia:

  • FlĂĄvio Dino;
  • Luiz Fux;
  • CĂĄrmen LĂșcia;
  • Cristiano Zanin;

A condenação ou absolvição ocorrerĂĄ com o voto da maioria de trĂȘs dos cinco ministros da turma. 

Pedido de vista

Um pedido de vista do processo nĂŁo estĂĄ descartado. Pelo regimento interno, qualquer integrante da Corte pode pedir mais tempo para analisar o caso e suspender o julgamento. Contudo, o processo deve ser devolvido para julgamento em 90 dias.

PrisĂŁo

A eventual prisão dos réus que forem condenados não vai ocorrer de forma automåtica e só poderå ser efetivada após julgamento dos recursos contra a condenação.

Em caso de condenação, os rĂ©us nĂŁo devem ficar em presĂ­dios comuns. Oficiais do ExĂ©rcito tĂȘm direito Ă  prisĂŁo especial, de acordo com o CĂłdigo de Processo Penal (CPP). O nĂșcleo 1 tem cinco militares do ExĂ©rcito, um da Marinha e dois delegados da PolĂ­cia Federal, que tambĂ©m podem ser beneficiados pela restrição. 

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