Venezuela acusa EUA de terem usado IA em vĂ­deo sobre ataque a barco

Por AgĂȘncia Brasil 03/09/2025


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Nesta terça-feira (2), o governo da Venezuela acusou o secretĂĄrio de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, de utilizar inteligĂȘncia artificial (IA) em um vĂ­deo apresentado como prova de supostas atividades de narcotrĂĄfico a partir da Venezuela.

O ministro da Comunicação e Informação venezuelano, Freddy Ñåñez, utilizou seu canal no Telegram para fazer a denĂșncia pĂșblica.Venezuela acusa EUA de terem usado IA em vĂ­deo sobre ataque a barcoVenezuela acusa EUA de terem usado IA em vĂ­deo sobre ataque a barco

“Parece que Marco Rubio continua mentindo para o seu presidente [Donald Trump]: depois de colocá-lo em um beco sem saída, agora lhe apresenta como ‘prova’ um vídeo com IA [assim comprovado)]”, escreveu o ministro.

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O ministro anexou uma anĂĄlise tĂ©cnica do vĂ­deo em questĂŁo, na qual a plataforma de inteligĂȘncia artificial Gemeni concluiu que Ă© “muito provĂĄvel” que o vĂ­deo tenha sido gerado por um sistema de inteligĂȘncia artificial.

O relatĂłrio tĂ©cnico aponta que a explosĂŁo do barco se assemelha mais a uma “animação simplificada, quase de desenho animado, do que a uma representação realista”. AlĂ©m disso, indica a presença de “artefatos de movimento”, uma “falta de detalhamento realista” e um comportamento da ĂĄgua que parece “muito estilizado e pouco natural”.

O vĂ­deo, utilizado como suposta prova do ataque de militares norte-americanos a um navio que, segundo Rubio, transportava drogas a partir da Venezuela, continha elementos como o texto “SEM CLASSIFICAÇÃO” e uma marca d’água de origem desconhecida, que a anĂĄlise tĂ©cnica tambĂ©m identifica como comuns em conteĂșdos gerados por IA.

A acusação de Caracas situa o incidente no centro de um debate global crescente: a proliferação de deepfakes e seu potencial para desestabilizar relaçÔes internacionais e serem usados como casus belli (ato ou evento para justificar a declaração de uma guerra).

Se as afirmaçÔes venezuelanas forem verdadeiras, marcaria um precedente extremamente perigoso em que provas fabricadas poderiam ser utilizadas para justificar açÔes militares ou sançÔes econÎmicas, informou a Telesur. 

Até o momento, o Departamento de Estado dos EUA não se pronunciou oficialmente para confirmar a autenticidade do vídeo ou rebater as acusaçÔes de falsificação, conforme a Telesur.

Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou ontem que as forças americanas dispararam contra um “barco que transportava droga” e tinha saĂ­do da Venezuela.

“Literalmente destruĂ­mos um barco, um barco que transportava drogas, muita droga. E vocĂȘs verĂŁo e lerĂŁo sobre isso. Aconteceu hĂĄ alguns momentos”, afirmou o presidente Ă  imprensa durante um pronunciamento no SalĂŁo Oval, antes de acrescentar que “estas [drogas] provĂȘm da Venezuela”.

Porém, Donald Trump não deu mais detalhes sobre uma suposta operação militar nas costas do país sul-americano, onde a Marinha dos Estados Unidos posicionou vårios navios de guerra.

Mais tarde, ele compartilhou um vídeo em sua plataforma Truth Social que parecia mostrar imagens de drones aéreos de uma lancha no mar explodindo e depois pegando fogo.

Ele acrescentou que os militares dos EUA identificaram a tripulação como membros da gangue venezuelana Tren de Aragua, que os EUA designaram como grupo terrorista em fevereiro. Ele repetiu as alegaçÔes de que a Tren de Aragua estå sendo controlada pelo presidente da Venezuela, Nicolås Maduro, acusaçÔes que Caracas nega.

O secretĂĄrio Marco Rubio tambĂ©m confirmou o ataque. “Temos uma grande quantidade de drogas que chegam ao nosso paĂ­s hĂĄ muito tempo, e estas provĂȘm da Venezuela. Saem em grandes quantidades da Venezuela. Muitas coisas estĂŁo saindo da Venezuela, entĂŁo o eliminamos (o barco)”, acrescentou.

A decisão de explodir um barco suspeito de tråfico de drogas que passava pelo Caribe, em vez de apreende-lo e prender sua tripulação, é altamente incomum e evoca lembranças da luta dos EUA contra grupos militantes como a Al Qaeda.

Os Estados Unidos enviaram navios de guerra para o sul do Caribe nas Ășltimas semanas com o objetivo de cumprir a promessa de Trump de reprimir os cartĂ©is de drogas.

O ataque desta terça-feira parece ter sido a primeira operação militar desse tipo na região com esse objetivo.

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