As investigações sobre a megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, apontam que pelo menos 30 criminosos de Rondônia, Amazonas e Pará estavam entre os integrantes do núcleo estratégico do Comando Vermelho (CV). O grupo teria viajado para o estado com o objetivo de reforçar ações de comando e controle operacional da facção.
Segundo fontes da inteligência policial, essas lideranças foram convocadas diretamente pela cúpula carioca do CV, devido à importância da barreira criminosa formada na região Norte, onde o grupo domina o tráfico e exerce influência em áreas carentes e conjuntos habitacionais populares.
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Expansão e fortalecimento da facção
Em Rondônia, o Comando Vermelho vem ampliando sua presença em comunidades periféricas e complexos residenciais populares, aproveitando a fragilidade da segurança pública e a ausência de políticas sociais efetivas.
Esse cenário permitiu à facção transformar o macrotráfico em milícia, misturando o comércio ilegal de drogas com a extorsão de moradores e comerciantes. A organização se tornou mais estruturada, incorporando novas práticas criminosas e mecanismos de controle social semelhantes aos observados no Rio.
Comunicação e táticas de terror
De acordo com informações levantadas pelo G1, os criminosos utilizam grupos em aplicativos de mensagens para organizar atentados e compartilhar vídeos de punições impostas a moradores das áreas dominadas.
As punições incluem tortura com baldes de gelo, espancamentos filmados e até execuções públicas, com vítimas sendo arrastadas pelas ruas — práticas que seguem o mesmo padrão de terror aplicado em favelas do Rio de Janeiro.
A estratégia tem como objetivo manter o controle pelo medo, silenciando denúncias e evitando a aproximação das forças de segurança.
A influência do CV na região Norte
A presença crescente do Comando Vermelho na Amazônia e em estados vizinhos preocupa as autoridades federais. Rondônia, Amazonas e Pará têm sido considerados pontos estratégicos para o tráfico internacional de drogas, devido à proximidade com fronteiras e rotas fluviais.
Com o apoio de lideranças locais, a facção carioca passou a atuar não apenas no tráfico, mas também em lavagem de dinheiro, cobrança de taxas ilegais e infiltração em comunidades rurais, replicando o modelo de dominação usado nos morros do Rio.
Fonte: G1, Metrópoles, O Globo, Agência Brasil
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