O ComitĂȘ-Executivo de GestĂŁo da CĂąmara de ComĂ©rcio Exterior (Gecex/Camex) decidiu prorrogar por mais cinco anos a cobrança de alĂquotas extras para a importação de escovas para cabelo, cadeados e pigmentos de diĂłxido de titĂąnio produzidos na China.

A medida tambĂ©m se aplica, pelos mesmos cinco anos, Ă s importaçÔes brasileiras de etanolaminas adquiridas na Alemanha e nos Estados Unidos. Derivadas do Ăłxido de eteno, as etanolaminas sĂŁo usadas na produção de defensivos agrĂcolas; cosmĂ©ticos; produtos de limpeza; cimento e concreto e na indĂșstria petrolĂfera.
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Segundo o comitĂȘ, o objetivo das medidas Ă© proteger os produtores brasileiros, evitando que concorrentes estrangeiros pratiquem o chamado dumping – ou seja, que vendam seus produtos para importadores brasileiros por preços inferiores aos que cobram dos consumidores chineses.
No caso das escovas para cabelo, por exemplo, cada quilo do produto proveniente da China pagarĂĄ, alĂ©m da tarifa do Imposto de Importação, uma taxa extra de US$ 8,78 para ingressar em territĂłrio brasileiro, conforme estabelece a Resolução Gecex nÂș 801, publicada no DiĂĄrio Oficial da UniĂŁo (DOU) desta sexta-feira (24).
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A taxa extra vem sendo cobrada das escovas para cabelo chinesas desde junho de 2007, a pedido do Sindicato da IndĂșstria de MĂłveis de Junco, Vime, autor do pedido de investigação que levou a Gecex a concluir a prĂĄtica de dumping pelos exportadores chineses.
Prorrogada em 2012 e em 2019, a medida ajudou as indĂșstrias brasileiras, embora, segundo os prĂłprios tĂ©cnicos da Camex, nĂŁo tenha sido suficiente para impedir que as escovas chinesas continuassem chegando ao Brasil por um valor inferior ao cobrado dos consumidores chineses.
Durante a terceira e mais recente revisĂŁo, os tĂ©cnicos concluĂram que, entre abril de 2023 e março de 2024, os exportadores chineses conseguiam entregar suas escovas no Brasil por, em mĂ©dia, US$ 8,47/kg, enquanto, na China, os mesmos produtos eram vendidos por, em mĂ©dia, US$ 17,24/kg. Disputando um mercado que, segundo o Simvep, movimentou cerca de R$ 204 milhĂ”es em 2024.
“A gente aplica a medida contra os produtores chineses, eles pegam e transferem suas vendas para o VietnĂŁ, para Hong Kong. E nĂŁo temos como promover muitos processos como este, pois eles sĂŁo caros, detalhistas e consomem entre um ano e meio e dois anos de anĂĄlises. E as medidas, quando aprovadas, vigoram por apenas cinco anos, quando tĂȘm que ser revisadas, se for o caso”, afirmou o presidente do Simvep, Manoel Miguez, referindo-se especificamente Ă taxa extra imposta Ă s escovas.
No caso das importaçÔes brasileiras de pigmentos de diĂłxido de titĂąnio comercializados por exportadores chineses, as alĂquotas adicionais vĂŁo de US$ 1.148,72 a US$ 1.267,74 por tonelada do produto, conforme o fabricante. O pigmento de diĂłxido de titĂąnio serve para diversos fins industriais, incluindo a produção de tintas e revestimentos e tambĂ©m em alguns produtos farmacĂȘuticos.
JĂĄ de alguns tipos de cadeados chineses serĂĄ cobrada, tambĂ©m pelos prĂłximos cinco anos, uma alĂquota de US$ 10,11/kg, alĂ©m da taxa de importação [https://pesquisa.in.gov.br/imprensa/jsp/visualiza/index.jsp?data=24/10/2025&jornal=515&pagina=66&totalArquivos=388~], enquanto as etanolaminas originĂĄrias da Alemanha e dos Estados Unidos pagarĂŁo, adicionalmente, entre 7,4% e 59,3% do valor unitĂĄrio da mercadoria. Neste caso, a cobrança extra para inibir o dumping vem sendo cobrada desde 2014 – com uma breve interrupção relativa ao produto alemĂŁo. Â

