O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), disse que Garantia da Lei da Ordem (GLO) “permanente” não é solução para combater o crime.
“Não acredito que é o Exército na rua que vai resolver. Já veio uma vez, e não é a função do Exército estar fazendo isso. Acho que nós temos que ter operações integradas de inteligência e, aí sim, uso das forças federais, da Polícia Federal numa ocasião, Polícia Rodoviária Federal em outra, e das Forças Armadas em outra. Mas, com certeza, é muito mais em projetos específicos do que no dia a dia da segurança pública”, afirmou, em entrevista exclusiva ao Metrópoles, nesta terça-feira (28/10), logo após a operação policial mais letal da história.
Castro defendeu ações integradas de inteligência com órgãos federais em situações específicas. O governador afirmou que, no dia a dia, o governo federal deveria fortalecer o combate ao tráfico nas fronteiras do país e reforçar a atuação contra lavagem de dinheiro.
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“No dia a dia da segurança pública, a gente precisa é da contenção das fronteiras na entrada de arma e de drogas, na questão da lavagem de dinheiro. Essa é a função federal. Se isso funcionar, vamos ter automaticamente enfraquecimento das organizações criminosas e todo o investimento que é feito vai começar a dar resultado muito mais palpável e visível”, declarou o governador do Rio.
Assista:
Castro disse não acreditar que o governo federal precise assumir o trabalho do Rio de Janeiro, como fez em 2018.
“Tenho investimento anual na casa dos R$ 16 bilhões na segurança pública. Nós tiramos a nossa polícia do segundo pior para o terceiro melhor salário do país. Voltamos os concursos, criamos o maior centro policial da América Latina. Nosso armamento é todo de primeira linha. Temos mais de 100 drones, helicópteros. Temos softwares mais modernos do mundo na Polícia Civil. O que eu acho que a precisa é que em situações específicas nós tenhamos esse apoio. Não acredito em GLO permanente”, afirmou.
Operação
Nesta terça-feira (28/10), o Rio de Janeiro registrou a ação policial mais letal da história, com 64 mortos. Castro lamentou a morte de quatro policiais e disse que eles são as “grandes vítimas dessa operação”.
“Fico triste com nossos policiais que deram a própria vida para proteger a população. A princípio seriam 60 criminosos [mortos]. Na minha opinião, policial é a grande vítima dessa operação. Bravamente, deram a vida para proteger a sociedade”, disse.
Segundo o governador, foram presos 81 criminosos na operação que foi planejada por 60 dias. “O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro acompanhou todo o planejamento, todas as regras da ADPF foram cumpridas”, afirmou, em relação à ADPF das Favelas, que tramitou no Supremo Tribunal Federal (STF) e trata das operações policiais em comunidades.
O Governo do Estado do Rio de Janeiro pediu ao Ministério da Defesa, em janeiro de 2025, o envio de blindados para uso em operações policiais em áreas de risco, mas recebeu resposta negativa.

