A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados encaminhou um ofício ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, solicitando a abertura de investigação criminal e a prisão preventiva do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), em razão da Operação Contenção, que deixou 119 mortos e é considerada a ação policial mais letal da história do Brasil.
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O documento, enviado nesta quarta-feira (29/10), cita a gravidade das denúncias, o risco de novas chacinas e o uso distorcido do aparato estatal de segurança pública como justificativas para a medida.
⚖️ Pedido de investigação e prisão preventiva
No ofício, os deputados afirmam que há indícios de execuções sumárias, torturas e violações aos direitos humanos durante a operação.
“Há risco concreto à ordem pública, ao processo investigatório e possibilidade de repetição de novas chacinas, além da gravidade do ocorrido e do uso reiterado e distorcido do aparato estatal de segurança pública”, diz o texto.
O pedido é assinado pelo presidente da comissão, deputado Reimont (PT-RJ), e por outros parlamentares de partidos de esquerda, incluindo Talíria Petrone e Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ), Erika Kokay (PT-DF), Tadeu Veneri (PT-PR), Luiz Couto (PT-PB), Glauber Braga (PSOL-RJ), Enfermeira Rejane (PCdoB-RJ) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ).
🕊️ Indícios de execuções e pedido de perícia independente
Segundo o documento, moradores e organizações da sociedade civil relataram que algumas vítimas foram mortas com facadas e tiros pelas costas, reforçando, segundo os parlamentares, a necessidade de uma perícia independente e imparcial.
O grupo também pede:
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A criação de um mecanismo de acompanhamento das vítimas e familiares;
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O rastreamento e inventário oficial das armas apreendidas durante a operação;
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E a verificação da aplicação de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP), que, segundo os deputados, não teriam sido utilizados integralmente pelo governo estadual.
🚔 Operação Contenção e reações
A Operação Contenção, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, tinha como alvo o Comando Vermelho (CV) e mobilizou mais de 2,5 mil agentes das polícias Civil e Militar.
Cláudio Castro defendeu a ação e classificou o resultado como “um sucesso”, afirmando que representou “um duro golpe na criminalidade”.
“De vítima, ontem, só tivemos os policiais”, disse o governador em entrevista coletiva, criticando o governo federal por não ter disponibilizado blindados militares para apoio.
O Ministério da Defesa respondeu que o envio de equipamentos depende de solicitação formal de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) — o que, segundo a pasta, não foi feito pelo governo do Rio.
🗣️ Polarização política
Os parlamentares da comissão afirmam que a operação teria sido conduzida com viés político-eleitoral, enquanto Castro nega a acusação e reforça que não pretende politizar o episódio.
“Quem quiser somar com o Rio de Janeiro nesse momento é bem-vindo. Os outros, que querem fazer politicagem, nosso recado é: suma. Ou soma ou suma”, afirmou o governador.
Fonte: Câmara dos Deputados, Metrópoles, G1, Agência Brasil
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