As participantes da 5ÂȘ ConferĂȘncia Nacional de PolĂticas para as Mulheres (5ÂȘ CNPM), em BrasĂlia, propuseram, nesta terça-feira (30), a criação do Sistema Nacional Federativo para as Mulheres com o objetivo de fortalecer a formulação e execução de polĂticas pĂșblicas de direitos das mulheres em todo o paĂs, de forma articulada entre a UniĂŁo, estados, Distrito Federal e municĂpios.

Para o financiamento continuo e estĂĄvel das açÔes de promoção dos direitos, de eliminação da discriminação da mulher e de enfrentamento Ă violĂȘncia em todo o paĂs, vĂĄrias delegadas da 5ÂȘ CNPM pleiteiam a instituição de um fundo nacional para as mulheres.
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A ministra das Mulheres, MĂĄrcia Lopes, considera importante o pleito da criação de uma espĂ©cie de sistema Ășnico de polĂticas para as mulheres.
“Um sistema [assim] independe do mandato. Ele Ă© constitucional, permanente, contĂnuo, assim como o Sistema Ănico de SaĂșde [SUS], o Sistema Ănico de AssistĂȘncia Social [SUAS], o Sistema Ănico de Segurança PĂșblica [SUSP], o Sistema Nacional de Cultura [SNC]”, ressaltou.
No entanto, a ministra destaca que Ă© preciso aguardar as deliberaçÔes da 5ÂȘ conferĂȘncia e se aprovado pela maioria das delegadas, o MinistĂ©rio das Mulheres darĂĄ continuidade ao debate. “A partir da deliberação destas propostas, esse Ă© um debate que nĂłs vamos dar continuidade. O importante Ă© que as mulheres estĂŁo convencidas.”
Fundo nacionalÂ
A deputada federal Maria do RosĂĄrio (PT-RS) reforça a demanda. “Se nĂłs articularmos o sistema nacional federativo, nĂłs vamos ter polĂtica pĂșblica no plano local e a articulação de polĂtica no plano federativo com estados, municĂpios e a prĂłpria UniĂŁo.”
Sobre a criação de um fundo nacional para as mulheres como parte de uma polĂtica nacional, Maria do RosĂĄrio entende que o financiamento federativo das polĂticas pĂșblicas de direitos das mulheres serĂĄ responsabilidade de todos. “Tem que estar na lei: todas as prefeituras, todos os governos estaduais, assim como o governo federal, independentemente de quem governe, tĂȘm a responsabilidade de ter um ĂłrgĂŁo especĂfico e a secretaria de apoio Ă s mulheres. E aĂ, nĂłs vamos ter uma polĂtica que nĂŁo Ă© setorial, porque Ă© preciso dar poder igual, como a ministra MĂĄrcia tem, para estar ao lado dos demais ministros, definindo as polĂticas de governo”, explicou a parlamentar gaĂșcha. Â
A ministra Marcia Lopes disse que a criação do fundo Ă© mais complexa do que uma polĂtica setorial. “Os [atuais] fundos vĂŁo continuar funcionando nas suas polĂticas e nĂłs teremos que pensar se o fundo para as mulheres serĂĄ para garantir a gestĂŁo, a organização dos setores de gestĂŁo da polĂtica, como Ă© no MinistĂ©rio das Mulheres, nos estados e nos municĂpios”.
Relação interfederativa
As lideranças polĂticas participaram do painel da 5ÂȘ CNPM com o tema O desafio de implementação de polĂticas pĂșblicas para as mulheres na relação interfederativa para debater a coordenação entre os diferentes nĂveis de governo na execução de açÔes voltadas ao pĂșblico feminino.
A ministra Marcia Lopes explicou que em um pacto federativo a estrutura do governo do Brasil, seja no nĂvel federal, estadual e municipal, deve estar entrosadas, integradas e articuladas.
“NĂŁo adianta nĂłs termos leis maravilhosas, se nĂŁo tivermos essa capacidade de entender a lĂłgica do que Ă© uma polĂtica intersetorial, de como nĂłs vamos dialogar com os estados e municĂpios e como nĂłs vamos qualificar as nossas atribuiçÔes.”
A ministra defende que deve haver um diĂĄlogo em todas as esferas. o Executivo, o Legislativo, o controle social. “Os movimentos sociais sĂŁo fundamentais.”
O debate também contou com a participação da governadora do Rio Grande do Norte, Fåtima Bezerra, que relembrou o pioneirismo do estado que governa na luta pelos direitos das mulheres.
FĂĄtima apontou diĂĄlogo federativo entre UniĂŁo, estados e municĂpios para garantir a efetividade das açÔes voltadas Ă s mulheres. âĂ estreitando este diĂĄlogo que poderemos avançar na implantação de polĂticas concretas e transformadoras.â
Perante as delegadas da conferĂȘncia, a ex-prefeita de Conde (PB), MĂĄrcia Lucena, estimulou a participação social dos debates sobre as polĂticas voltadas Ă s mulheres “Nossa participação como mulheres é a agulha e a linha que vĂŁo costurar esse tecido do processo interfederativo.”
Representando o nĂvel municipal, a prefeita de Juiz de Fora (MG), Margarida SalomĂŁo, defendeu que pensar em polĂticas pĂșblicas que assegurem os direitos das mulheres e ampliem suas possibilidades Ă© algo fundamental e inadiĂĄvel. A prefeita convidou as mulheres a se candidatem a cargos eletivos em 2026 para que ocupem espaços de poder e de decisĂŁo. “NĂłs havemos de marchar atĂ© que todas sejamos livres.”
Conselhos e secretarias
MĂĄrcia Lopes relatou que, em julho, esteve no Rio Grande do Sul para articular, juntamente com representantes de movimentos sociais, a criação da Secretaria Estadual de PolĂticas para as Mulheres e adiantou que percorrerĂĄ outros estados e municĂpios para sensibilizar gestores locais sobre a necessidade de implantação destes ĂłrgĂŁos especĂficos.
A ministra ainda sugeriu estratĂ©gias da sociedade para elevar a quantidade de conselhos municipais de polĂticas para as mulheres. O baixo nĂșmero impede o alcance e o controle social amplos dos direitos das mulheres.
“Ă a mobilização das mulheres, Ă© a nossa organização, Ă© o convencimento diĂĄrio pela atuação dos conselhos, usando as mĂdias, as rĂĄdios comunitĂĄrias, pedindo audiĂȘncia pĂșblica nas cĂąmaras municipais, nas assembleias legislativas, Ă© votando, no ano que vem, em mulheres e homens que defendem as polĂticas para as mulheres e votando em leis de cotas. Tem governadoras, prefeitas, que jĂĄ fazem isso, que dizem que 50% do secretariado local Ă© das mulheres. SĂł assim, as mulheres terĂŁo espaço polĂtico.”

