O Brasil conquistou nove medalhas olímpicas no boxe ao longo da história, mas nos anos 1980 o cenário era bem diferente. Quando Maguila despontava como promessa, o país sequer levou uma seleção à Olimpíada de Los Angeles (1984). A ausência foi resultado de amadorismo, falta de recursos e desentendimentos entre dirigentes, o que acabou afastando o maior nome do boxe brasileiro de uma disputa olímpica.
Cena de “Maguila – Prefiro ficar louco a morrer de fome”, série documental do Globoplay — Foto: Globoplay
— “A Olimpíada que ele poderia ter participado era a de 1984, em Los Angeles, e o Brasil não levou seleção de boxe. Já se sabia disso quando Maguila passou para o profissional em 1983”, explicou Fernando Tucori, biógrafo do atleta.
Segundo Wilson Baldini Jr., jornalista especializado em boxe, a relação entre os dirigentes brasileiros e a Federação Internacional de Boxe (FIB) era ruim:
— “Como os Jogos seriam nos Estados Unidos, a FIB assumiu a organização, e os dirigentes brasileiros não tinham boa relação com a entidade”, contou.
A virada para o boxe profissional
O principal motivo da transição de Maguila para o boxe profissional foi financeiro.
— “Maguila fazia boxe para ganhar dinheiro. Naquela época o boxe olímpico era raiz, sem apoio nem retorno financeiro. Ele precisava sobreviver”, relembra Baldini Jr.
Nos Jogos de Moscou (1980), Maguila ainda era um iniciante no esporte, com cerca de um ano de treinos. Foi inscrito na Forja de Campeões em 1981 e, logo depois de uma derrota para o italiano Francesco Damiani — que viria a ser medalhista olímpico em 1984 —, decidiu abandonar o boxe amador.
— “Ele perdeu para o Damiani e percebeu que o boxe olímpico não era para ele. Achou que estava apanhando de graça. Se o empresário Kaled Curi não tivesse o contratado como profissional, talvez tivesse desistido de lutar”, contou Josmar Júnior, amigo do atleta.
Cena de “Maguila – Prefiro ficar louco a morrer de fome”, série documental do Globoplay — Foto: Globoplay
De ajudante de pedreiro a ídolo nacional
A nova série documental “Maguila – Prefiro ficar louco a morrer de fome”, lançada nesta sexta (24) no Globoplay, resgata essa trajetória. São quatro episódios que mostram a vida de José Adilson Rodrigues dos Santos, o sergipano que saiu de Aracaju para se tornar campeão mundial e símbolo do boxe brasileiro.
A produção relembra desde sua juventude difícil até a fama e o declínio da saúde nos últimos anos, com depoimentos de familiares, jornalistas, ex-treinadores e amigos.
O primeiro episódio está disponível gratuitamente, enquanto os demais podem ser assistidos por assinantes da plataforma.
Fonte: Globoplay / Globo Esporte
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