Os mercados de câmbio e ações voltaram ao modo “bom humor” nesta sexta-feira (17/10). O dĂłlar registrou queda de 0,78% frente ao real, cotado a R$ 5,40. O Ibovespa, o principal Ăndice da Bolsa brasileira (B3), fechou em alta de 0,78%, aos 143.315 pontos.
Os dois movimentos foram resultado de uma queda da tensão provocada na véspera por dois fatores externos. Um deles foi o susto com problemas relacionados a bancos regionais dos Estados Unidos.
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Ele ganhou corpo depois que as instituições financeiras Zions e Western Alliance revelaram ter sido vĂtimas de uma fraude em emprĂ©stimos concedidos a fundos que investem em hipotecas comerciais problemáticas. Diante da informação, as bolsas americanas desabaram e o VIX, indicador que mede a aversĂŁo ao risco em Wall Street, conhecido como o “Ăndice do medo”, disparou, alcançando o maior nĂvel em cinco meses.
Nesta sexta-feira, as ações tanto da Zions como da Western Alliance operaram em alta. Por outro lado, os papéis de grandes bancos americanos, como o Goldman Sachs e o J.P. Morgan tenham recuado.
Trump paz e amor
TambĂ©m houve alĂvio do estresse provocado entre investidores com o recente acirramento da disputa comercial entre os EUA e a China. O presidente americano, Donald Trump, reconheceu nesta sexta-feira que as tarifas de 100% sobre produtos chineses importados, a ameaça mais recente do republicano, seriam “insustentáveis”.
AlĂ©m disso, os dois paĂses dĂŁo sinais de que seguem negociando. De acordo com a mĂdia americana, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, telefonaria para o vice-premiĂŞ chinĂŞs, He Lifeng, nesta sexta-feira para tratar do tarifaço.
DĂłlar no mundo
Nesta sexta-feira, o dĂłlar manteve-se estável em relação a uma cesta de seis divisas fortes (euro, iene, libra esterlina, dĂłlar canadense, coroa sueca e franco suĂço), comparadas pelo Ăndice DXY. Ă€s 16h40, a moeda americana registrava pequena alta de 0,07% segundo esse indicador.
Em relação a outros paĂses emergentes, o dĂłlar tambĂ©m caĂa no mesmo horário, Ă semelhança do que ocorreu no Brasil. Sobre o peso colombiano, o recuo era de 0,84%, sobre o peso mexicano a queda ficava em 0,30%.
Queda da “temperatura”
Para Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, a diminuição da temperatura do conflito comercial entre China e Estados Unidos propiciou um pregão com menor volatilidade para os mercados globais. “Com isso, as bolsas globais apresentaram movimentos de alta moderada”, diz. “O Ibovespa tem valorização e o dólar desvaloriza, em um movimento de retorno a ativos de risco.”
Ela observa que, apesar das incertezas em torno da questĂŁo dos bancos regionais dos EUA, um eventual contágio do problema parece limitado a esse segmento. “Os balanços corporativos melhores que o esperado ao longo da semana, somados Ă s falas amenas do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Jerome Powell (na terça-feira, 14/10), em relação aos juros americanos, ajudaram na busca por ativos de risco”, afirma. “O VIX, Ăndice de volatilidade implĂcita do mercado de ações americano, segue acima de 20 pontos, mas longe dos nĂveis acima de 25 pontos anotados na vĂ©spera. O ouro tem uma leve desvalorização depois de mais um recorde.”

