Ícone do site ContilNet Notícias

Energisa Acre apresenta plano de contingência para o período chuvoso em workshop

Por Vitor Paiva, ContilNet

A Energisa Acre realizou um workshop de contingência voltado à imprensa, com o objetivo de apresentar as estratégias e ações preventivas da empresa para enfrentar o período de maior instabilidade climática do ano no estado. O encontro abordou o plano de atuação referente aos meses de outubro, novembro e dezembro, além de orientar os profissionais de comunicação sobre como realizar coberturas seguras durante eventos climáticos extremos.

Energisa fez um encontro com a imprensa/Foto: Reprodução

Durante o evento, o diretor técnico da Energisa Acre, Antônio Matos, destacou a importância da transparência e da proximidade com a imprensa. “A gente preza muito pela proximidade, por esse contato. A gente entende que é nosso papel estar sempre à disposição de vocês, esclarecendo tudo que for necessário”, afirmou.

Matos ressaltou ainda que o grupo Energisa, que completou 120 anos em 2025, mantém o compromisso de investir continuamente na melhoria da rede elétrica do estado, especialmente durante o período chuvoso. Desde que assumiu a concessão no Acre, em 2019, a empresa já investiu R$2,4 bilhões em obras, manutenção e modernização do sistema elétrico. Os aportes foram de R$212 milhões em 2019, R$168 milhões em 2020, R$206 milhões em 2021, R$453 milhões em 2022, R$496 milhões em 2023, R$591 milhões em 2024 e R$294 milhões em 2025.

“É um momento em que a gente se prepara. Ter essa transparência com a rede elétrica, em especial nesse período de chuvas e tempestades, é fundamental. Acima de tudo, a vida é o nosso principal valor”, completou o diretor.

Antônio Matos, destacou a importância da transparência e da proximidade com a imprensa/Foto: ContilNet

O coordenador de comunicação da Energisa, Marcos, destacou os avanços da empresa em relação ao atendimento ao cliente desde que assumiu a concessão no Acre. “Antigamente, quando era Eletroacre, tínhamos apenas a agência de atendimento. Depois que a Energisa assumiu, começamos a expandir os canais de atendimento, com o lançamento dos canais digitais. Hoje nós temos redes sociais, aplicativo Energisa On, WhatsApp e agência virtual, todos funcionando 24 horas por dia, sete dias por semana”, explicou.

Segundo Marcos, 95% dos atendimentos no estado são realizados por meio digital. “Esses canais fazem desde serviços simples, como emissão de segunda via, até solicitações mais complexas, como ligação nova ou registro de falta de energia. O cliente consegue fazer tudo do conforto da sua casa, e a empresa atende da mesma forma que no atendimento presencial”, completou.

Ele reforçou ainda que a Energisa não é responsável pela iluminação pública, uma reclamação frequente da população junto à empresa, e esclareceu que a concessionária apenas realiza a arrecadação dos valores que são repassados às prefeituras.

A Energisa também aproveitou o encontro para esclarecer dúvidas sobre o recente apagão registrado no estado. A empresa enfatizou que situações como essa não são de responsabilidade da concessionária, já que o problema ocorreu no Sistema Interligado Nacional (SIN), operado por órgãos federais.

O gerente de operação da Energisa, André Amarante, explicou que o episódio foi causado pela atuação automática do Esquema Regional de Alívio de Carga (ERAC), um sistema de proteção utilizado em casos de falhas no sistema nacional. “O sistema é todo interligado. Existe um sistema de proteção que é preparado para automaticamente desligar cargas caso haja um problema em qualquer uma dessas áreas. Quando ocorre uma falha, o sistema corta automaticamente parte das cargas para se estabilizar”, detalhou.

Amarante explicou que o ERAC atua em cinco estágios e monitora a frequência da rede elétrica, que deve permanecer em 60 hertz. “Quando a frequência cai, o sistema entende que há desequilíbrio. A 58,5 hertz, ele já atua no primeiro estágio, cortando 15% da carga. No caso recente, chegamos ao terceiro estágio, quando a frequência caiu para 57,9, e 35% da carga foi desligada automaticamente para evitar um colapso maior”, informou.

Ele acrescentou que o processo de recomposição da energia é gradual. “Assim que o Operador Nacional do Sistema (ONS) autoriza, as cargas são religadas aos poucos, até a retomada total. No caso do Acre, o fornecimento foi restabelecido para 99% da população após a estabilização do sistema”, explicou.

Amarante destacou os avanços realizados pela Energisa/Foto: ContilNet

Amarante também destacou que a Energisa tem uma parceria com o grupo Storm e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que fornece previsões e análises especializadas. “É um grupo que tem especialistas em meteorologia, inclusive uma doutora dedicada ao grupo Energisa, que nos envia relatórios semanais e quinzenais sobre as condições climáticas. Essas informações permitem que a gente se antecipe às contingências”, afirmou.

Segundo ele, a empresa tem investido desde o início do ano em equipamentos, manutenções e capacitação de equipes. “Estamos reforçando o preparo técnico, com ferramentas especializadas, drones e câmeras termográficas, que permitem identificar falhas e agir preventivamente. Isso reduz o impacto dos eventos climáticos para o cliente”, disse.

Amarante também falou sobre os desafios enfrentados nas áreas rurais. “Uma das maiores dificuldades é o deslocamento das equipes até os clientes em regiões de difícil acesso. Para isso, adquirimos veículos especiais, como os Defenders, que conseguem atravessar trechos de tabatinga e chegar até os pontos mais distantes para recompor a energia”, acrescentou.

Ele reforçou a importância de os consumidores registrarem ocorrências em casos de falta de energia. “É muito importante que, quando houver uma anomalia ou interrupção, o cliente faça o registro pelos nossos canais — 0800, aplicativo ou site. A partir desses registros, conseguimos identificar rapidamente onde há problemas e direcionar as equipes para agilizar o restabelecimento”, completou.

Sobre o funcionamento da operação durante o período chuvoso, Amarante explicou que a Energisa segue um protocolo dividido em etapas. “A contingência tem fases de antecipação, atuação e recuperação. Usamos tecnologia e informações meteorológicas para direcionar as equipes. Tudo isso é coordenado pelo Centro de Operações, aqui em Rio Branco”, disse.

Ele reforçou ainda que a empresa investe em tecnologias de ponta. “Desde 2019, a Energisa já instalou equipamentos como religadores, que permitem a recomposição automática da rede diretamente do centro de operação, sem necessidade de deslocar uma equipe em campo para manobrar o circuito”, concluiu.

A técnica de segurança da Energisa, Mirian Moura, apresentou dados sobre acidentes elétricos e reforçou a importância da prevenção. “Tem vários valores, incluindo em primeiro lugar a vida. A vida tem que ser priorizada. Sabemos que estão acontecendo muitos acidentes, e os senhores que fazem reportagens e cobrem eventos também precisam ter cuidados. Se verificarem uma ocorrência com choque elétrico, mantenham distância de aproximadamente dez metros e orientem as pessoas ao redor sobre o risco”, alertou.

De acordo com Mirian, em 2023 foram registrados sete acidentes envolvendo a comunidade, sendo um fatal e seis com lesões. Em 2024, os números aumentaram para 11 acidentes, com cinco mortes. “Esses acidentes não afetam apenas as vítimas, mas também suas famílias. Por isso, sempre orientamos para que ninguém intervenha em situações com energia elétrica. Temos equipes capacitadas e preparadas para isso”, explicou.

Miriam falou sobre as necessidades de reforçar a segurança relacionada a energia elétrica/Foto: ContilNet

A técnica citou ainda dados da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel), que colocam o Acre em primeiro lugar no país em taxa de mortalidade por choque elétrico em 2024. “Foram registrados 22 acidentes, sendo 16 fatais. É um número preocupante, que mostra o quanto precisamos reforçar as ações de conscientização”, destacou.

Mirian acrescentou que o relatório anual da Abracopel traz informações detalhadas sobre os tipos e locais de ocorrência, incluindo acidentes domiciliares, e é considerado a principal fonte de referência nacional sobre o tema. “Às vezes, a gente fica sabendo de acidentes por meio da imprensa. Por isso, reforçamos a importância da comunicação e do alerta à população”, concluiu.

O coordenador do Centro de Operações Integradas, Jhony Poças, reforçou a importância da participação dos consumidores no registro de ocorrências. “A gente reforça que a população precisa fazer as reclamações quando algo acontece, seja um cabo caído ou uma área sem energia. Assim conseguimos entender que há um problema ali. As pessoas precisam criar o hábito de abrir as reclamações”, disse.

Sair da versão mobile