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Entenda a síndrome da impostora, relatada por Marquezine e Juliette

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Entenda a síndrome da impostora, relatada por Marquezine e Juliette

Mesmo no auge da fama e do reconhecimento, nomes como Bruna Marquezine, Juliette, Jennifer Lopez, Adele e Rafa Brites já revelaram sentir que não são boas o bastante. A atriz Natalie Portman, por exemplo, confessou, em um discurso em Harvard, que ainda duvida do próprio talento. O sentimento tem nome: síndrome da impostora.

A condição é um conflito entre o desejo de ser reconhecida e o medo de não estar à altura. É quando a pessoa sente que não merece o que conquistou, como se tivesse enganado os outros sobre sua capacidade.

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Segundo a psicóloga Larissa Lopes, especialista em psicopatologia e psicanálise, esse comportamento pode ser entendido como um mecanismo de defesa: “É uma forma inconsciente de se proteger do medo de falhar ou decepcionar. Antes que alguém duvide de você, você mesma duvida, para não sentir a dor da rejeição”, explicou.

O que dizem os estudos

Pesquisas da Harvard Business Review apontam que entre 60% e 70% das pessoas já sentiram os efeitos da síndrome da impostora em algum momento da vida profissional. De acordo com o médico especialista em saúde mental Iago Fernandes, a condição é um padrão psicológico em que o indivíduo, mesmo sendo competente e bem-sucedido, acredita ser uma fraude.

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Bruna Marquezine

Greg Doherty / Correspondente autônomo/Getty Images2 de 12

Bruna Marquezine

Gilbert Carrasquillo/GC Images/Getty Images3 de 12

Juliette Freire.

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Juliette

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Rafa Brites.

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Rafa Brites posa de maiô e óculos escuros durante viagem

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Jennifer Lopez

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Jennifer Lopez no Globo de Ouro

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Adele

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Apesar das dificuldades, ela afirmou que não pretende desistir

Reprodução/Instagram11 de 12

Natalie Portman estrela Thor 4: Amor e Trovão

Alberto E. Rodriguez/Getty Images for Disney12 de 12

Natalia Portman passou para um forte rotina de treinamentos para estrelar Thor 4: Amor e Trovão

Reprodução/Instagram

“Ela passa a pensar que suas conquistas vieram da sorte ou da benevolência dos outros, e não do próprio mérito. Há uma distorção cognitiva que interfere na autopercepção e no sistema de recompensa cerebral, gerando insegurança e autossabotagem”, afirmou.

Mulheres são as mais afetadas

A síndrome é mais comum em mulheres. Para Larissa Lopes, há uma herança emocional e cultural envolvida: “Durante gerações, fomos ensinadas a cuidar, apoiar e servir, não a ocupar espaços de poder ou visibilidade. Quando a mulher chega lá, surge uma culpa inconsciente: será que posso estar aqui?”, detalhou ele.

Iago Fernandes complementou, ainda, que esse fenômeno está ligado ao modelo patriarcal que, por séculos, tratou o sucesso feminino como exceção: “Culturalmente, a mulher ainda é pressionada a ser perfeita, doce, bonita e competente, tudo ao mesmo tempo. Isso gera medo de falhar e autocrítica constante”, observou.

Os sinais mais comuns incluem dificuldade em aceitar elogios, medo de ser “descoberta” como uma fraude, sensação de não ser boa o suficiente e pensamentos como “isso não é para mim”. Há também comportamentos de autossabotagem, perfeccionismo excessivo, comparação social e ansiedade. Segundo Iago Fernandes, o quadro pode estar associado a transtornos como ansiedade, depressão e Burnout, especialmente entre mulheres em cargos de alta performance.

Superando a síndrome

A boa notícia é que é possível superar o problema. Larissa Lopes revelou que o processo começa ao revisitar a própria história e dar espaço para os próprios desejos: “É preciso se autorizar a ocupar o próprio lugar, sem culpa. A terapia ajuda a entender de onde vem a autossabotagem e a olhar para as próprias potências sem o peso de ser uma mulher idealizada e sem falhas”, disse.

Iago Fernandes reforçou que o tratamento passa pelo autoconhecimento e pela psicoterapia, com abordagens como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT): “Sentir insegurança não é sinal de fraqueza, mas o reflexo de crenças internalizadas. A psicoterapia ajuda a reestruturar esses padrões e a desenvolver autocompaixão”, pontuou.

A síndrome da impostora não é um defeito, é uma ferida social. É o reflexo de uma cultura que ensinou as mulheres a duvidarem do próprio valor. Superá-la é um ato de coragem e também um gesto político de autocompaixão. Quando uma mulher se permite reconhecer o próprio brilho, ela não apenas se cura, ela inspira outras a fazerem o mesmo.

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