Fux defende reflexão jurídica sobre a sociedade, mas alerta contra decisÔes fundadas em popularidade

Por Portal Leo Dias 24/10/2025

Durante palestra na “Fenalaw 2025”, evento jurĂ­dico realizado em SĂŁo Paulo nesta sexta-feira (24/10), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux afirmou que o JudiciĂĄrio precisa se manter prĂłximo do sentimento constitucional do povo para que suas decisĂ”es sejam legitimadas democraticamente.

Segundo o magistrado, a independĂȘncia dos juĂ­zes “existe em favor do povo”: “O JudiciĂĄrio deve contas Ă  sociedade, porque todo poder emana do povo e em prol do povo Ă© que se exerce as funçÔes pĂșblicas”, afirmou.

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Luiz Fux na Fenalaw 2025Reprodução: Instagram/@fenalaw_oficial
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Luiz Fux vota pela absolvição dos 7 réus vinculados à trama golpistaReprodução: YouTube/TV Justiça
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Ministro Luiz Fux, do STFFoto: Fellipe Sampaio/SCO/STF
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Fux destacou que julgar exige sensibilidade e nĂŁo pode ser tarefa apenas tĂ©cnica. “Sentença vem de sentido, vem de sentimento. MĂĄquinas nĂŁo tĂȘm sentimento, entĂŁo Ă© impossĂ­vel que se possa delegar a uma mĂĄquina uma manifestação de sentimento humano”, disse.

O ministro comentou ainda sobre o avanço da InteligĂȘncia Artificial no sistema judicial, elogiando o uso de ferramentas que agilizam processos, mas advertiu que o direito nĂŁo pode ser “automatizado”: “A Justiça deve ser caridosa, uma caridade justa, que Ă© um mĂ­nimo de misericĂłrdia no coração de um homem. NĂłs estamos decidindo o destino das pessoas”, afirmou, em tom decisivo.

Sem citar casos especĂ­ficos, Fux defendeu que a jurisprudĂȘncia precisa tratar todos com igualdade. Ele ainda lamentou que, muitas vezes, o Supremo adote soluçÔes diferentes para casos semelhantes e reforçou que os tribunais vivem “da confiança legĂ­tima que o povo deposita no Poder JudiciĂĄrio”.

A fala de Fux ocorreu poucos dias depois de ele deixar a Primeira Turma do STF, responsĂĄvel pelos julgamentos da chamada trama golpista envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, e ser transferido para a Segunda Turma.

Na antiga composição, o ministro foi o Ășnico a votar pela absolvição de Bolsonaro, argumentando que a função do juiz Ă© “ter firmeza para condenar e humildade para absolver quando hĂĄ dĂșvida”. O voto isolado rendeu crĂ­ticas de setores jurĂ­dicos e polĂ­ticos, que ele rebateu dizendo que parte da reação teve “rasgo de militĂąncia polĂ­tica”.

A mudança de colegiado foi autorizada pelo presidente do STF, Edson Fachin, após o pedido de Fux. Ele agora integra a turma composta por Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Nunes Marques e André Mendonça.

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