Durante palestra na âFenalaw 2025â, evento jurĂdico realizado em SĂŁo Paulo nesta sexta-feira (24/10), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux afirmou que o JudiciĂĄrio precisa se manter prĂłximo do sentimento constitucional do povo para que suas decisĂ”es sejam legitimadas democraticamente.
Segundo o magistrado, a independĂȘncia dos juĂzes âexiste em favor do povoâ: âO JudiciĂĄrio deve contas Ă sociedade, porque todo poder emana do povo e em prol do povo Ă© que se exerce as funçÔes pĂșblicasâ, afirmou.
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Fux destacou que julgar exige sensibilidade e nĂŁo pode ser tarefa apenas tĂ©cnica. âSentença vem de sentido, vem de sentimento. MĂĄquinas nĂŁo tĂȘm sentimento, entĂŁo Ă© impossĂvel que se possa delegar a uma mĂĄquina uma manifestação de sentimento humanoâ, disse.
O ministro comentou ainda sobre o avanço da InteligĂȘncia Artificial no sistema judicial, elogiando o uso de ferramentas que agilizam processos, mas advertiu que o direito nĂŁo pode ser âautomatizadoâ: âA Justiça deve ser caridosa, uma caridade justa, que Ă© um mĂnimo de misericĂłrdia no coração de um homem. NĂłs estamos decidindo o destino das pessoasâ, afirmou, em tom decisivo.
Sem citar casos especĂficos, Fux defendeu que a jurisprudĂȘncia precisa tratar todos com igualdade. Ele ainda lamentou que, muitas vezes, o Supremo adote soluçÔes diferentes para casos semelhantes e reforçou que os tribunais vivem âda confiança legĂtima que o povo deposita no Poder JudiciĂĄrioâ.
A fala de Fux ocorreu poucos dias depois de ele deixar a Primeira Turma do STF, responsĂĄvel pelos julgamentos da chamada trama golpista envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, e ser transferido para a Segunda Turma.
Na antiga composição, o ministro foi o Ășnico a votar pela absolvição de Bolsonaro, argumentando que a função do juiz Ă© âter firmeza para condenar e humildade para absolver quando hĂĄ dĂșvidaâ. O voto isolado rendeu crĂticas de setores jurĂdicos e polĂticos, que ele rebateu dizendo que parte da reação teve ârasgo de militĂąncia polĂticaâ.
A mudança de colegiado foi autorizada pelo presidente do STF, Edson Fachin, após o pedido de Fux. Ele agora integra a turma composta por Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Nunes Marques e André Mendonça.






