“GĂȘmeas do crime” planejavam esquema de assassinatos por encomenda

Por MetrĂłpoles 13/10/2025

O inquérito policial que investiga a série de homicídios por envenenamento ocorridos em São Paulo e no Rio de Janeiro revelou grau de frieza e planejamento que chamou a atenção das autoridades.

Investigação do 1Âș DP de Guarulhos, na Grande SĂŁo Paulo, mostra que as irmĂŁs gĂȘmeas Ana Paula Veloso Fernandes e Roberta Cristina Veloso Fernandes, de 35 anos, pretendiam operar esquema de morte por encomenda, chegando a estipular valor mĂ­nimo para a execução dos crimes.

As apuraçÔes da PolĂ­cia Civil de SĂŁo Paulo apontam que Ana Paula, que se identificava como enfermeira, e a irmĂŁ, Roberta, utilizavam um sistema de codificação e consultoria para planejar assassinatos – ao menos quatro jĂĄ foram constatados.

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As conversas por mensagens entre Ana Paula e Roberta Cristina revelaram planejamento prĂ©vio, divisĂŁo de tarefas e discussĂ”es explĂ­citas sobre pagamento. Para se referirem aos homicĂ­dios, elas empregavam um “cĂłdigo”: chamavam a execução da morte de TCC (Trabalho de ConclusĂŁo de Curso).

rsz galeria feijoada 16 imagensAna matou Neil por encomenda, no Rio de JaneiroNa casa dela foi encontrado veneno Uma da vĂ­timas foi morta apĂłs encontro via appCriminosa estĂĄ presa desde setembroAcusada estĂĄ envolvida em ao menos quatro mortes por envenenamento Fechar modal.logo metropoles brancarsz galeria feijoada 11 de 6

Ana Paula confessou ter matado colega de moradia Ă  polĂ­cia

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Ana matou Neil por encomenda, no Rio de Janeiro

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Na casa dela foi encontrado veneno

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Uma da vĂ­timas foi morta apĂłs encontro via app

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Criminosa estĂĄ presa desde setembro

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Acusada estĂĄ envolvida em ao menos quatro mortes por envenenamento

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Valor por morte

Documentos judiciais obtidos pelo MetrĂłpoles mostram que o esquema possuĂ­a atĂ© mesmo um preço base. Roberta Cristina, em sua função “de apoio logĂ­stico e financeiro”, orientou a irmĂŁ a “cobrar” por futuros TCCs. Foi ela quem fixou R$ 4 mil como “valor mĂ­nimo” por execução.

AlĂ©m disso, Roberta recomendou o uso exclusivo de dinheiro em espĂ©cie para a aquisição de “taxas e insumos”, estratĂ©gia destinada a dissimular rastros financeiros. A preocupação com a segurança das comunicaçÔes tambĂ©m era latente, com Roberta advertindo que, “[para] coisas mais importantes, melhor [falar] por ligação [telefĂŽnica]”.

O caso que revelou o sistema de precificação e planejamento foi o homicĂ­dio de Neil CorrĂȘa da Silva, de 64 anos, ocorrido em Duque de Caxias (RJ), em 26 de abril. Neil foi vĂ­tima de um homicĂ­dio cometido mediante promessa de recompensa. As provas digitais indicam que Ana Paula viajou ao Rio de Janeiro e se encontrou com a vĂ­tima.

Em um ĂĄudio enviado a Roberta, Ana Paula detalhou a tentativa de administração do veneno, afirmando que tentou dar comida “batida no feijĂŁo” e que a pessoa “comeu sĂł duas colheres e [se] deitou”. Durante interrogatĂłrio formal, Ana Paula Veloso Fernandes confessou o assassinato de Neil CorrĂȘa da Silva, fornecendo detalhes que corroboram as provas digitais.

“Chumbinho” em casa

Ao compilar o acervo de provas que resultou no indiciamento de Ana Paula por quatro homicĂ­dios qualificados, a polĂ­cia ressaltou a natureza hedionda dos crimes. Todos os assassinatos foram praticados, segundo a investigação, com uso do veneno popularmente conhecido como “chumbinho”. Ilegal, o produto foi encontrado na residĂȘncia da assassina em sĂ©rie.

Além de Neil, as vítimas identificadas na investigação são:

  • Marcelo Hari Fonseca, encontrado morto em 31 de janeiro, em Guarulhos, assassinado por motivo torpe para apropriação do imĂłvel;
  • Maria Aparecida Rodrigues, encontrada morta entre 10 e 11 de abril, tambĂ©m em Guarulhos, morta para que Ana Paula pudesse incriminar o ex-amante;
  • Hayder Mhazres, morto em 23 de maio, na capital paulista, por motivo torpe enquanto Ana Paula tentava obter proveito financeiro alegando falsa gravidez.

O envolvimento direto de Roberta Cristina Veloso Fernandes, irmĂŁ gĂȘmea de Ana Paula, tambĂ©m foi estabelecido na fase de apuração, nĂŁo apenas pela consultoria financeira, mas por atos na ocultação de vestĂ­gios. Roberta admitiu em depoimento que “queimou o sofá” de uma das vĂ­timas, “pois estava fedendo em razĂŁo do estado avançado de decomposição.

“Verdadeira serial killer”

Diante da robustez das provas e da gravidade dos fatos, o MinistĂ©rio PĂșblico de SĂŁo Paulo classificou Ana Paula como uma “verdadeira serial killer”, e a prisĂŁo temporĂĄria dela foi convertida em preventiva, ou seja, por tempo indeterminado. Roberta Cristina, por sua vez, tambĂ©m foi detida temporariamente, e novo inquĂ©rito policial foi instaurado especificamente para aprofundar a investigação sobre a conduta dela e individualizar as responsabilidades no esquema criminoso.

A revelação de que as irmĂŁs comercializavam a morte por valor mĂ­nimo de R$ 4 mil, juntamente com a sofisticação da ocultação de provas e a reiteração criminosa, levou a Justiça de Guarulhos a receber integralmente a denĂșncia contra Ana Paula, unindo todos os casos  — de Guarulhos, SĂŁo Paulo e Rio de Janeiro –, devido Ă  conexĂŁo instrumental e probatĂłria.

O JudiciĂĄrio aguarda a continuidade das diligĂȘncias essenciais, como exumaçÔes e anĂĄlise completa do sigilo bancĂĄrio das acusadas, para mapear todos os fluxos financeiros ligados ao suposto empreendimento de assassinato por encomenda.

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